Liturgia:

A MESA DA PALAVRA

11º. DOMINGO DO TEMPO COMUM
15 de Junho


Leitura da profecia de Ezequiel Ez 17, 22-24

Eis o que diz o Senhor Deus: «Do cimo do cedro frondoso, dos seus ramos mais altos, Eu próprio arrancarei um ramo novo e vou plantá-lo num monte muito alto. Na excelsa montanha de Israel o plantarei e ele lançará ramos e dará frutos e tornar-se-á um cedro majestoso. Nele farão ninho todas as aves, toda a espécie de pássaros habitará à sombra dos seus ramos. E todas as árvores do campo hão-de saber que Eu sou o Senhor; humilho a árvore elevada e elevo a árvore modesta, faço secar a árvore verde e reverdeço a árvore seca. Eu, o Senhor, digo e faço».


Salmo Responsorial Salmo 91

É bom louvar-Vos, Senhor.
É bom louvar o Senhor
e cantar salmos ao vosso nome, ó Altíssimo,
proclamar pela manhã a vossa bondade
e durante a noite a vossa fidelidade.

O justo florescerá como a palmeira,
crescerá como o cedro do Líbano;
plantado na casa do Senhor,
florescerá nos átrios do nosso Deus.

Mesmo na velhice dará o seu fruto,
cheio de seiva e de vigor,
para proclamar que o Senhor é justo;
n'ele, que é o meu refúgio, não há iniquidade.


Leitura da segunda Epístola do apóstolo São Paulo
aos Coríntios
2 Cor 5, 6-10

Irmãos: Nós estamos sempre cheios de confiança, sabendo que, enquanto habitamos neste corpo,, vivemos como exilados, longe do Senhor, pois caminhamos à luz da fé e não da visão clara. E com esta confiança, preferíamos exilar-nos do corpo, para irmos habitar junto do Senhor. Por isso nos empenhamos em se-Lhe agradáveis, quer continuemos a habitar no corpo, quer tenhamos de sair dele. Todos nós devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que receba cada qual o que tiver merecido, enquanto esteve no corpo, quer o bem, quer o mal.


Aleluia. Aleluia.

A semente é a palavra de Deus e o semeador é Cristo:
quem O encontrar permanecerá para sempre.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo
segundo São Marcos
Mc 4, 26-34

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «O reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. Dorme e levanta-se, noite e dia, enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como. A terra produz por si, primeiro a planta, depois a espiga, por fim o trigo maduro na espiga. E quando o trigo o permite, logo mete a foice, porque já chegou o tempo da colheita». Jesus dizia ainda: «A que havemos de comparar o reino de Deus? Em que parábola o havemos de apresentar? É como um grão de mostarda, que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes que há sobre a terra; mas, depois de semeado, começa a crescer e torna-se a maior de todas as plantas da horta, estendendo de tal forma os seus ramos que as aves do céu podem abrigar-se à sua sombra». Jesus pregava-lhes a palavra de Deus com muitas parábolas como estas, conforme eram capazes de entender. E não lhes falava senão em parábolas; mas, em particular, tudo explicava aos seus discípulos.

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UMA LEITURA DOS TEXTOS BÍBLICOS

Cristo, Semente da vida
lançada à terra pelo Pai

«A Igreja, ou seja, o Reino de Cristo já presente em mistério, cresce visivelmente no mundo pelo poder de Deus» (CONC. VATICANO II, Const. Dogm. Lumen Gentium, 3). «Sobre a terra, o reino já está misteriosamente presente; quando o Senhor vier, atingirá a perfeição» (ID., Const. Past. Gaudium et Spes, 39).

1ª Leitura ­ Ez 17, 22-24: Elevo a árvore modesta

Com as duas alegorias, da águia e do cedro, que ocupam todo o capítulo 17, Ezequiel manifesta preocupação pela sorte do seu povo, devido aos erros políticos dos seus governantes. 17, 1-10 apresenta alegoricamente a deportação para Babilónia do rei Jeconias e de parte da classe política de Judá: «A grande águia… apanhou o cimo do meu cedro… (e) trouxe-o para a terra dos mercadores…» (597 a.C.). Sedecias jura fidelidade a Nabucodonosor e é colocado como rei à frente de Judá. Quebra o juramento e faz aliança com o Egipto (a outra grande águia). Renascem as esperanças dos deportados. Ezequiel tira-lhes da cabeça falsas ilusões. De facto, os caldeus cercam pela segunda vez Jerusalém e destroem-na, com o Templo (587 a.C.). Posto isto, entramos no trecho deste domingo.

Deus, contudo, não abandonou o seu povo. A primeira leitura é a da restauração da dinastia davídica. A perspectiva profética vai, todavia, mais longe: a realização do ideal do reino de David (leitura messiânica). A nova árvore terá aspirações universalistas («todas as aves, toda a espécie de pássaros habitará à sombra dos seus ramos»). A restauração será obra de Deus e não fruto de planos, estratégias e alianças políticas, como intentou Sedecias. Deus é o Senhor da história que humilha a árvore elevada e eleva a árvore modesta (cf. Magnificat, Lc 1, 52).

2ª Leitura ­ 2 Cor 5, 6-10: Empenhamo-nos em agradar a Deus

No cumprimento da sua missão, o evangelizador experimenta uma tensão entre a realidade plena do que anuncia e procura viver e a realidade histórica, limitada e ambígua.

Os versículos 1-5 usam imagens antitéticas (tenda terrestre/morada celeste; nu/vestido), explicitando essa tensão. Prosseguindo (6-10), a leitura de hoje acrescenta exílio/pátria, fé/visão. A existência actual é comparada a uma precária tenda de campanha, a um estar nu, a viver no exílio. Em confronto com esta situação, a viver na fé, a situação escatológica (a que corresponderá a visão), é um viver em casa, estar vestido (revestido), residir na pátria.

Mas a atitude básica do cristão em nenhuma circunstância muda: «empenhamo-nos em agradar a Deus».

Evangelho ­ Mc 4, 26-34: A menor das sementes torna-se na maior de todas as plantas…

A leitura evangélica contém duas parábolas. Para anunciar os mistérios do Reino, Jesus fala em parábolas, mas aos discípulos inicia-os mais pormenorizadamente.

Esta primeira parábola é exclusiva de Marcos e está relacionada com a parábola do semeador (Mc 4, 3-9 e par.) mencionando também a semente, o crescimento e a colheita. Todavia apresenta um aspecto novo: o processo de crescimento da semente. Supõe-se aqui que a semente tenha caído em terra boa. Mas o que aqui se sublinha é a passividade do homem ante a vitalidade da semente e a produtividade da terra. Do mesmo modo, o Reino de Deus irrompe no mundo de uma forma inexorável. Cresce apesar do zelo, da preguiça ou da incredulidade dos homens. A parábola é válida para os ministros da Palavra, no sentido lembrado por Paulo: o que conta não é o que planta ou rega, mas Deus que dá o crescimento (cf. 1 Cor 3, 7).

A segunda parábola está na perspectiva da primeira (o processo de crescimento). O grão de mostarda, imagem do que é insignificante, torna-se uma planta grande: o Reino de Deus está já presente e vai crescendo por si mesmo. O original grego acrescenta que os pássaros «podem abrigar-se à sua sombra», inspirando-se em Ez 17, 22-24 (1ª leitura). A literatura judaica da época vê nisso a imagem dos povos pagãos, acrescentando uma perspectiva universalista.

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HOMILÁRIO PATRÍSTICO

A semente é Cristo

O próprio Senhor é um grão de mostarda. (...) Por fim quis também ser semeado como o grão que «foi tomado e lançado por um homem no seu jardim». Com efeito, foi num jardim que Cristo foi preso e, depois, sepultado; num jardim cresceu, onde também ressuscitou. E tornou-se uma árvore, conforme está escrito...

Portanto, também tu semeia Cristo no teu jardim ­ o jardim é um lugar cheio de flores e de frutos diversos ­ de modo que nele floresça a beleza da tua obra e perfume o odor vário das diversas virtudes. Esteja, pois, Cristo onde está o fruto. Tu, semeia o Senhor Jesus: Ele é um grão quando é preso, uma árvore quando ressuscita, árvore que projecta a sua sombra sobre o mundo inteiro. É um grão quando é sepultado na terra, mas é uma árvore quando se eleva ao céu.

S. Ambrósio,
Exp. in Lc. 7, 179.180)

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SUGESTÕES LITÚRGICAS

1. Contexto: Na celebração emerge a importância da Palavra e, correlativamente, do silêncio que a acolhe: poderá ser este o ensejo de uma oportuna catequese litúrgica sobre estes dois elementos decisivos de toda a celebração. Para as crianças que fizeram recentemente a sua iniciação à Eucaristia ­ e não só estas ­ são necessárias «catequeses mistagógicas» (isto é, a explicação dos ritos da Missa a partir da própria experiência celebrativa).

2. Leitores: 1ª Leitura ­ Não é difícil. Também na leitura, a pressa é inimiga da perfeição.

2ª Leitura ­ Só quem tiver compreendido bem o texto lhe dará a expressão conveniente e o tornará inteligível também para os ouvintes. A riqueza deste trecho está nas antíteses que devem ser ressaltadas com cesuras de separação.

3. Sugestão de cânticos: Entrada: Ouvi, Senhor, a voz da minha súplica, F. Santos, BML 101, 91; Chegue até Vós, F. Santos, NCT 213; Salmo Resp.: É bom louvar-Vos, M. Luís, SR(B), 113; Aclam. ao Ev.: A semente é a Palavra, Adapt. NCT 241; Comunhão: A semente é a Palavra de Deus, C. Silva, NCT 256; Como é admirável, Senhor, F. Santos, NCT 257; Somos todos convidados, F. Silva, NCT 276.
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