Mais de mil padres de todo o mundo reunidos em Fátima

Novo milénio, padres novos

Mais de mil padres de todo o mundo estiveram reunidos em Fátima de 17 a 21 no primeiro de cinco encontros promovidos pela Congregação para o Clero para preparar o novo milénio.

Mons. Sepe, secretário da referida Congregação, apontou logo de início alguns dos mais difíceis e perigosos desafios da sociedade actual, a que a Igreja deverá responder com uma nova evangelização. Idêntica advertência fez João Paulo II na mensagem que enviou, explicando que os cinco retiros que terão lugar até ao ano dois mil, em diversas partes do mundo, querem contribuir para impelir os sacerdotes no esforço de uma nova evangelização e no aumento das vocações sacerdotais e religiosas. Este encontro é, assim, «uma peregrinação à busca de Deus» e ao encontro «connosco mesmos». E, apontando a oração como caminho de renovação interior, o Papa ofereceu a cada um dos participantes um Terço, acrescentando que também ele muitas vezes se une à oração de Fátima. Também a vidente de 1917, a Irmã Lúcia, carmelita, enviou uma mensagem aos participantes manifestando estar «unida em oração» a quantos se encontram nesse Altar do Mundo».

Novos padres

Mons. Sepe salientaria ainda que «a crise de vocações» parece estar a ser superada e que os padres de hoje são formados num ambiente bem diferente e com um conhecimento maior dos problemas «da ciência, da moral, da sociedade e do homem contemporâneo», o que é indispensável para uma nova evangelização.

D. Augusto César, bispo de Portalegre e presidente da Comissão Episcopal do Clero, Seminários e Vocações, salientou que a crise de vocações não foi totalmente negativa mas uma forte interpelação para a Igreja, de modo que compreendesse que «era preciso uma pastoral muito mais orgânica, muito mais participativa e uma Igreja muito mais viva». E acrescentou que os padres do Terceiro Milénio têm de ter «uma formação humana mais cuidada e mais integrada, que os faça compreender a humanidade e as pessoas, sendo atentos a todos, tenham ou não as mesmas convicções».

Numa homilia na capelinha das Aparições, D. António Ribeiro salientou que «os padres são homens marcados pelo selo do Espírito» e que, apesar das infidelidades, são «portadores de um tesouro de inestimável valor», devendo ser «os principais artífices e arautos da nova evangelização» num mundo que reclama a luz do Evangelho. Referindo que o homem de hoje escuta mais as testemunhas do que os mestres, salientou que os padres e a própria Igreja deve ser reconhecida como testemunho de pobreza, desapego, liberdade e santidade, concluindo que a eficácia da evangelização está «na busca de santidade e no progresso espiritual dos sacerdotes».

O cardeal O'Connor, arcebispo de Nova Iorque, apontou a necessidade de uma formação permanente acrescentando que não há nada mais «repugnante do que a arrogância» de frases sonantes cheias de ignorância. E apelou a uma espiritualidade eucarística para vencer o desencorajamento que tanto afecta os padres nos tempos de hoje.

O cardeal Puljic, arcebispo de Sarajevo, por sua vez, lembrou que o sacerdote deve ser «simples na palavra, simples no trato com os outros, no comportamento e no vestir», irradiando bondade à sua volta e servindo, na linha das palavras de Maria: «Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a Tua palavra».


«Católica»

A presença dos cardeais Sanchez (Vaticano), Swiatek (Bielorrússia), O'Connor (Estados Unidos), Puljic (Herzegovina), Ruini (Itália), Korec (Eslováquia), para além do Cardeal português D. António Ribeiro, deu ao encontro um tom mundial, ou seja «católico».

Identidade, ministério, formação e espiritualidade sacerdotal foram áreas que estiveram em reflexão, tendo havido também visitas à Batalha, Alcobaça e Nazaré.

Estes encontros, para além de uma maior fraternidade sacerdotal entre os que vão incentivar a preparação do novo milénio, para que seja verdadeiramente «novo», querem recordar a doutrina do Vaticano II, particularmente sobre a vida dos presbíteros, e proporcionar-lhes oportunidades de renovação.

Para além disso, na linha das intenções do Papa, a entrada no novo milénio da Redenção deverá ser assinalada «não com um monumento, mas com uma acção concreta em favor dos mais desfavorecidos», como sublinhou D. António Marques, bispo de Santarém e representante dos bispos portugueses para as comemorações do Jubileu do Ano 2000. E assim, para além de oportunidades de reflexão e oração, serão publicados textos de apoio para a educação da Fé e organizados encontros de animadores que dinamizem as comunidades nesse sentido.

Depois de Fátima, os outros quatro encontros terão lugar em Yamoussoukro (Costa do Marfim) no próximo ano, Guadalupe (México) em 1998, Jerusalém em 1999 e Roma no ano 2000.


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