Cada um à sua maneira, e o Cón. Artur Silva nas Laudes, todos enriqueceram, pelo ministério da Palavra, a mensagem de Páscoa proclamada na Sé ou difundida pela rádio e pela televisão. E, assim, com o contributo ainda do Seminário Maior, de organistas e de coros, muitos terão podido concluir, mais uma vez, que é uma boa opção escolher a Sé para participar nas celebrações da Páscoa.
Na missa crismal de Quinta-Feira Santa, D. Júlio Rebimbas, lembrou que «os presbíteros são os mais decisivos e necessários protagonistas nesta nova era», tendo acrescentado nesta celebração «certamente a última como vosso Bispo, na Igreja-Mãe da Diocese» que, quando se procuram novos caminhos de evangelização, «são os sacerdotes que estabelecem a comunhão de todos os crentes com o Bispo e os que mais promovem, qualificam e integram na missão da Igreja todos os membros da comunidade cristã». E disse ainda que foram os padres quem mais aguentou as mudanças dos últimos 50 anos e particularmente as ditadas pelo Vaticano II.
Num tom fraterno, ditado pela solidariedade entre Bispo e padres, D. Júlio reconheceu que «o peso do Evangelho» recai sobre os sacerdotes e lança-os muitas vezes para «duras solidões» de crente colocado a ajudar os outros e obrigado a superar, tantas vezes sozinho, as suas próprias dificuldades.
Numa sociedade «em que tudo se mede pela contabilidade» é preciso ser ousado para «pertencer a um ministério sem poder económico e prestígio social», vivido nos meios rurais pobres, e permanecer «fiéis aos que por lá vão ficando, acompanhando-os na sua marginalização, assistindo-os como mensageiros da fidelidade e da misericórdia de Deus, restando, muitas vezes, como única presença qualificada e servidora que por lá fica». À homenagem aos padres «rurais» seguiu-se a dos «servos dos homens» que vivem «solitários nas cidades», onde não há relações de vizinhança e é mesmo preciso criar instituições de solidariedade social.
D. Júlio assemelhou os tempos de hoje com os da «Igreja nascente» que teve de anunciar o Evangelho em meios estranhos e até hostis, à maneira de pequena semente que se lançou à terra dominada por três «grandezas»: a religião judaica, a cultura grega e a política romana. Mas, hoje, disse D. Júlio, o problema é outro: olham a Fé cristã «com displicência», como religião caduca «que deu tudo o que tinha a dar».
Em tempos assim o padre há-de ser «Mensageiro» que anuncia a misericórdia de Deus a marginais, pecadores, oprimidos e dominados e «Apóstolo» apresentando Cristo, morto e ressuscitado, como vivo e vivificador da vida humana. Ele anuncia «os ideias do Reino e prega Cristo» como referência concreta.
Por último falou D. Júlio da missão de «comunhão» que o padre realiza, como presidente de comunidades, não esquecendo que «a comunhão é a maneira de existir na Igreja» e que esse é o serviço do presbítero. Bispos, presbíteros e diáconos deverão ser um sinal de «eclesialidade», evitando «encerrar-se num individualismo estéril e gerador de divisões, ou numa mentalidade clerical» e intolerante.
E concluiu colocando-se na continuidade histórica de uma Igreja que deve conviver com diferentes formas de viver o ministério, mas «sem se descuidar de procurar sempre a forma mais adequada para os tempos novos». Aos padres colocados «na grande corrente do anúncio do Evangelho», recomendou alegria, paciência, diálogo e generosidade para poderem «abrir o coração» das pessoas de hoje à experiência de Deus, encontrando, assim, a sua dignidade e estando mais próximos dos pobres e oprimidos «com uma urgência que nasce da Fé» e com sentido missionário seja nas associações, grupos ou movimentos. Concluindo que «sem padres não vamos a parte nenhuma», o Arcebispo-bispo do Porto despediu-se dizendo: «Até sempre, amigos e irmãos. Alegria e Paz para as vossas comunidades, a caminho do Terceiro Milénio, onde está Cristo ontem, hoje e amanhã».
Em dia de Páscoa, «o acontecimento central da história», D. Júlio lembraria que, pela Ressurreição, foi inaugurada «a nova Criação» a que os discípulos vão aderindo um a um, ao reconhecerem o Senhor, por virtude do Espírito Santo. E concluiu que a Páscoa é «a passagem do velho ao novo, da morte à vida, das sombras à luz» e que isso vem desde há dois mil anos. Apelou ao compromisso social e público, «que faz parte do todo da missão da Igreja na sua dimensão constitutiva da pregação do Evangelho», e à Esperança pois «Jesus ressuscitou... e sempre está vivo no meio de nós».
A celebração da Ceia do Senhor foi presidida por D. José Augusto, bispo auxiliar, que, pelo gesto do lava-pés, exprimiu até onde vai o amor de Deus.
Na Sexta-Feira Santa, D. Manuel, bispo auxiliar, lembrou a cruz onde «se manifesta a imensidade do amor de Deus» e onde o Senhor reconciliou toda a humanidade, acrescentando que a missão da Igreja é a de ser «instrumento de reconciliação». Chamou depois a atenção para os sinais e ritos desse dia, reveladores de que Cristo «tomou sobre si as iniquidades», como cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo e grão de trigo lançado à terra para que «nos tornássemos Justiça de Deus». E assim a cruz, de instrumento de vergonha, sofrimento e morte, tornou-se «sinal da doação total de Cristo por nós», revelando «que o amor é mais forte do que a morte» e assim dela ressalta «o triunfo da vida», a alegria para o mundo inteiro.
A redenção pela cruz tornou-se, assim, «a hora de Jesus», o ponto culminante da Sua entrega ao Pai. Não admira, por isso, que as pessoas tenham devoção à Cruz e através de gestos como a Via-Sacra, descubram «a imensidão do amor de Deus» e um forte apelo à reconciliação. E concluiu dizendo que a Igreja deve prolongar na história esse ministério da reconciliação entre os homens, à maneira do Cireneu que se dispôs a aliviar o peso da cruz de Cristo.
Na Vigília pascal, coube a D. Gilberto, bispo auxiliar, proclamar a alegria da Ressurreição e colocar nas mãos dos cristãos tão grande notícia. Dirigindo-se a cada um, na diversidade das idades e da sua missão na Igreja e no mundo, apelou a todos para que vivam os 50 dias que se seguem à Ressurreição de Cristo como «um grande dia de festa». E recomendou aos que ali estavam para que levassem essa mensagem às famílias e a todas as outras pessoas e situações.
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