| Liturgia: | |||
14º DOMINGO DO TEMPO COMUM
6 de Julho
Leitura da Profecia de Ezequiel
Ex 2, 2-5
Naqueles dias, o Espírito entrou em mim e
fez-me levantar. Ouvi então Alguém que me dizia:
«Filho do homem, Eu te envio aos filhos d Israel, a um povo
rebelde que se revoltou contra Mim. Eles e seus pais ofenderam-Me
até ao dia de hoje. É a esses filhos de cabeça
dura e coração obstinado que te envio, para lhes
dizeres: 'Eis o que diz o Senhor'. Podem escutar-te ou não
- porque são uma casa de rebeldes -, mas saberão
que há um profeta no meio deles».
Salmo Responsorial Salmo
222 (123), 1-2a.2bcd. 3-4 (R. 2cd)
Os nossos olhos estão postos no Senhor,
até que Se compadeça de nós.
Levanto os meus olhos para Vós,
para Vós que habitais no Céu,
como os olhos do servo
se fixam nas mãos do seu senhor.
Como os olhos da serva
se fixam nas mãos da sua senhora,
assim os nossos olhos
se voltam para o Senhor nosso Deus,
até que tenha piedade de nós.
Piedade, Senhor, tende piedade de nós,
porque estamos saturados de desprezo.
A nossa alma está saturada do sarcasmo dos
arrogantes
e do desprezo dos soberbos.
Leitura da Segunda Epístola do apóstolo
São Paulo aos Coríntios
2 Cor 12, 7-10
Irmãos: que a grandeza das revelações
não me ensoberbeça, foi-me deixado um espinho na
carne, - um anjo de Satanás que me esbofeteia - para que
não me orgulhe. Por três vezes roguei ao Senhor que
o apartasse de mim. Mas Ele disse-me: «Basta-te a minha graça,
porque é na fraqueza que se manifesta todo o meu poder».
Por isso, de boa vontade me gloriarei das minhas fraquezas, para
que habite em mim o poder de Cristo. Alegro-me nas minhas fraquezas,
nas afrontas, nas adversidades, nas perseguições
e nas angústias por amor de Cristo, porque, quando sou
fraco, então é que sou forte.
Aleluia. Aleluia.
O Espírito do Senhor está sobre mim:
Ele me enviou a anunciar o Evangelho aos pobres.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo
segundo São Marcos
Mc 6, 1-6
Naquele tempo, Jesus dirigiu-se à sua terra e os discípulos acompanharam-n'O. Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga. Os numerosos ouvintes estavam admirados e diziam: «De onde Lhe vem tudo isto? Que sabedoria é esta que Lhe foi dada e os prodigiosos milagres feitos por suas mãos? Não é Ele o carpinteiro, Filho de Maria, e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? E não estão as suas irmãs aqui entre nós?» E ficavam perplexos a seu respeito. Jesus disse-lhes: «Um profeta só é desprezado na sua terra, entre os seus parentes e em sua casa». E não podia ali fazer qualquer milagre; apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. Estava admirado com a falta de fé daquela gente. E percorria as aldeias dos arredores, ensinando.
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«A pregação sacerdotal, não raro dificílima nas circunstâncias hodiernas do mundo, se deseja mover mais convenientemente as almas dos ouvintes, não deve limitar-se a expor de modo geral e abstracto a palavra de Deus, mas sim aplicar, às circunstâncias concretas da vida, a verdade perene do Evangelho» (Conc. Vaticano II, Decr. Presbyterorum Ordinis, 4).
1ª Leitura - Ez 2, 2-5: «Saberão que há um profeta no meio deles».
Da narração da vocação do profeta Ezequiel, articulada pelas oito expressões de «Filho de Adão» (= filho do homem), a leitura de hoje refere-se à sua missão. Deus, sem ser citado, fala a partir do interior do profeta. Simples homem, procedente da terra, é capaz de pôr-se de pé pela força do Espírito. Deste modo, a missão profética se apresenta como uma nova criação.
O Israel no exílio recebe um novo nome: «povo rebelde».
A missão do profeta não depende da aceitação humana nem está condicionada pelo êxito. Resulta, exclusivamente, do mandato de Deus («saberão que há um profeta no meio deles»).
2ª Leitura - 2 Cor 12, 7-10: «Gloriar-me-ei
nas minhas fraquezas, para que habite em mim o poder de Cristo».
Paulo tem consciência dos dons que recebeu de Deus e nisso avalia os seus méritos. Para se tornar evidente o poder da graça, foi-lhe posto «um espinho na carne». A que se refere? Paulo, devido ao seu natural pudor, não especifica, nem nos foi deixada outra indicação pelas primeiras gerações cristãs. Apesar das diversas explicações, tudo leva a crer tratar-se de alguma enfermidade grave e permanente. O mais importante do texto é a interpretação de fé que Paulo faz da sua enfermidade: «para que não me orgulhe». Para o crente todo o acontecimento ou situação converte-se em interpelação para a fé. O Apóstolo encara a sua existência como participação no Mistério pascal de Cristo.
Evangelho - Mc 6, 1-6: «Um profeta só
é desprezado na sua terra».
Esta secção de Mc 6, 1 - 8, 26, de que faz parte o texto de hoje e que será lida neste e nos próximos domingos, não possui propriamente um fio condutor de unidade interna. Geograficamente, Jesus abandona os lugares habituais de pregação e, após a breve visita à sua terra (evangelho deste Domingo), vai-se mudando continuamente até às regiões fenícias distantes de Tiro e Sídon.
No duplo milagre narrado no Evangelho do XIII Domingo (que neste ano foi omitido), as personagens destacam-se pela sua fé. No texto de hoje, que se lhe segue, Jesus censura a falta de fé dos seus conterrâneos. Eles pertencem ao grupo dos que «têm olhos e não vêem, ouvidos e não ouvem» (Mc 4, 12). Não basta que sejam seus parentes ou conterrâneos, que reconheçam a sua sabedoria ou se admirem com os seus milagres. Importa um passo mais profundo para aceitar o mistério da sua Pessoa, a sua mensagem e tornar-se discípulo.
Por seu lado, Jesus, a exemplo de Ezequiel, sente-se constrangido a anunciar a Palavra, entre os seus, como os Profetas (cf. Jer 11, 18-23; 12, 6) mesmo que façam pouco caso disso.
Por isso, não pode fazer ali nenhum milagre (emenda: «curou alguns doentes»). Entre o milagre e a fé existe uma união indivisível. Isto é, o milagre suscita a fé o que, desta vez, Jesus não conseguiu.
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Os milagres davam-se entre os crentes, porque «a quem tem dar-se-á e terá em abundância» (Mt 25, 29), enquanto que, entre os incrédulos, não só os milagres não produziam efeito mas até, como escreveu Marcos, nem sequer se podiam fazer. Repara bem, no que está escrito: «não pôde fazer nenhum milagre» (Mc 6, 5); não diz: «não quis», mas sim: «não pôde», porque o milagre que está para se realizar é acompanhado por uma colaboração que vem da fé daquele para o qual o milagre se realiza, ao passo que a incredulidade o impede.
Nota, portanto, que àqueles que disseram: «Por que razão não o conseguimos expulsar?», Jesus respondeu: «foi por causa da vossa pouca fé» (Mt 17, 19-20). E a Pedro, que começava a afundar-se, foi dito: «Homem de pouca fé, por que duvidaste?» (Mt 14, 31). Pelo contrário, a hemorroíssa, que não pediu a cura, mas pensava simplesmente no seu coração que se conseguisse tocar na fímbria do seu manto ficaria curada, «nesse mesmo instante sarou» (Mt 9, 22). E o Salvador reconhece esse modo de curar quando diz: «Quem me tocou? Senti que uma força saiu de Mim» (Lc 8, 46).
| (Orígenes, Com. in Math. 10, 19) |
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Contexto:
Este Domingo apresenta-nos o epílogo da 2ª secção do Evangelho de Marcos: rejeitado pelos chefes do povo (1ª secção), Jesus voltara-se para as multidões. Mas também esta fase do seu ministério desemboca na recusa dos seus próprios conterrâneos em abrirem-se à fé no mistério da Sua Pessoa, excluindo-se do Reino: em Nazaré Jesus revive a experiência do profeta desprezado. A Liturgia da Palavra presta-se, pois, a uma catequese aprofundada sobre a fé e a descrença, centradas no acolhimento ou rejeição de Jesus e da Sua missão.
Neste como no próximo Domingo, os textos bíblicos dão realce à missão dos profetas: «porta-voz» de Deus, fiéis mensageiros das Suas palavras. É bom que os grupos litúrgicos aprofundem a sua compreensão da missão profética estudando e meditando este tema, em ambiente de oração. Em particular devem os leitores fazer a revisão do modo como desempenham o importante ministério de serem, em favor da comunidade, a voz que transmite fielmente a Palavra de Deus.
Se sempre e em todo o lado deve vigorar a regra da preparação da Liturgia de uma forma harmónica e participada por todos aqueles que desempenham algum serviço ou fazem alguma intervenção, nas igrejas dos lugares de veraneio e nos santuários de peregrinação maior ainda deve ser esse cuidado: tenha-se em conta a heterogeneidade da assembleia e a comunhão da fé que reúne tanta gente desconhecida. Que ninguém se sinta estranho ou a mais. Para tanto, não falte a monição de saudação e acolhimento; faça-se uma proposta de cânticos mais universal e a homilia seja o menos particularista possível; cuide-se a qualidade dos leitores; prevejam-se ministros da comunhão em número conveniente. Sobretudo, celebre-se bem: respeitando a identidade e o ritmo próprio de cada parte, observando as normas do Missal, sem alongar a celebração, mas também sem a abreviar à custa de tudo o que lhe pode dar cor festiva.
Leitores:
A simples deslocação para o ambão, realizada com nobreza e beleza, é já um anúncio da Palavra. Os leitores lembrar-se-ão da Profecia de Ezequiel: «O Espírito... fez-me levantar». Contudo, o leitor espera que termine a oração Colecta e não começa a leitura sem ter estabelecido o silêncio necessário à escuta. Quanto ao mais, pede-se que se tenha preparado convenientemente.
Atenção, na 2ª Leitura, à enumeração que deve ser marcada por breves cesuras.
Sugestão de cânticos:
Entrada: Bendito o que vem, M. Luís, NCT
208; Ide por todo o mundo, A. Cartageno, NCT 318; Ide
ao encontro do Senhor, M. Simões, NCT 219; Salmo
Resp.: Os nossos olhos estão, M. Luís, SR(B)
116; Aclam. ao Ev.: O Espírito do Senhor, adapt.
NCT 239; Comunhão: Vinde a Mim todos vós,
F. Santos, BML 66/67, 94; O Espírito do Senhor,
M. Luís, NCT 397.
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