Nos últimos anos, a ODPS viu-se atingida por denúncias de ilegalidades na gestão, de esbanjamento e de despesas não justificadas na ordem de 40 mil contos, ao mesmo tempo que se acusava as entidades que acompanham ou financiam a Obra como coniventes e mesmo cúmplices.
Feita uma inspecção aos serviços da Obra, os resultados foram apresentados há pouco às referidas entidades pelo Secretário de Estado da Inserção Social, referindo que, ainda que faltem, de 1991 a 1993, «comprovantes adequados» para algumas despesas, elas encontram-se documentadas, ainda que de forma tecnicamente incorrecta, não havendo fundamento para suspeição de desvios. E acrescenta-se que, a partir do início de 1994, «a gestão da Obra afigura-se correcta» e que a Direcção «fez tudo o que podia para (re)construir o Conselho Técnico Consultivo». Esse Despacho de 20 de Maio salienta ainda «a dimensão» e «a importância» desta Obra e recomenda «qualidade e transparência» na sua gestão. Reconhece «deficiências» mas testemunha «uma evolução positiva» «por via do início da racionalização administrativa, financeira e de gestão de recursos humanos», e também que «foram apresentados justificativos para saneamento das despesas insuficientemente documentadas» e que «os órgãos sociais estão, agora, a exercer as competências que lhes estão atribuídas».
O Dr. Paulo Cunha, presidente da Direcção salientou, em comunicado, a qualidade e o esforço dos que integram a Direcção e os Serviços de uma Obra que é «de relevante interesse para a Cidade, sobretudo para os habitantes dos bairros mais desfavorecidos», e particularmente quando, «com competência e abnegação», trabalham «em total voluntariado» ao serviço dos mais pobres, pois «é para eles que a Obra existe».
Criada para suprir graves carências na assistência e serviço social das populações dos bairros mais pobres, a ODPS orienta dez centros sociais a funcionar nos bairros de Fonte da Moura, Regado, Carriçal, Pasteleira, S. Roque da Lameira, Rainha D. Leonor, S. João de Deus, Pinheiro Torres, Cerco do Porto e Lagarteiro. Dá apoio a crianças e jovens em creches, jardins da Infância e A.T.L.(actividades de tempo livre), e à Terceira Idade em centros de dia e de convívio, ou na sua própria casa. No ano de 1995, as receitas vieram em 60% da Segurança Social e 13% da Câmara Municipal com que comparticipa as despesas de água, luz e aquecimento e também alguns custos de manutenção.
O Estado tem aproveitado estas instituições para conseguir um melhor serviço em favor dos mais pobres, em resultado de uma maior dedicação dos que as servem. Brotando da iniciativa de pessoas e instituições, por motivos humanitários e aproveitando o que o Estado diz poder disponibilizar para esse fim, tais entidades pagam aos seus trabalhadores o que está estabelecido. Neste caso, mais de um terço dos funcionários foram aumentados e não há salários em atraso, nem dívidas à Segurança Social, como nos foi garantido. Prossegue o esforço de saneamento financeiro e reclama-se dos utentes e da sociedade o devido apreço a quantos ali trabalham.
De olhos postos nas carências das pessoas a quem servem, e muitas mais aguardam ainda a sua vez, as instituições de solidariedade precisam de motivar os seus trabalhadores para o serviço social que realizam. Alguns acontecimentos denotam que têm tido mais eficácia estranhos apelos a atitudes que, cedo ou tarde, prejudicam os trabalhadores e os beneficiários destas obras de promoção social.
| Primeira Página | Página Seguinte |