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Cristãos e muçulmanos
As duas recentes viagens de João Paulo II a Sarajevo e a Beirut trouxeram ao de cima uma das linhas de força deste pontificado: o esforço de aproximação e de diálogo cultural e inter-religioso da parte da Igreja Católica em relação ao mundo muçulmano. Para além do aspecto religioso propriamente dito - na sequência do Vaticano II e do histórico Encontro Inter-religioso de Oração de Assis - esta orientação visa favorecer a construção da paz no mundo, contrastando com a crescente radicalização do mundo árabe. Por outro lado (um pouco como outrora com a real-polítik) conduzida pelo Cardeal Casaroli relativamente aos países comunistas do Leste Europeu), deseja-se assegurar melhores condições de existência às comunidades cristãs presentes nos países árabes (ou de maioria islâmica) tentando contrariar o êxodo que daí se tem verificado nas últimas décadas de modo crescente e acentuado.
Nesta linha se situa, claramente, o recente estabelecimento de relações diplomáticas com a Líbia, assim como os contactos sempre mantidos pelo Vaticano com o Iraque e com o Irão, não obstante as (relativas) distâncias tomadas pelo mundo ocidental.
Por razões ligadas à história e à sua própria localização geográfica, a Itália mantém, desde sempre, uma política de abertura e de ponte em relação ao mundo muçulmano, a começar pelos países mediterrânicos do Norte de África e do Médio Oriente. E a Igreja italiana secunda bem, do ponto de vista socio-religioso e cultural, esta orientação. As iniciativas multiplicam-se. Apontemos, algumas, das mais recentes. Embora de diversas proveniências e promovidas a diferentes níveis, todas convergem para aquela «convivialidade» que João Paulo II defendeu vigorosamente no Líbano.
de 27 a 30 de Abril, em Roma, no Pontifício,
Instituto de Estudos Árabes e de Islamística, teve
lugar um Colóquio promovido pelo Conselho para o Diálogo
Inter-religioso (do Vaticano) juntamente com a World Islamic
Call Society (que tem a sua sede em Tripoli). Tema: «Da'wah
islamica (apelo ao Islão) e Missão cristã
no próximo século». Na prática, tentou-se
ver qual o conceito e a prática de «missão»
existente da parte dos muçulmanos e dos cristãos.
Para além das diferenças advertidas, os participantes
sublinharam que, continuando a viver e a testemunhar a própria
fé, haverá que respeitar sempre a dignidade de cada
um, a liberdade de consciência, o direito à liberdade
religiosa. Mais do que num espírito de competição,
a actividade missionária dos cristãos e dos muçulmanos
deveria ser praticada em espírito de colaboração
e ao serviço da humanidade.
Islão e Europa
Recebendo, a 3 de Maio, as Cartas credenciais do Embaixador do Irão junto da Santa Sé, João Paulo II voltou a defender uma crescente cooperação entre muçulmanos e cristãos, garantindo e promovendo a liberdade de religião e de consciência. Como tinha feito relativamente a Cuba, no encontro com Fidel de Castro, em Novembro passado, o Papa fez apelo às autoridades iranianas para que permitam a assistência religiosa aos cristãos existentes no país, aceitando a entrada de padres e outros agentes pastorais, indispensáveis para um apoio às minoritárias comunidades de fiéis, a braços com falta e pessoal qualificado.
A 6 e 7 de Maio, em Turim, promovida pela Fundação Giovanni Agnelli, teve legar um Congresso internacional visando uma reflexão islamo-cristã sobre a situação actual e sobre o futuro dos Cristãos do Oriente na sociedade árabe. Examinados os casos da Jordânia, Egipto, Líbano, Palestina e Iraque. Participaram figuras do mundo universitário e da comunicação, mas também personalidades dos meios religiosos e ligadas, em algum caso, às estruturas oficiais do Estado.
A 8 e 10 de Maio, em Florença, promovido pela Universidade local e pela Universidade Al-Azhar, foi a vez de um Colóquio científico sobre «Islão e a Europa - 13 séculos de história comum». Indo muito para além do fenómeno das «Cruzadas», sublinharam-se os intercâmbios humanos, culturais, artísticos e comerciais ao longo da história. Assinado um acordo de cooperação entre aquela antiga e prestigiosa Universidade islâmica do Cairo e a Universidade da capital toscana, para dar continuidade a este intercâmbio cultural.
Manifestando bem a que ponto a questão das relações quotidianas com os não-cristãos se coloca hoje-em-dia no interior da sociedade e das comunidades cristãs da Europa, nada menos de 120 padres da diocese de Roma tiveram há dias um encontro de reflexão pastoral com o Cardeal Francis Arinze (presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso) precisamente para reflectirem sobre como dialogar com o crescente número de não cristãos presentes em Roma.
A recente inauguração da Mesquita de Roma é bem sinal do peso que os discípulos de Maomé vão assumindo na Cidade Eterna. Para os católicos deste final de Milénio é um facto que não pode deixar de constituir uma interpelação bem ligada ao cerne da fé cristã e ao modo de viver a missão recebida do Mestre.
| Pacheco Gonçalves |
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Augusto Abelaira é natural de Ançã, tem 71 anos de idade, é autor de cerca de uma dúzia de títulos de obras novelísticas e teatrais, e tem sido colaborador de várias publicações periódicas. A obra premiada analisa o comportamento sentimental e social de duas pessoas na sociedade portuguesa, entre os tempos das lutas pela democratização do país, nos anos sessenta, e a visão, algo amargurada, que têm, no período contemporâneo, das suas lutas e das suas esperanças que pensam não realizadas.
Entre as obras de Abelaira, influenciado tanto pela Presença como pelo neo-realismo, salientam-se A Cidade das Flores (1959), Os desertores (1960), As boas intenções (1963, prémio Ricardo Malheiro da Academia das Ciências de Lisboa), Enseada amena (1966), Bolor (1968), Sem tecto entre ruínas (1980), que recebeu o último Prémio Cidade de Lisboa, antecessor do actual Grande Prémio do Romance e Novela) O Triunfo da morte (1981) O Bosque harmonioso (1982), O único animal que?... (1985), Deste modo ou daquele modo (1990). Publicou ainda as peças de teatro A palavra de ouro (1961), O Nariz de Cleópatra (1962), Anfitrião, outra vez (1980). Foi ainda Director das revistas Seara Nova, Vida Mundial, e Presidente da APE em 1978-79. Entre as outras obras concorrentes ao Prémio Manual dos Inquisidores, de A. Lobo Antunes, Memórias laurentinas, de Agustina de Bessa-Luís, O defunto elegante, de Luísa Costa Gomes, Inquérito às Quatro Confidências, da Maria Gabriela Llansol e Insónia de Hélia Correia.
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Mário Garcia falou da obra «Xavier Dormindo, Xavier Acordado», escrita por Vieira já com mais de 80 anos e publicada em 1694, pouco antes do seu falecimento. Nesse verdadeiro «testamento espiritual» Vieira deixa transparecer memórias do missionário no Brasil, do diplomata da Corte e autor espiritual que de algum modo se identifica com «o maior jesuíta» que foi S. Francisco Xavier. A conferência foi precedida de um momento musical, tendo elementos do Ançãble Vocale do IPSAR interpretado «Pinguis est Panis Christi, Aleluia, de J. Rodrigues Esteves, do séc. XVIII.
Desta forma o Instituto de Santo António recordou António Vieira que em Roma passou parte da sua vida e pronunciou alguns dos seus sermões na igreja de Santo António. Em sessões anteriores, houve a conferência «O Padre Vieira em Roma», pelo Prof. Aníbal PInto de Castro, da Universidade de Coimbra, e um programa musical pelo grupo vocal Brasilessentia em que foram apresentadas obras de compositores portugueses e brasileiros: Pedro Araújo, Carlos Seixas, André Gomes, Camargo Guarnieri, Noel Rosa/Vadico.
O Instituto de Santo António promoveu ainda, em 29 de Abril, um concerto pelo barítono Jorge Chaminé, do Porto, e esposa M. Françoise Bucquet, na presença dos embaixadores de Portugal e da França junto da Santa Sé. E, no mesmo mês, a conferência pelo Prof. Felice Accrocca, da Universidade Gregoriana, que falou sobre «S. Francisco, Santo António e a sequela Christi». Em 17 de Março foiu o concerto «Jeshua: de Nazaré à Ressurreição» pelo organista invisual Giuseppe di Mare, aliando Bach, Frescobaldi, D. Zipoli e Mendelssohon a textos do Novo Testamento que encaminhavam para o mistério pascal, num esforço de, como dizia L'Osservatore Romano, colocar a «técnica ao serviço de uma forma diversa de abordar as Sagradas Escrituras».
Em Fevereiro, o Açãble Coral de Santo António fizera um concerto de quaresmal de música portuguesa sob o tema: «A Paixão de Cristo na Liturgia e no Lilrismo Religioso», com as peças Tristis est Anima Mea, de D. Pedro de Cristo, Frei Manuel Cardoso, Francisco Martins, Manuel Faria e o Stabat Mater de J. Rodrigues Esteves.
Está prevista para 13 de Junho a celebração solene da festa de Santo Antóniocom o apoio da Capella Musicale di Santo Antonio que executará a Missa em Ré Maior de A. Dvorak, sob a direcção de Massimo Scapin. O Reitor da Igreja, P. Agostinho Borges, tem, para além disso, desenvolver em Roma um espaço eclesial de encontro com a História e a Cultura Portuguesa.
| M. C. , Maia |
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