Aliás, o problema do estacionamento na cidade vai de mal a pior. Depois da disparatada "solução" dos inestéticos e desusados parcómetros, ou parquímetros, que afrontam qualquer senso comum, dificultando a circulação de peões pelos passeios, mesmo os que não padeçam de qualquer deficiência física, resulta que agora não funcionam, o que tem vindo a determinar que a falta de vigilância conduza a que se estacione de forma selvagem em tudo quanto é lugar. Quando os parcómetros começaram a ser colocados, importados não sei donde por já não servirem, porque lá chegou primeiro a civilização, tivemos o cuidado de salientar aqui a inadequação dessa anquilosada solução, e de sugerir outras mais baratas e mais oportunas. Não nos fizeram caso. Agora há que mandar os parcómetros para uma qualquer cidade do terceiro ou do quarto mundo, a ver se alguém os quer. Fenómeno de que importa duvidar.
Procurou-se criar uma disciplina para o estacionamento, e a coisa parecia começar a funcionar. Pura ilusão. O descuido dos responsáveis e a consequente falta de vigilância conjugaram-se com outra falta: a de civismo dos cidadãos; e agora vemos as vias que deveriam servir prioritariamente para o escoamento do tráfego serem transformadas em parques de estacionamento, à direita e à esquerda, e até em segundas filas. E se as viaturas pertencem aos comerciantes do bairro, ali permanecem placidamente o dia inteiro.
A norma está clara: quando não há vigilância, impera a transgressão; e quando há excesso de normas, há excesso de transgressões. Menos proibições, mas que sejam rigorosas. Uma boa ordenação viária poderia retirar metade das placas da cidade, com vantagem para todos. Criem-se parques periféricos com acessos rápidos aos centros. Invente-se um sistema temporizador de estacionamentos em todo o centro da cidade.
Criem-se novos espaços exclusivamente pedonais. Generalize-se o sentido único de circulação. E sobretudo , nunca se faça nenhuma lei ou postura cujo cumprimento não se possa urgir. É o que há de mais deseducativo para a população e mais desprestigiador para as autoridades.
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