Madre Teresa: Anjo dos Pobres

Madre Teresa de Calcutá, Prémio Nobel da Paz em 1979, morreu na 6ª-feira, aos 87 anos, quando preparava uma celebração em memória da Princesa de Gales que apoiara o seu trabalho e a congregação das Missionárias da Caridade fundada em 1950 e hoje a trabalhar numa centena de países do mundo inteiro. O funeral será no sábado, em Calcutá, tendo o Governo indiano declarado luto nacional.

Seriam 21,30 horas quando o coração de Madre Teresa não aguentou mais, levando-a para a eternidade em que parecia já viver. Desde então, uma multidão foi passando pelo local onde se encontrava o seu corpo, tendo ao lado a imagem de Nossa Senhora de Fátima. E muitas outras aguardaram a oportunidade de manifestarem a sua gratidão a este verdadeiro «anjo dos pobres». Por esse motivo, os restos mortais foram depois levados para a igreja de S. Tomé, onde o povo e gente de todo o mundo foi beijar os seus pés descalços.

João Paulo II visitou-a em Fevereiro de 1986 e em Abril de 1993 ela acompanhou-o na deslocação à Albânia. Em Maio último veio a Roma com a Irmã Nirmala, sua sucessora, e ali voltou em 29 de Julho.

João Paulo II, e personalidades que vão de Mário Soares e António Guterres, a Clinton, H. Kohl, Kofi Annan, Frederico Mayor e F. Sejerstad, do Comité Nobel, bem como muitos presidentes e ex-presidentes de todo o mundo, católicos ou não, exprimiram o seu grande apreço por uma mulher de aspecto frágil mas que se tornou um verdadeiro «anjo da Paz». Nascida em 27 de Agosto de 1910 em Skopje, capital da antiga república jugoslava da Macedónia, Agnes Goinxha Bojaxhiu, quando tinha 18 anos tornou-se missionáriana Congregação de Nossa Senhora do Loreto, irlandesa, tendo ido para a Índia fazer o noviciado. E ali passou a ser a sua terra de eleição.

Em 10 de Setembro de 1946 decidiu dedicar-se, de alma e coração, aos mais pobres dos pobres, tendo sido autorizada pelas suas superioras e pelo Bispo de Calcutá para abandonar o convento, onde se encontrava desde 1928. Passa então a socorrer os moribundos e a ensinar, ao ar livre, as crianças. Em 7 de Outubro de 1950 conseguiu autorização para instituir a Ordem das Missionárias da Caridade, hoje com milhares de religiosos e religiosas e presente em perto de uma centena de países, entre os quais Portugal. Em Calcutá, depressa passou a socorrer mais de trinta mil desalojados, continuando as suas religiosas a tratar de moribundos, doentes incuráveis, gente abandonada e crianças doentes e famintas. Um dia, um jovem tuberculoso que ela acompanhava disse a alguns que se despediam dele: «Nunca vi a Deus, nem tenho necessidade de O ver. Esta velhinha é Deus vivo».

Em 1971 recebeu o I Prémio da Paz João XXXIII, em 1975 a FAO atribuiu-lhe a medalha «Ceres» e, em 1976, Indira Ghandi, chefe do Governo indiano, conferiu-lhe o grau de Doutor Honoris Causa, para além de outras distinções internacionais. Ronald Reagan, presidente dos Estados Unidos, conferiu-lhe a Medalha Presidencial da Liberdade, a maior distinção do país, qualificando-a de «heroína dos nossos tempos». Quando lhe foi entregue em Oslo o Prémio Nobel de 1979, Madre Teresa não quis o banquete organizado em sua honra, mas pediu que esse dinheiro fosse enviado para os mais pobres de Calcutá.

Nas últimas décadas, Madre Teresa foi visitada e recebida por personalidades de todo o mundo. Também a Princesa Diana esteve em Calcutá, e disso guardou viva memória.

Madre Teresa esteve em Portugal em Setembro de 1986. Foi a Fátima, a pedido do Papa, e pediu às pessoas que se desprendam dos bens «até doer». Falando da sua vida, explicou que se dedicava a cuidar «do lixo da humanidade», procurando dar uma morte digna a quem vivera como animal. E, a propósito da sua congregação, salientou o valor da oração, acrescentando que é contemplativa «porque contempla Jesus presente nos pobres». E acrescentou: «Tocamos realmente a Cristo nos pobres: Pelos pobres, é a Cristo faminto a quem alimentamos, é a Cristo nu a quem vestimos, é a Cristo sem lar a quem damos asilo».

A um jornalista inglês, explicou os males dos países ditos desenvolvidos, ao dizer que andara pelas ruas da sua terra e encontrara «uma pobreza maior do que na Índia, a pobreza de alma, a falta de amor». Uma outra frase que ficou conhecida foi um vivo apelo à generosidade: «Aceitemos Cristo na nossa vida: como Verdade para ser dita, como Vida para ser vivida, como Luz para ser espalhada, como Amor para ser amado, como Caminho para ser seguido, como Alegria para ser dada, como Paz para ser difundida, como Sacrifício para ser oferecido».


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