«Perdão entre os homens»

- pede D. Júlio Rebimbas, arcebispo-bispo do Porto, na celebração do Dia Mundial da Paz.

Uma solene celebração assinalou na Sé do Porto o primeiro dia do ano de 1997 e Dia Mundial da Paz. O Coro da Sé Catedral, o Grande Órgão de Tubos, o Cabido e Diáconos, e um bom número de fiéis deram à celebração o indispensável relevo.

Momento habitualmente esperado foi a homilia, tendo D. Júlio feito eco da Mensagem do Papa para esse Dia, em que se apela ao perdão, mas também se pede perdão e se perdoa, considerando que essa via é «profundamente digna» para as pessoas e muitas vezes a única que permite sair de situações marcadas por ódios antigos e violentos. Adverte, entretanto, D. Júlio que o perdão exige «reparação» e que a paz implica o respeito pela verdade e pela justiça. Apontou depois a corrupção e a manipulação política e ideológica como destruidoras, pela base, da convivência pacífica.

Aos políticos pediu que não ponham os interesses pessoais em primeiro lugar, que acabem com a indústria e comércio de armas, que sejam capazes de amnistiar os que já reconheceram publicamente os seus erros e que dêem mais meios às Nações Unidas.

Aos padres e bispos lembrou que devem ser, nas comunidades e no mundo, «espelhos do amor misericordioso de Deus»; às famílias sugeriu «gestos de fraternidade e acolhimento» e que, sem preconceitos, eduquem os filhos na Fé; aos educadores pediu que «comuniquem os autênticos valores da vida» em ordem à tolerância, compreensão e respeito pelos outros; aos jovens apelou a que desenvolvam «a cultura e as tradições, realizando obras de paz»; e aos que trabalham nos meios de Comunicação Social pediu que considerem as grandes responsabilidades da profisssão «e nunca provoquem o ódio, a violência e a mentira» mas sejam «verdadeiros e leais».

Dirigiu-se depois a todas pas pessoas de boa vontade para que, como peregrinos da Paz, «colaborem na nova civilização do amor, praticando gestos de fraternidade e de acolhimento mútuo» de modo que ecoem pelo mundo vozes de paz e se respeitem as crianças e os velhos, e o próprio ambiente.

O Arcebispo-bispo do Porto concluiu apontando o caso de gente castigada pelo desemprego e pela doença ou que vive em pobres barracas, mas que, sem revolta, tem doçura nas palavras e no trato, como aquela senhora a quem valeu «o Natal dos Sós» e que tem em casa filhos toxicodependentes que a maltratam. Ao dizer que para o ano novo nada deseja «porque nunca teve nada, nunca foi feliz» ela lançou uma pedrada no charco de tantas farturas e falsas abundâncias.

E D. Júlio concluiu com um voto de felicidade para as pessoas e que, acima de tudo, se encontrem com o Senhor, «perdoando e amando, lavrando caminhos de novas esperanças».


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