A igreja matriz encontrava-se completamente cheia naquela quente tarde de domingo. Além de representantes como o presidente da Câmara Municipal, Alfredo Henriques, e o presidente da Comissão de Vigilância do Castelo de Santa Maria da Feira, Eng. Ludgero Marques, e de mais de duas dezenas de concelebrantes da Terra de Santa Maria, o povo acorreu com entusiasmo e nem faltaram as crianças com flores que, no final, colocaram aos pés da Imagem.
A Bênção decorreu após a homilia. Depois da Comunhão, pela voz cadenciada de todos os presentes, fez-se a Consagração da Terra de Santa Maria a Nossa Senhora, uma área hoje dispersa por 14 concelhos das dioceses do Porto e de Aveiro e que, antes da Nacionalidade, já era reconhecida por tal invocação.
Uma publicação que nesse
dia foi distribuída lembra a Consagração
feita em 13 de Agosto de 1988 bem como o voto de se construir
um santuário dedicado a Nossa Senhora. Seguindo as orientações
do Papa João Paulo II, foi escolhido o ano 2000 como momento
«exemplar» para se cumprir tal compromisso. A referida
publicação explica também o que é
a Terra de Santa Maria e dá a conhecer o Projecto do monumento-santuário
que incluirá um Centro de Espiritualidade.
«Pedra branca»
D. Júlio, na homilia que com energia proclamou, lembra que quis estar ele mesmo nesta Bênção pois é «o único Bispo oriundo da Terra de Santa Maria que se encontra em funções» e porque este gesto assinala, neste fim de milénio, «a nossa Fé no futuro, visto à luz da Redenção de Cristo».
Esclareceu ainda que este espaço cultural e religioso «foi criado nas adversidades, embalado na coragem e firmeza, obrigado à convivência e compreensão dos outros, levado à responsabilidade e ao risco». E que se tem demarcado no País, seja pela consagração à protecção maternal de Maria feita em 13 de Agosto de 1988, seja pelos passos dados na concretização do voto feito nessa data, como a Bênção da Imagem que ocorre quando se celebra 350 anos da Proclamação da Imaculada Conceição como Padroeira de Portugal.
É assim que o «sinal grandioso de uma Mulher que vence o Mal» faz revigorar as forças para as lutas quotidianas ou para os combates decisivos. E que isto se torna ainda mais importante quando «toda a cristandade do mundo ocidental se encontra à procura de caminhos novos, para vencer os males do século que termina e, olhar erguido para Deus, orientar-se pelos sinais que Ele deixou».
D. Júlio acrescentou que «Santa Maria, Mãe do Tempo Novo, mobilizará os filhos e a Terra de Santa Maria para os grandes ideais de cooperação e de mútuo respeito» e que «inspirará a cultura de serviço aos outros e de abertura disponível, capaz de recriar a história». De facto, Maria, «da raiz da nossa humanidade», soube «viver no serviço de uma aventura humana que Deus lhe propôs e pelo sim disponível da Anunciação abriu caminho de esperança para uma nova humanidade».
Lembrou ainda que, hoje, são precisos sinais como o da «imagem clara de Santa Maria que queremos levantar no cimo da cidade de seu nome, como testemunho da nossa Fé e prova da nossa gratidão para um século novo». E que, como há dois mil anos se ergueu no Monte Calvário «o maior sinal do futuro novo da Humanidade e nasceu um novo Tempo de dignidade para o Homem e de harmonia para toda a Criação», agora será levantado noutro monte Calvário um «sinal-memória». E a Terra de Santa Maria aparecerá como «sinal interpelante de uma esperança capaz de nos lançar na construção de um mundo... mais unido e fraterno, mais maternal e manso, mais livre e criativo».
D. Júlio concluiu manifestando o gosto de ficar ligado a esta realização da Terra de Santa Maria que «fica a dizer aos novos tempos que continua fiel ao Evangelho». E enalteceu o alcance catequético deste Monumento, «pedra branca que assinala o futuro século e a fé vigorosa do tempo presente» que será mediadora de muitas graças para o presente e para o futuro.
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