Mons. Amaral nasceu na ilha do Faial, Açores, em 1912. Ia completar 85 anos três dias depois da sua morte. Em 1925, por influência do então bispo de Macau, D. José da Costa Nunes, foi para aquela cidade, onde se ordenou de presbítero em 1935. Em 1937 foi nomeado Vigário Forâneo em Chong-Sang e foi convidado para membro da «Associação de Socorros» do governo que o distinguiu com a medalha de prata dos «Serviços de Assistência da China».
A China foi depois invadida pelo Japão e a vida deste missionário tornou-se mais difícil. Em 1943 foi sequestrado e preso pelos comunistas, que o acusavam de espião. Algemado e metido numa mina, aí permaneceu 20 dias, sendo continuamente interrogado, com uma arma apontada à cabeça. Por fim foi condenado à morte por fuzilamento.
Meia hora antes de ser executada a sentença, foi descoberto pela guerrilha nacionalista que o libertou e obrigou o grupo comunista, que o prendera, a levá-lo novamente à Missão. Abalaram na sua saúde, mas não desistiu de lutar pelo bem do povo e a sua acção humanitária mereceu-lhe a «Cruz Vermelha de Dedicação» concedida em 1944, tornando-se membro honorário da Cruz Vermelha Portuguesa. Em 1951, o Bispo da Beira (Moçambique), D. Sebastião Soares Resende, pediu-lhe ajuda para a evangelização de uma colónia de dois mil chineses da sua diocese. Mons. Amaral foi para a Beira tendo visitado a América do Norte, a pedir fundos para as obras diocesanas.
Volvidos 10 anos, e reconhecendo o trabalho apostólico realizado, o Papa João XXIII elevou-o à dignidade de «Prelado Doméstico», isto é, à dignidade de «Monsenhor». O cansaço não permitiu que continuasse em climas tropicais e que veio residir em Oliveira de Azeméis, onde ajudava o pároco, P. Salgueiro, tendo mesnmo assumido a paroquialidade durante meio ano, até que foi nomeado o P. Albino Fernandes. E ali continuou depois como capelão do Hospital.
De uma delicadeza invulgar, Mons. Amaral cultivava as relações humanas tendo uma compreensão ímpar dos problemas sociais. Era de uma grande simplicidade, de inteligência cultivada e de horizontes largos. Como cidadão e como missionário foi uma figura de relevo internacional que Oliveira de Azeméis não poderá esquecer.
| M.P. |
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