A presença de dois capitulares, de um diácono e de três dezenas de pessoas não assinalaram suficientemente uma das mais importantes celebrações do ano litúrgico. As centenas de crismas que, em anos anteriores, ali tinham lugar faziam encher a não poder mais a Catedral, o que desta vez não aconteceu. E assim, no Domingo de Pentecostes, a Sé foi apenas mais uma das igrejas da Baixa do Porto.
A homilia lembrou que, com a vinda do Espírito Santo, «começou um novo tempo. O tempo último. O tempo da Salvação. E nasceu um novo povo. A Igreja que somos e constituimos». E que, no Pentecostes, se ultrapassa a Lei, que era celebrada como dom e caminho da felicidade e da comunhão com Deus. Com o Espírito, veio «a nova lei inscrita no coração» e capaz de fazer «os novos tempos, os tempos finais, os tempos da Salvação, os tempos do espírito... de vida, de verdade, de amor e de fortaleza». Concretizou o Cón. Taipa que esse é «o nosso tempo, o tempo da Igreja» e que, animado pelo Espírito, esse povo tem dimensão universal, constituído por todas as raças e línguas, e com uma forte solicitude missionária. Pelo Espírito, cada um verá os caminhos «iluminados» e todos os que procuram a verdade e se interrogam hão-de descubri-la.
Então, esse «povo novo, animado por um Espírito que é espírito de amor» que revela o outro como alguém que pede que faça «da minha vida um serviço» e que busque a felicidade «no dom de mim mesmo» para felicidade do outro, poderá descobrir a futilidade e vacuidade de uma vida vivida na busca de si mesmo e que tenta erguer-se esmagando pessoas e grupos. A Igreja, concluiu o Cón. Taipa, é esse povo «animado por um espírito de fortaleza», capaz de uma vida sã, livre e em liberdade, solidariedade, amor e paz. Pelo Espírito, «as nossas aspirações deixam de ser uma utopia, uma grande ilusão ou um engano. Nele a vida é possível e vale a pena ser vivida», neste que é «o nosso tempo, o tempo da Igreja que somos e constituimos».
Às comunidades e à própria Catedral são colocadas para concretização tão exigentes perspectivas, de modo que sejam expressão do que é realmente a Igreja de Cristo.
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