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Esta iniciativa, que se apresenta como uma das «manifestações para a celebração do Jubileu do bimilenário de Cristo» é promovida pelo Ministério para os Bens Culturais e Ambientais, contando, naturalmente, com todo o apoio da Igreja italiana e do Vaticano.
«Letras e fé» é o tema geral
das três Mostras deste biénio 96/97. Além
da exposição patente em Montecassino até
ao fim de Dezembro, duas outras abrirão proximamente em
duas das mais famosas e ricas bibliotecas do mundo: a Biblioteca
Apostólica do Vaticano apresentará de Outubro 96
a Abril 97 códices dos clássicos gregos e latinos
- «Ver os clássicos»; de Janeiro a Junho do próximo
ano será a vez da Biblioteca dos Medici de Florença
apresentar uma exposição intitulada «Humanismo
e Padres da Igreja», com códices que ilustram não
só a importância atribuída no renascimento
aos Padres da Igreja mas também a atenção
que estes mesmos tinham reservado aos autores da antiguidade clássica.
Milhão e meio de manuscritos
Estará assim patente ao público ao menos uma pequena parte do extensíssimo espólio de códices e manuscritos das bibliotecas públicas e privadas italianas. Nenhum outro país do mundo possui uma tal quantidade de manuscritos: perto de um milhão e quinhentos mil! Mas é sobretudo a qualidade dos códices que merece ser sublinhada. Em grande número de casos trata-se das mais antigas cópias existentes das respectivas obras, decoradas com preciosas iluminuras de monges das abadias medievais.
O programa global desta série de mostras inclui
quatro etapas, à volta de outros tantos temas. Num primeiro
momento (94/95), sob o título «Recitar a devoção»
foram apresentados manuscritos litúrgicos (destaque para
uma excelente Mostra - «Exultet» - em Montecassino,
de rolos ricamente decorados, com o precónio pascal). Depois
do actual ciclo sobre «Letras e fé», em 1998
as Mostras terão como tema «Os santos e os papas»,
tudo culminando no ano 2000 com a apresentação dos
mais antigos manuscritos e Códices dos Evangelhos e dos
Ofícios litúrgicos de Nossa Senhora («Cristo
e Maria» será o tema).
Diálogo fé-cultura
Os próprios espaços escolhidos para estas Exposições merecem já de per si a visita. Não só pelo valor artístico dos edifícios e decorações, mas também pelo peso histórico, cultural e religioso que os torna símbolos daquele diálogo fé-cultura que constitui uma das mais importantes raízes da Europa.
A começar pela Abadia de Montecassino, fundada no séc. VI por S. bento. Conserva uma das mais antigas bibliotecas monásticas da Europa. Arrasado pelas bombas americanas durante a II Grande Guerra, o mosteiro foi integralmente reconstruído tornando-se num símbolo de paz e cultura numa Europa que tenta ressurgir das ruínas da guerra e das suas sequelas. O espólio da biblioteca salvou-se graças à previdência dos monges beneditinos que asseguraram, em tempo oportuno, um refúgio para esses tesouros em lugar mais seguro, nomeadamente na Biblioteca do Vaticano, que os restituiu depois à Abadia reedificada.
Também a Biblioteca Apostólica Vaticana constitui, sem dúvida, um lugar alto da cultura mundial, com os seus mais de 150 mil códices manuscritos, 100 mil gravuras, oito mil incunábulos e 800 mil volumes impressos. Foi fundada no séc. XV para abrigar colecções de preciosos códices antigos da Sagrada Escritura, e de autores clássicos e eclesiásticos. Foi Sisto V, nos finais do séc.XVI, a mandar construir o actual edifício da Biblioteca, com o esplêndido Salão Sistino, completamente decorado pelos maiores artistas do tempo com pinturas a fresco. É aí que têm lugar as Exposições temporárias de Códices e gravuras.
A Biblioteca Florentina dos medici, por sua vez, está instalada num edifício projectado por Miguel Ângelo (que desenhou até mesmo os bancos e as estantes para a consulta dos incunábulos). Possui uns 14 mil manuscritos (muitos dos quais preciosíssimos) e uma famosa colecção de mais de dois mil papiros greco-egípcios.
Como local de apresentação das Mostras dos próximos anos serão também utilizadas outras importantes bibliotecas de Veneza, Nápoles e Roma. Atracções válidas para os milhões de turistas que todos os anos tomam a Itália como meta das suas visitas, em número sempre crescente neste final de milénio.
| Pacheco Gonçalves |
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O documento historia os passos que conduziram Moçambique da guerra à paz, considerados até como um exemplo para outros povos: a união de todas as forças sociais, civis, militares e religiosas, e o compromisso assumido de se darem as mãos no projecto de um Moçambique livre e independente. Realizaram-se eleições dignas, pela primeira vez, em Outubro de 1994, em que se elegeram os órgãos de governo de uma nação democrática: Presidente da República e Parlamento.
No entanto, nos últimos tempos, «exaltam-se os regionalismos e as rivalidades étnicas; reaparecem grupos armados com fins duvidosos; há esconderijos de armas de ambos os lados, além de outras nas mãos de indivíduos que nada têm a ver com a defesa do bem público; sucedem-se os assaltos à mão armada e os roubos de bens de valor; generaliza-se o desvio dos bens públicos, e ao que parece, tudo encorajado pela indiferença de quem tem o dever de assegurar a tranquilidade, a ordem pública, e defender o Bem Comum. O homem moçambicano, o «homem como único sujeito da sociedade e da comunidade política, da economia e da cultura, encontra-se seriamente ameaçado».
O documento exorta, em seguida, a sociedade, os políticos e o povo em geral, a uma séria reconciliação e à vivência democrática plena. Em particular, dirige-se à Assembleia da República, exigindo dela leis «que respondam efectivamente às necessidades e aspirações do povo», e ao Executivo, «em que o poder não seja assumido como prémio nem como domínio de uns sobre os outros, mas como um serviço ao Bem Comum», exigindo mais eficácia na resolução dos graves problemas da sociedade moçambicana actual. Mais em concreto, os bispos moçambicanos apontam o dedo para os problemas de alguns sectores nevrálgicos, dentro do mesmo ideal de justiça e de serviço do bem comum: a Educação escolar, a Saúde e o Meio Ambiente, a Economia e a Lei da Terra. O Episcopado tece considerações pormenorizadas, criticando o que julga de negativo em cada um dos sectores, mas dando corajosamente as sugestões que considera adequadas, orientando o seu pensamento pelo actual ensinamento social da Igreja.
| Início |
A ideia dos anos 70, de que o deflagrar de um conflito só poderia ser uma guerra atómica, total e definitiva, e por isso, ninguém o efectuaria, verificou-se não ser realista. De facto, continuamos a assistir a conflitos reais, que, não utilizando armas atómicas, são fonte de uma quantidade incrível de crueldades, mortes, sofrimento da sociedade civil e de milhares de deslocados e refugiados.
Esta dura realidade tem duas faces: a primeira, e mais importante, é a verificação de que os bombardeamentos e os ataques continuam a existir em muitos lugares, até na Europa; e a segunda é que esta incrível situação é possível porque se continuam a armar os exércitos e a desenvolver até à loucura a investigação, a produção e o comércio de armas. A opção pela paz não fez parar a lógica da guerra.
Com a desculpa de se preparar a defesa, foi crescendo uma feroz indústria armamentista. No mercado de armas, os consumidores são os países pobres e os beneficiários são os países industrializados. Para cúmulo, os dados das investigações, da produção e do mercado são mantidos em segredo militar, a que não têm acesso os parlamentos democráticos.
Perante esta gravíssima questão, o ideal cristão é vivido em duas vertentes: o grito profético da não-violência, apontando para a solidariedade e para o amor; e a convivência forçada com os violentos, na vida concreta.
É um sério desafio para a Igreja saber
assinalar em que condições é que os seus
membros se podem dedicar ao serviço das armas e quando
devem praticar a insubmissão, como opção
pela paz.
| João Caniço |
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