| Pacheco de Andrade |
O abandono, há dias, do hemiciclo da Assembleia da República por parte dos deputados do PSD e PP/CDS, quando, sem se ter realizado o referendo que os sociais-democratas pretendiam, ia ser votada a regionalização, não me parece que tenha sido uma forma correcta de aqueles manifestarem que discordam da atitude da maioria. Trata-se de um precedente grave, que abre o risco de poder vir a ser repetido, e que, a sê-lo, fragiliza perigosamente a oposição. Porque habilita os eleitores a interrogarem-se para que servem aqueles em quem votam, quando estes deliberam ausentar-se do Parlamento. Opor-se politicamente é uma coisa, mas o amuo político é outra e muito diferente, porque, à primeira vista, padece de alguma irresponsabilidade. Pior ainda se, por detrás da máscara do amuo, há apenas uma jogada.
Em questão tão fulcral como é
a regionalização, que irá compartimentar
os caminhos para o desenvolvimento, a população,
já que não foi consultada ao ser-lhe suposto um
estatuto de menoridade, deve, ao menos, ser poupada ao torneio
político. Porque, desta vez, trata-se de questão
que lhe diz particularmente respeito. Diga-se o que se disser,
é difícil entender por que é que, neste caso
que passa tanto à sua porta, o eleitorado não é
ouvido. Há algo de suicidário numa decisão
que se baseia no texto constitucional, mas que todos sabem que
era fácil alterar para que o país se pronunciasse.
A velocidade com que tudo foi feito, quase de forma ofegante,
e sem que houvesse um esclarecimento de dimensão nacional,
denuncia que, por vezes, o parlamento é uma coisa e o país
é outra.
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