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Uma delas, a Princesa Diana, desaparecida tragicamente, num estúpido acidente de automóvel, representa(va) a face ideal de muita gente: rica, bela, requestada pela comunicação social, rodeada de gente bonita, bem vestida, residindo em palácios, ora feliz, logo desapontada, sempre pretexto para notícia.
Outra, Madre Teresa de Calcutá, chegada ao fim de uma longa vida ao serviço dos pobres e dos rejeitados pela sociedade, também tinha lugar de relevo na comunicação social, fosse pelo Nobel que recebeu, fosse pelas desassombradas posições a favor da vida, ora porque denunciava a fome que grassa no mundo, logo porque no seu imenso amor de "mãe" queria ter consigo todas as crianças pobres, doentes e rejeitadas do mundo.
Duas mulheres com percursos diferentes, ambas unidas nestes últimos tempos pela cruzada a favor dos pobres, das crianças, das vítimas da guerra.
Duas mulheres em cujas vidas o sentir maternal foi determinante: Teresa, mãe de todos os abandonados, pobres, doentes e excluidos; Diana, a mãe de dois jovens que quis educar na responsabilidade e de frente para realidade, levando-os a sair da atmosfera, quiçá bafienta, dos palácios para a verdade da vida.
Duas mulheres que marcaram os anos noventa. Duas mulheres de garra, que amavam a vida, incapazes de se deixarem vergar pelo sofrimento ou pela adversidade. Duas mulheres unidas pelo mesmo amor à Humanidade carenciada.
Amor é, de facto, a palavra-acção que marcou as duas vidas. Mas enquanto Diana correu longamente atrás do amor humano (procurando uma realização total nessa linha), fazendo das feridas que este lhe causou a força para atingir o amor à Humanidade sofredora, Teresa buscou sempre na Humanidade esquecida pelos homens o Amor acima do humano, vendo, através dos pobres e dos doentes, o Invisível.
Se Diana soube tornear positivamente as negaças que o amor lhe fez ao longo de uma vida breve e algo conturbada, partindo para entrega de si mesma e das suas enormes potencialidades pessoais e institucionais para lutar pela nobre causa dos mais desprotegidos da sociedade, Teresa de Calcutá tomou desde sempre a opção radical de viver em amor com os pobres no próprio território destes: o submundo dos moribundos nas ruas da Índia.
Como a personagem do sacerdote católico japonês que, em "Rio Profundo", Shusaku Endo conduz na busca da verdadeira face de Deus invisível nos corpos moribundos que, num despojamento pessoal total, transporta para o Ganges, também Teresa e, de forma menos expressiva, Diana conseguiram encontrar, por caminhos diferentes mas algo compatíveis, a corrente profunda do amor aos irmãos, o único caminho para a santidade.
Uma e outra merecem o nosso respeito e admiração; ambas, cada uma à sua maneira, conseguiram, pela prática da bondade, atingir um determinado grau de santidade; mas a verdadeira destrinça entre as duas mulheres está vincada numa célebre fotografia lançada ao mundo pela Reuter em que, de visita à Irmã Teresa, Diana, elegantemente vestida, se inclina perante a figura mirrada, despojada, frágil e envelhecida da "mãe" dos moribundos.
| B. Chamusca |
| Início |
É que um homem daqueles, mesmo depois duma vida longa, não morre.
Nasceu em 22 de Setembro de 1912 em Santa Marinha de Gaia, em Coimbrões, pelo que vai festejar dentro de dias, no Céu, o seu 85.º aniversário.
Foi ordenado de presbítero em 4 de Agosto de 1940 e a 3 de Outubro do mesmo ano é nomeado coadjutor na paróquia de Nossa Senhora da Conceição.
Em 1942 prefeito do Seminário da Sé. Em 8 de Abril de 1944 pároco em Paraíso. Em 15 de Janeiro de 1947 Capelão do Hospital do Terço.
Foi Director dos «Cruzados de Fátima» e, durante nove anos, Assistente Diocesano da Acão Católica Rural, onde se revelou como educador, sobretudo de jovens.
Depois foi a partida para a Diocese de Quelimane, Moçambique, acompanhando D. Francisco Nunes Teixeira, como secretário da Diocese e professor num colégio de religiosas. Uns anos, perdi-o de vista. Após cinco anos em Quelimane, a saúde abalada trá-lo de novo ao Porto onde é Director da Tutoria, com total dedicação e eficiência.
Voltei a encontrá-lo na Igreja da Trindade onde até há pouco foi excelente confessor e óptimo conselheiro. Muitos lhe devemos muito e, por mim, julgo que ainda por muito tempo precisaria do Padre Romero para aprender dele a lição da Simplicidade, que nele era verdadeira.
Para mim era motivo de admiração o facto de simultâneamente ter as virtudes da firmeza e da simplicidade, não em paralelismo mas sim em concorrência, planificando um Homem Integral. Documentou-o nas suas actividades desenvolvidas como mesário e Vice-provedor das Misericórdias do Porto e de Gaia.
Nos «Amigos de Gaia» e nos «Amigos do Porto» e nos artigos que nos maravilhavam desenvolveu em muitos o gosto pelo estudo destas cidades irmãs. Talvez porque nascido e criado numa família numerosa - seus pais Vicente Romero Vila e Rita de Jesus deram-lhe 14 irmãos - sempre prezou o associativismo. Gostava de conviver e colaborar activamente. Pertenceu ao Quadro Auxiliar dos Bombeiros Voluntários de Coimbrões, como assistente espiritual, o que lhe conferia equiparação a Ajudante de Comando, e foi ainda vice-presidente da Assembleia Geral da mesma Associação Humanitária de 1964 a 1970, e desde 1971 seu presidente.
Tinha ainda ocasião para colaborar, assiduamente, na Igreja de Coimbrões com o saudoso Cónego Dr. Narciso Rodrigues.
Apaixonavam-no a arte e os artistas da sua terra. Deixa, publicados, trabalhos sobre costumes, artesanato e história. Escreveu sobre Augusto Santo, Gonçalves da Silva, autor das carrancas do Teatro de S. João e dos anjos do tecto da Ourivesaria Reis. Fez a análise de Sousa Caldas como professor e artista. Biografou Alves de Sousa e escreveu também sobre a Olaria em Gaia e sobre o escultor Teixeira Lopes, bem como sobre Coimbrões e a sua Igreja e a Fábrica do Costa das Devezas.
Creio que não chegou a escrever, mas ainda há poucos meses, em conversa comigo, enaltecia Guilherme Camarinha.
Tinha em mãos, julgo que concluído, um trabalho sobre «Santa Catarina das Flores» antigo nome da Rua das Flores que acho valeria a pena publicar.
Foi este Sacerdote multímodo na aplicação dos talentos que Deus lhe confiou, que hoje, 30 de Agosto, levamos a sepultar no jazigo familiar em Coimbrões. Até na morte teve a graça de ser simples. Atravessou a «fronteira» de tal modo, que mais do que morte pareceria «dormição». Mudado há não muito tempo da sua casa de Coimbrões, voltou agora a mudar. Foi habitar uma das muitas moradas da Casa do Pai, lá onde não há tempo nem espaço.
Espero que um dia me seja concedido habitar junto da sua morada, agora que ele já me vê tal qual sou, mas sem pena, pois vive no seio da Eterna Alegria. Padre Romero, quando eu chegar ao Mundo onde não há idades, vou ter o gosto de te tratar por tu, numa irmanação que não terá fim. Até lá, que Deus te conserve sempre na minha mente e no meu coração, para alcançar de novo a alegria inefável de voltar a ver-te.
| Ilissínio Duarte |
| Início |
Foste infeliz e poucos terão compreendido a tua amargura. Deram-te uma infância semelhante à de tantas outras crianças que experimentam a condição de filhos de pais separados, quando tinhas direito a uma família estável e tranquila. Infeliz continuaste no projecto de família que bem cedo abraçaste, mas depressa te sentiste trocada e, tantas vezes, completamente só.
Entretanto, pela beleza que em ti era natural, pela capacidade de sorrir para uma criança doente, um velho, um pobre ou mesmo um moribundo, empurraram-te para a galeria dos notáveis. E sentiste o maior apoio no carinho dos filhos e de tantos corações de todo o mundo, até das pessoas mais célebres e mesmo santas. Creio que agora estarás feliz, junto de Deus, a fonte do Amor que em ti, aos soluços, floresceu.
Os jornais e revistas criaram-te uma auréola de fada e utilizaram-te, sem escrúpulos. Num desejo de dominar-te mais e mais, perseguiram-te até à morte e, mesmo esmagada dentro de um carro desfeito contra o pilar de um túnel, ousaram aproveitar-se do que de ti restava.
Foste vítima de insensíveis fazedores de opinião, da velocidade, da pressa de fugir e do álcool ao volante de potente automóvel. Mas há muitos outros culpados de que pouco se fala. E, entre esses, infelizmente também eu estou. Quem te matou foi esse mundo de bisbilhotice, de sôfrega avidez de eventuais deslizes, de viciados compradores de revistas sensacionalistas escolhidas pela ousadia da fotografia da capa.
Princesa do povo que sempre serás, peço-te perdão, se é que o mereço. Que Deus te acolha e nos perdoe a essa gente que te matou..., para ver se temos emenda. Bem diferentes seriam os jornais e revistas, as rádios e televisões se os leitores, ouvintes e espectadores fossem outros. E os fotógrafos haveriam de correr atrás de outras pessoas e situações que continuam esquecidas de todos.
Humildemente, Diana, peço-te perdão.
| Natália, Porto |
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