Missas novas na área do Porto

No sábado e no Domingo, as comunidades do Santíssimo Sacramento e de S. Nicolau, Porto, e a de Corim, Águas Santas, Maia, viram-se marcadas pelo sinal festivo da Missa Nova de novos padres, respectivamente, Nuno Antunes, Joaquim Jorge e Fernando Mota, que haviam sido ordenados no domingo anterior. Os párocos, padres Soares Jorge, Agostinho Jardim e Godofredo Silva, evidenciavam uma profunda alegria e dezenas de outros padres associaram-se às celebrações. O povo soube aplaudir e participar, num claro sinal de profundo apreço pela vida de dedicação sacerdotal.

Desta vez, as Missas novas não foram em aldeias distantes mas no centro urbano do Porto. E, seja numa área considerada burguesa, no velho centro histórico ou num bairro suburbano, os modos diferentes de celebrar o início do ministério presbiteral dos novos padres significam uma mesma atitude de gratidão a quem se dispõe a servir a Igreja e de acção de graças a Deus que faz chegar o seu chamamento aos mais diversos lugares. Os tapetes de flores, os cânticos e a grande afluência de pessoas revelam que o sentimento das pessoas é bem diverso de apressadas e repetidas insinuações tão em voga. E que a entrega à Igreja na pobreza, obediência e celibato continuam a colher total assentimento por parte do povo de Deus.

No Santíssimo Sacramento, o P. Jorge salientou como é gratificante verificar que a vocação sacerdotal se foi tornando cada vez mais clara no decorrer da vida pastoral de uma comunidade e no seio de uma família. Há perto de 30 anos foi o P. Carlos Alberto e há quatro o P. Fernando Silva, mas é o mesmo Deus que chama para o serviço de Deus.

Na homilia, o novo padre, Nuno Augusto, deu graças a Deus que «olha para o homem na sua história» e se comunica através de pessoas e instituições. Em tom bem interpelador lembrou o seu lema que o cativou: «Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando a vossa mente, a fim de poderdes discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, agradável, e perfeito». E pediu que o Espírito de Deus que passou pela vida de Maria, também encha a sua de modo que também hoje surjam «as maravilhas de Deus».

Depois da Missa foi a festa de uma juventude que se revê no novo padre e nele entende a actualidade e a beleza de se consagrar ao serviço dop Evangelho.

Na centro histórico do Porto, a Missa nova decorreu na maravilhosa igreja de S. Francisco. E a exuberância do barroco condisse bem com a solenidade da celebração e com o almoço servido no Pátio central do Palácio da Bolsa. Foi bom que tivesse surgido uma ocasião destas para semear a comunhão entre tantas instituições do Centro histórico que, assim, abriram os braços à comunidade cristã local de modo que esta pudesse dar a maior nobreza a uma festa que não se realizava desde há 44 anos, quando foi ordenado o P. Álvaro Tavares.

Todas essas coisas assinalou o pároco, P. Jardim, nas suas palavras, lembrando os sonhos do P. Américo que por ali andara e que se continuam na sua obra da Casa do Gaiato. O P. Joaquim Jorge lembrou a parábola da semente e do fermento para indicar a profunda eficácia do Reino de Deus. Dizendo-se completamente livre na sua opção, acrescentou:«Fiz-me servo de todos para a todos ganhar para Cristo». E manifestou a sua gratidão a quantos tornaram possível uma tal caminhada.

A meio da tarde, uma procissão desde a casa do P. Fernando Mota até à Igreja, tornou-se redundou em vivo aplauso, bem expresso em belíssimo tapete de flores. A nova igreja, dedicada em 17 de Ouitubro de 1993, estava completamente cheia e o entusiasmo do P. Godofredo significou o que fora a preparação para a primeira Missa Nova de uma paróquia que «criou» desde 1964. Serão 16 mil habitantes e pouco mais de dez são praticantes.

O novo padre, na homilia, dita com veemência e oportunidade, falou do Reino de Deus «semeado» por Cristo através da Sua morte e ressurreição, o que deu um sentido a todas as coisas. Ele «é a pedra angular da nossa esperança», tantas vezes abalada, e «desafia-nos... a misturarmo-nos no mundo para o levedarmos». Insistiu depois na responsabilidade de abraçar esta «hora de salvação» e fazer com que Cristo cresça «no centro do mundo». E apelou a não se temer mas saber estar «na história concreta de cada homem» e mesmo a saber «morrer» nas fraquezas de cada dia, manifestando que a vitória é da «Graça» que baniu «as ameaças paralizantes» e fez anunciar, dia a dia, a salvação do Senhor.

E na cripta da igreja prossegiu a festa na abundância das pessoas e dos bens. Em Corim, como nas outras comunidades, estão criadas as condições ambientais para que surjam novas vocações. E a presença de tão grande número de jovens e adultos significa que o meio social sabe ler estes sinais de dedicação e de entrega ao bem humano e espiritual das pessoas.


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