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Tive oportunidade de participar recentenente numa acção de formação de voluntários hospitalares. Foi mais uma acção das muitas que se têm realizado no âmbito da formação permanente daquele voluntariado. Participaram cerca de 270 pessoas, representando grande parte dos hospitais do norte, desde Chaves até S. João da Madeira.
O serviço voluntário aos doentes, seja nos hospitais, nos centros de saúde ou nas paróquias, não pode ser deixado apenas à iniciativa de pessoas de boa vontade, porque é hoje um trabalho de grande exigência a vários níveis. Daí, a necessidade não só de uma escolha cuidadosa dos candidatos e de uma preparação inicial, mas também de uma formação continuada. O Secretariado de Pastoral da Saúde, consciente destas realidades, tem assumido o encargo da formação dos voluntários, agregando a si técnicos de reconhecida competência. O êxito deste trabalho está patente no valor, no espírito de serviço e na dedicação empenhada, postos pelos voluntários nos variados trabalhos que são chamados a fazer em benefício dos doentes hospitalizados e na progressiva aceitação que vão merecendo dos responsáveis pelos vários sectores das unidades hospitalares. No que se refere ao voluntariado nas paróquias, este trabalho de formação está ainda numa fase inicial, mas esperamos que em breve se torne igualmente generalizado e proveitoso.
Foi anunciada, naquela acção de formação, a inauguração, dentro de dias, de uma Unidade de Cuidados Continuados, anexa ao Instituto de Oncologia do Porto. Trata-se de um serviço há muito sonhado pelos responsáveis, para acolher doentes em fase terminal, proporcionando-lhes cuidados médicos, de enfermagem e de higiene e uma ambiente o melhor possível de bem estar, para dar qualidade aos últimos dias de vida daqueles doentes. A estadia na Unidade pode ir de alguns dias até um máximo de seis meses. Ninguém é enviado para aquele serviço, mas são aceites apenas aqueles que assumidamente sabem que o seu fim está próximo.
O nosso medo da morte e o camuflar desta realidade na nossa sociedade fazem com que haja para com os doentes, por parte dos seus familiares, a chamada conspiração do silêncio. Na maior parte dos casos trata-se de uma ilusão falaciosa, porque ninguém mais do que o próprio doente sabe ou sente quando se aproxima o final dos seus dias. E mesmo quando o conhecimento da gravidade mortal da doença é uma surpresa para o próprio doente, este vai lentamente assumindo a realidade, ainda que tenha de passar antes por fases de recusa e de revolta bem identificadas por Kubler Ross. Assumindo finalmente a realidade dum futuro final próximo, a única coisa que deseja é que lhe permitam morrer com dignidade, em paz e sem graves sofrimentos.
É certo que o melhor lugar para morrer é em casa, no ambiente familiar em que sempre se viveu, rodeado do carinho dos seus. E há ainda, felizmente, casos destes. Se podemos lastimar que muitas pessoas morram hoje nos hospitais, na mais desumana solidão, é confortante saber que há ainda famílias a quererem que os seus morram em casa, rodeados dos seus carinhos.
Naquela acção de formação de voluntários a que me referi, foram mostradas fotografias em slides de um centro de cuidados paliativos existente algures em França (e muitos há noutros países), semelhante àquele que vai abrir junto ao I.P.O. Foi verdadeiramente comovedor verificar o carinho e o profundo sentido de humanismo, posto no arranjo de todas as instalações daquele centro de cuidados paliativos. Desde as instalações sanitárias, onde se utilizaram os mais variados processos imaginativos para facilitar a higiene dos doentes, incapazes de se bastar a si próprios, até aos quartos individuais, onde os familiares são bem recebidos, ou ao cuidado posto na apresentação das refeições, às flores, às plantas, que alegram o ambiente, à janela voltada para o parque ou o jardim, e até mesmo ao animal de estimação, o cão ou o gato, que acompanham o doente, tudo revelava um grande sentido de carinho fraterno pelo homem em necessidade.
Tendo de falar em seguida, achei oportuno chamar a atenção dos participantes para duas realidades ali presentes, contrastantes com aquilo que mais frequentemente se passa no nosso mundo.
Primeiro, o contraste entre aquelas imagens reveladoras de um verdadeiro amor pelos outros, e concretamente pelos que sofrem a dura realidade de se confrontarem com a morte próxima, e as imagens que quotidianamente entram em nossas casas através da televisão. E, se não estivéssemos ali, mas diante de um aparelho televisivo a ver a chamada festa do futebol, teríamos assistido ao rebentamente de um petardo que gratuitamente ceifou uma vida. Dois mundos diferentes. Um, o mundo do humanismo, do sentido de serviço ao outro e do serviço de qualidade, de ajuda a que cada um assuma a tarefa de viver até que a natureza ponha termo à vida. O outro, o da televisão, já não é sequer o mundo falsamente piedoso dos que advogam que se deve pôr termo à vida de quem já não tem esperança de viver, mas o mundo da violência gratuita, da exploração dos instintos animalescos que sobrevivem no homem.
O outro contraste tem que ver com aquele numeroso
grupo de pessoas que sairam de suas casas para participarem numa
acção de formação que as preparariam
para exercerem mais competentemente um trabalho gratuito, do qual
não esperam outra remuneração senão
a satisfação interior de poderem ser úteis
aos outros, em especial àqueles que foram atingidos pelo
sofrimento. Contraste com o grande mundo, que se movimenta à
volta dos interesses económicos, da ambição
de ganhar o mais possível, por vezes sem olhar a meios,
porque só o fim interessa. Na verdade, o voluntariado pode
bem ser chamado de a consciência crítica desta sociedade
de consumo em que vivemos.
| Gonçalves Moreira |
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Para além disso, na tarde do dia 16, 5ª-feira, o Dr. Tadeu Soares, do ministério dos Negócios Estrangeiros, proferiu uma conferência sobre o Padre João Rodrigues, missionário e agente diplomático nas cortes do Japão e da China (1561-1933). A ele se deve a primeira gramática em língua japonesa e publicou também um notável livro sobre a cultura japonesa. A biografia publicada em 1973 pelo jesuíta Michael Cooper e traduzida no ano seguinte por Tadeu Soares, ajuda a conhecer uma personalidade que aproximou a Europa da China e do Japão.
Os diários de viagem de Marco Polo, no séc. XIII, foram durante muito tempo a grande informação sobre a China e sobre Cipango, o Japão ou a terra de origem do Sol. Ali chegariam os portugueses, por acaso, em meados do séc. XVI. Proliferou por ali o negócio da seda chinesa e da prata japonesa e em 1549 ali chegaria S. Francisco Xavier e mais dois membros da Companhia de Jesus, obtendo a conversão de alguns nobres. Mas houve também graves derrotas como a que sofreu o jovem português João Rodrigues em Dezembro de 1578, nas margens do rio Mimi-Kawa.
No decorrer dessa sessão cultural que decorreu no Instituto de Santo António usaram ainda da palavra os presidentes da Câmara e da Assembleia Municipal e o pároco de Sernancelhe, a terra do «intérprete», P. João Rodrigues. Participaram ainda os embaixadores de Portugal junto da Santa Sé e de Portugal junto do Quirinal, o Bispo do Funchal, D. Teodoro Faria, e o Reitor de Santo António dos Portugueses, P. Agostinho Borges.
No início, o «Ançãble
Vocal» de S. António dos Portugueses executou o Romance
de Alcácer Quibir, de um anónimo português
do séc. XVI. Nesse tempo os poetas, como Gil Vicente, eram
bilingues e usavam habitualmente o português para cantigas
de amor e o castelhano para temas bélicos e cómicos.
Uma boa execução musical de uma peça que
se ouviu muitas vezes na Corte em honra de S. Sebastião,
nos tempos posteriores ao cardeal D. Henrique.
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