| Forum: | |
Toda a gente reconhece que se trata de uma questão complexa, com toda uma série de aspectos: não só o perfil mais idóneo dos candidatos e o máximo de independência de influências alheias, mas também o sempre difícil equilíbrio entre as Igrejas locais e a Sede Apostólica, o papel a reconhecer aos membros da Conferência Episcopal, ao presbitério diocesano e aos fiéis leigos mais empenhados, e - por fim, mas não menos decisiva - a função determinante da Nunciatura Apostólica e da Cúria Romana (em ligação directa - supõe-se - com o Santo Padre).
Sem deixar de reconhecer as actuais
deficiências, não será inútil recordar
os passos já dados para melhorar um processo que constituía
- nas palavras bem expressivas de Antonio Rosmini, em meados do
século XIX - uma das «Cinco chagas da Santa Igreja»,
mais precisamente, «a chaga do pé direito da Santa
Igreja, que é a nomeação dos bispos abandonada
ao poder laical». Questão que o próprio
Rosmini - sem nenhuma demagogia ou simplismo - desenvolvia nas
três Cartas «Sobre as eleições episcopais
com clero e povo» publicadas em anexo daquela obra.
A chaga do pé direito
Intervindo em Novembro de 1963 no debate conciliar sobre o Esquema De episcopis ac de dioecesium regimine, D. António Ferreira Gomes sublinhava que «o bispo não é um mero colaborador do Papa, sem responsabilidade pessoal». E logo acrescentava: «O primado pontifício não pode esvaziar o poder dos bispos, nem vice-versa: há um equlíbrio desejado por Cristo».
O Bispo exilado, impedido pelo poder civil de reentrar na sua cara diocese do Porto, não perdia a ocasião para reivindicar uma total liberdade da Igreja para a escolha e actuação dos bispos. Numa passagem só referida pela edição inglesa do Boletim de Imprensa do Concílio, afirmava o senhor D. António:
«O Concílio deve pronunciar-se
contra o abuso da autoridade civil na nomeação dos
bispos. Nenhum bispo deve ser obrigado a prestar juramento de
fidelidade às autoridades civis. A nomeação
deveria depender sobretudo do colégio dos bispos, com a
colaboração dos fiéis. É lamentável
que por vezes a Igreja seja menos livre sob governos católicos
do que com autoridades protestantes».
Discutir com liberdade o problema
Nesse mesmo dia 7 de Novembro de 1963, sexagésima segunda congregação geral do Concílio, não faltaram outras intervenções notáveis. Criticando o centralismo da Cúria Romana e solicitando a sua internacionalização, os Padres conciliares faziam apelo a Paulo VI para que se desse forma a uma instituição que pudesse de algum modo concretizar o exercício habitual da colegialidade dos Bispos em união com o Papa. O que, de facto, aconteceu com a criação do Sínodo dos Bispos.
Vigorosa a intervenção do mexicano Mendez Arceo, de Cuernavaca, em nome de muitos bispos latino-americanos. Para além de recusar admitir como «concessões» as faculdades reconhecidas aos bispos pelo Esquema em debate, afirmava: «É necessário discutir com toda a liberdade o problema da eleição dos bispos, escolhendo a forma que melhor corresponda ao autêntico bem da Igreja e subtraindo-a a toda e qualquer interferência do poder civil e político».
E o arcebispo de Pontianek (Indonésia), em nome de 30 padres conciliares, reclamava «a adequação das Nunciaturas às exigências dos tempos», solicitando tambéma criação de «um organismo, um senado episcopal» para «assegurar entre o Papa e os bispos, relações vivas, fecundas e permanentes», «uma relação autêntica e efectiva entre a cabeça e o corpo episcopal».
Um bispo da União Indiana propunha um capítulo à parte sobre «as normas que regulam a eleição dos bispos» e considerava necessário especificar «o princípio fundamental do poder do Sumo Pontífice de eleger livremente os bispos», «o desejo do Concílio de que se ponha termo a qualquer outro direito ou privilégio de apresentação» e «o convite dirigido pelo Concílio aos responsáveis das diferentes nações para que renunciem espontaneamente aos seus privilégios históricos na matéria».
A quase totalidade destas propostas foram integradas no Decreto «Christus Dominus». Ficou de lado a questão do processo (interno da Igreja) de escolha dos Bispos. Dirão que os tempos não estavam maduros. Trinta e cinco anos depois, a situação (consideram alguns) ter-se-á mesmo deteriorado sob certos aspectos. Uma ferida em aberto: a chaga do pé direito do Corpo de Cristo que é a Igreja, que todos amamos e quereríamos ver bela e resplandecente, mais conforme à Cabeça.
| Pacheco Gonçalves |
| Início |
«Fui invadida por uma angústia ao ler no semanário Voz Portucalense que a Igreja, assim como as seitas, vão ter direito a uns minutos de transmissão na Televisão! A maior parte dos grupos que dessas ditas religiões não passam de seitas, como acontece com a Igreja da Ciência Cristã. Eu acho que a Voz Portucalense poderia informar sobre essas ditas Igrejas mas que são seitas e poderia fazer passar essa informação a outros jornais e pessoas.
Peço desculpa de vos meter em trabalhos mas eu entendo que a propaganda desses grupos só faz mal.
| S. J. L., França. |
| Início |
| Primeira Página | Página Seguinte |