Mundo:

NOTÍCIAS DA IGREJA


HONG-KONG

Por ocasião da passagem de Hong-Kong para a soberania chinesa, o Papa enviou uma carta ao cardeal Cheng-Chung, bispo de Hong-Kong, animando os católicos a não diminuírem o esforço de evangelização neste "momento importante e significativo para a comunidade diocesana que deve viver-se com espírito de fé, uma atitude de oração e de confiança na Divina Providência".

Como se sabe, uma Lei Básica garante a liberdade de culto nesta região administrativa especial onde vivem 255 mil católicos.

A comunidade católica de Hong-Kong poderá continuar a manter as suas relações com Roma e não estará submetida à autoridade de um ministro de Assuntos religiosos como acontece no resto da China. O estatuto da diocese, de Hong-Kong permanece e não dependerá de nenhuma conferência episcopal.


ANGOLA

Desde 8 de Julho que a Santa Sé e a República de Angola estabeleceram relações diplomáticas plenas entre ambos os Estados. O acordo consegui-se depois da formação em Angola, no dia 11 de Abril, do governo de unidade e reconciliação nacional.

Angola tem uma superfície de 1.246.000 Km2 e uma população de cerca de 13 milhões de habitantes. Aí vivem, na actualidade, mais de 6 milhões de católicos, repartidos por 15 dioceses.

A Igreja Católica, segundo o cardeal Nascimento, arcebispo de Luanda goza de bastante prestígio entre as principais instituições do país.


MÉXICO

A diocese de Guadalajara, com 1064 seminaristas, conta com o seminário mais numeroso do mundo, ainda maior que o de Milão, tradicionalmente o mais concorrido.

Os seminários do México têm, em geral, uma boa quantidade de estudantes: por exemplo, no de Monterrey-Nuevo León há 541 seminaristas e em San Juan de Los Lagos, 367. Actualmente há 73 seminários diocesanos no México com um total de 9.671 alunos.


BRASIL

Foi dado a conhecer o programa do 2.º encontro do Papa com as famílias, nos dias 4 e 5 de Outubro no Rio de Janeiro. O encontro terá dois momentos: no primeiro, de testemunho e festa, onde famílias dos diversos continentes apresentarão experiências, de vida cristã e expressões artísticas. Na tarde de 4 de Outubro, no estádio do Maracaná, a segunda parte, momento central do encontro, será a Eucaristia presidida pelo Papa na manhã de domingo, dia 5, no estádio do Flamengo.

Durante estes dias realizar-se-á um congresso internacional, teológico co-pastoral no Palácio de Congressos do Rio, onde 1800 congressistas, entre peritos em distintas áreas e bispos, estudarão questões relativas à família.


INGLATERRA

A associação médica britânica manifestou-se contra a eutanásia.

Sandy Macara, presidente da Associação, assinalou que "os médicos devem reafirmar a sua obrigação de preservar a vida do paciente e não trair a sua confiança". A doutora F. Wilson contou como um paciente que lhe tinha pedido a eutanásia, depois lhe agradeceu por não ter feito - seu pedido.

O sínodo da Igreja anglicana reunido em York aprovou em 16 de Julho uma proposta apresentada por David Gerrad, arquidiácono de Londres, que abre a porta à ordenação de clérigos homossexuais nesta confissão.

Embora o assunto deva ainda ser debatido em sínodos próximos, a moção tem a sua origem na própria actuação da hieraquia anglicana: dezanove bispos anglicanos ordenaram já homens assumidamente homossexuais.


CHINA

O Grupo Europeu do Jesuit China Service reunido há dias, nos arredores de Lisboa, salientou que é preciso promover a informação e a divulgação do que acontece no Oriente, dando particular atenção a questões como o diálogo cultural, o ensino, a assistência social, a promoção da justiça e do diálogo. Um outro aspecto de muito interesse é o da promoção da reconciliação da Igreja, a cooperação no ensino superior, o esforço pela justiça e pelos direitos humanos, o trabalho com os pobres e a formação de líderes cristãos. A evangelização é a prioridade, pois, dos mil e duzentos milhões de habitantes, são menos de 10 por cento que se confessam cristãos. A integração de Hong-Kong e a de Macau vem alterar um pouco esta situação.


RUANDA

O Governo decidiu ocupar uma igreja da diocese de Kigali para nela instalar um museu comemorativo do genocídio feito pelos hutus em 1994/95. No ano passado as pretensões chegavam até à dezena de igrejas, mas o protesto dos bispos, dizendo que se tratava de uma violação do direito internacional sobre a liberdade religiosa e do direito internacional da Igreja, fez diminuir uma tal exigência. E salientaram: «A Igreja deve permanecer como um lugar de oração e de recolhimento da comunidade que abranja todas as etnias». De facto, ainda no ano passado, foi denunciado pela ONU que a Frente Patriótica Ruandesa massacrou 2500 pessoas nos meses de Maio a Junho e alguns mais nos meses seguintes. Em Julho foram assassinadas 45 pessoas da Legião de Maria, algumas das quais crianças, que estavam a rezar e cantar.


ROMÉNIA

A Igreja Ortodoxa romena vai ordenar em breve um surdo-mudo, o que ali acontece pela primeira vez. Ele celebrará a Eucaristia recorrendo à linguagem gestual. Constantin Toma foi já ordenado de Diácono pelo bispo Calinic d'Arges, numa celebração que decorreu no mosteiro de Robaia, tre

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...E DAS NAÇÕES


SARA - O mediador da ONU para o conflito entre o Sara Ocidental e Marrocos, James Baker, anunciou a obtenção de um acordo entre Marrocos e a Frente Polisário incidindo sobre um «código de conduta», facto que abre novamente caminho à realização de um referendo sobre a autodeterminação do território.

Segundo Baker, as duas partes entenderam-se sobre a «maioria dos aspectos necessários para que as Nações Unidas possam avançar com o processo de referendo que ficou bloqueado em 1995».

O representante da Frente Polisário manifestou-se também optimista, afirmando que se não surgirem mais dificuldades na aplicação do plano, em finais de 1998 «haverá um novo estado independente.»


MINAS - Os participantes da Conferência de Oslo aprovaram formalmente o texto de um futuro tratado de interdição do uso de minas antipessoal. Porém, os Estados Unidos da América abandonaram a Conferência, «com pesar» - segundo o seu representante, devido ao facto de o texto final não conter as emendas que haviam sugerido.

Segundo estimativas credíveis, entre 100 a 300 milhões de minas antipessoal estão colocadas em cerca de 60 países de todo o mundo, podendo matar ou ferir pessoas várias décadas depois de terminado o conflito em que foram utilizadas.


EGIPTO - Dez pessoas morreram, entre as quais seis turistas alemães, e 17 ficaram feridas, num atentado contra um autocarro que ocorreu no passado dia 18, frente ao Museu do Cairo.

Um grupo de homens armados disparou vários tiros e lançou «cocktails Molotov» contra o autocarro, na Praça Tahrir (Libertação), junto ao Museu do Cairo, na capital egípcia, tendo a polícia identificado, pouco depois, dois dos quatro autores do atentado.


CHINA - O presidente chinês, Jiang Zemin, que foi, por vezes, considerado um líder transitório, emergiu do XV Congresso do Partido Comunista chinês como o novo «timoneiro» do país.

Quem deixou os lugares cimeiros do aparelho de Estado foi Qiao Shi, até agora presidente da Assembleia Nacional Popular.

Jiang Zemin, sucessor de Deng Xiaoping na liderança da China comunista, foi-se impondo na cena política chinesa e ocupa hoje muitos dos mais elevados cargos políticos do país. Descrito na sua biografia oficial como um «homem modesto e delicado», Zemin beneficia politicamente do enorme crescimento económico que se vindo a registar na China e que atinge um valor anual médio de 12 por cento.


ISRAEL - Israel está pronto a negociar com a Síria a sua retirada dos Montes Golã, conquistados em Junho de 1967, e já terá enviado uma carta nesse sentido às autoridades de Damasco, através da mediação dos Estados Unidos da América, segundo notícia publicada por um diário istraelita.

Todavia, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse apenas à Rádio de Jerusalém que o seu país está pronto «para ouvir tudo o que eles (sírios) têm para nos dizer.»

Por sua vez, a Síria afirma que tinha chegado a um acordo tácito com o falecido primeiro-ministro israelita Yitzhak Rabin para a retirada daquela região em troca de uma «paz total» com os sírios.

As negociações entre os dois países estão suspensas desde Fevereiro de 1996, na sequência de uma vaga de atentados anti-judaicos, dois meses depois do asssinato de Rabin.


RÚSSIA - Segundo declarações do ex-secretário do Conselho de Segurança russo, general Alexander Lebed, várias bombas nucleares portáteis existentes nos serviços secretos da Rússia despareceram, não se sabendo do seu actual paradeiro.

O cepticismo face à notícia e à própria existência de tais bombas foi seriamente abalado por posteriores declarações de um cientista, Alexei Yablokov, que confirmou a existência desse tipo de bombas. Tratar-se-á de engenhos explosivos que pesam entre 30 a 40 quilos, cuja produção remonta aos anos 70, em resposta a idêntico tipo de bombas fabricadas nessa década pelos EUA.


POLÓNIA - O partido sucessor do Movimento Solidariedade, agora designado Acção Eleitoral de Solidariedade, que guindou Lech Walesa à presidência da Polónia, ganhou as eleições do passado domingo, derrotando a coligação dos ex-comunistas da Aliança de Esquerda Democrática (SLD) e o Partido Camponês (PSL). O partido apoiado por Lech Walesa garantiu mais de 32 por cento dos votos.
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Europa envelhece cada vez mais

A União Europeia tem cada vez menos jovens. A idade média dos europeus em 1960 era de 32 anos, em 1995 passou para 36 anos e em 2025 será de 45 anos.

Segundo um relatório recente da Comissão Europeia denominado" A Europa Social", a percentagem de pessoas maiores de 60 anos será igual à de menores de 20 no ano de 2025 e, a partir daí, não deixará de aumentar.

O grupo de adultos em idade de trabalhar irá diminuindo e, em menos de 30 anos, decrescerá em 13 milhões de pessoas. simultaneamente crescerá em mais de 37 milhões o número de adultos na idade da reforma. Assim, a descida da fecundidade que arrancou na Europa na década de 60 gerou uma pirâmide da idade com base cada vez mais estreita.

Na União europeia podem distinguir-se quatro tipos de comportamentos demográficos:

os países do Norte (Dinamarca, Finlândia e Suécia) que experimentam desde os finais de 1980 um aumento da fecundidade e cujos níveis actuais são os mais altos da União (entre 1,7 e 2,1);

os países do Centro (Bélgica, França, Luxemburgo, Países Baixos e Reino Unido) cuja fecundidade desde 1975 se encontra abaixo do tecto 2,1 que assegura o equilíbrio de gerações;

Alemanha e Áustria que sofreu taxas de baixa fecundidade muito antes que o grupo anterior;

os países do Sul e Irlanda onde a descida da população se produziu mais tarde, mas de uma forma mais violenta e que ainda não estabilizou. Neste grupo espera-se para o ano 2025 uma enorme desproporção entre maiores e menores de 45 anos.


Desafios do novo Milénio

Evangelização, unidade dos cristãos e acção social são os três desafios que a Igreja deverá enfrentar no próximo milénio. Esta perspectiva do Cardeal Joseph Ratzinger foi apresentada aos jornalistas que interpelaram o responsável pela Doutrina da Fé da Igreja Católica sobre novas posturas da Igreja. «Primeiramente, a Igreja deve oferecer um testemunho compreensível e profundo de Cristo. A tarefa específica da Igreja é anunciar Cristo, isto é, o que costumamos chamar com o nome de evangelização». Ratzinger continuou afirmando que um outro desafio é a unidade dos cristãos: «A divisão das Igrejas levanta dúvidas sobre o autêntico testemunho dos cristãos», quer dizer que se requer a unidade para que a mensagem evangélica seja aceite. E acrescentou: «O terceiro desafio consiste no problema da acção social e da fraternidade. Desde o início do cristianismo a caridade foi uma prioridade, com maior razão agora que assistimos a tantos sofrimentos dos nossos irmãos».


A liberdade em Timor

O bispo de Díli, D. Carlos Belo, declarou, há dias, em Bruxelas, que «nada mudou» em Timor-Leste, após a atribuição do último Prémio Nobel da Paz e que as violações dos Direitos Humanos continuam a verificar-se. «Internamente, nada mudou», afirmou o Bispo depois de interpelado sobre a situação no território após a atribuição do Nobel da Paz. E lamentou que não tenha ainda sido encontrada uma solução para o problema «que se mantém e é muito complexo». O Administrador Apostólico em Díli, falando no encontro com jornalistas reconheceu que age com prudência e que o governo e as autoridades indonésias «não querem que seja demasiado político, mas quando tocam na dignidade da pessoa humana, na liberdade e na justiça, temos que falar». Instado sobre se as autoridades indonésias lhe permitiam desempenhar com liberdades as suas funções no território, o prelado afirmou: «Sou livre na medida em que posso andar e girar, com toda a liberdade, pelas paróquias e aldeias, posso visitar as comunidades, administrar o sacramento do Crisma e fazer reuniões (...). mas as autoridades indonésias pressionam-me para eu me cingir às minhas atribuições de bispo e para não ser demasiado político», precisou o administrador apostólico de Díli.

D. Carlos Belo esteve em Bruxelas onde manteve contactos com o ministro dos Negócios Estrangeiros belga e com dirigentes políticos da União Europeia e da Bélgica. O bispo de Díli esteve também reunido com o cardeal Daneels e alguns responsáveis da Igreja Católica belga.
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