Liturgia:

A MESA DA PALAVRA

Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo
Ano B

29 de Maio de 1997


Leitura do Livro do Êxodo Ex 24, 3-8

Naqueles dias, Moisés veio comunicar ao povo todas as palavras do Senhor e todas as suas leis. O povo inteiro respondeu numa só voz: «Faremos tudo o que o Senhor ordenou». Moisés escreveu todas as palavras do Senhor. No dia seguinte, levantou-se muito cedo, construiu um altar no sopé do monte e ergueu doze pedras pelas doze tribos de Israel. Depois mandou que alguns jovens israelitas oferecessem holocaustos e imolassem novilhos, como sacrifícios pacíficos ao Senhor. Moisés recolheu metade do sangue, deitou-o em vasilhas e derramou a outra metade sobre o altar. Depois, tomou o Livro da Aliança e leu-o em voz alta ao povo, que respondeu: «Faremos quanto o Senhor disse e em tudo obedeceremos». Então, Moisés tomou o sangue e aspergiu com ele o povo, dizendo: «Este é o sangue da aliança que o Senhor firmou convosco, mediante todas estas palavras».


Salmo Responsorial Salmo 115

Tomarei o cálice da salvação
e invocarei o nome do Senhor.

Como agradecerei ao Senhor tudo quanto Ele me deu?
Elevarei o cálice da salvação, invocando o nome do Senhor.

É preciosa aos olhos do Senhor a morte dos seus fiéis.
Senhor, sou vosso servo, filho da vossa serva: quebrastes as minhas cadeias.
Oferecer-Vos-ei um sacrifício de louvor, invocando, Senhor, o vosso nome.
Cumprirei as minhas promessas ao Senhor, na presença de todo o povo.


Leitura da Epístola aos Hebreus Hebr 9, 11-15

Irmãos: Cristo veio como sumo sacerdote dos bens futuros. Atravessou o tabernáculo maior e mais perfeito, que não foi feito por mãos humanas, nem pertence a este mundo, e entrou de uma vez para sempre no Santuário. Não derramou sangue de cabritos e novilhos, mas o seu próprio Sangue, e alcançou-nos uma redenção eterna. Na verdade, se o sangue de cabritos e de toiros e a cinza de vitela, aspergidos sobre os que estão impuros, os santificam em ordem à pureza legal, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno Se ofereceu a Deus como vítima sem mancha, purificará a nossa consciência das obras mortas, para servirmos ao Deus vivo! Por isso, Ele é mediador de uma nova aliança, para que, intervindo a sua morte para remissão das transgressões cometidas durante a primeira aliança, os que são chamados recebam a herança eterna prometida.


Aleluia. Aleluia.

Eu sou o pão vivo descido do Céu, diz o Senhor.
Quem comer deste pão viverá eternamente.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos Mc 14, 12...26

No primeiro dia dos Ázimos, em que se imolava o cordeiro pascal, os discípulos perguntaram a Jesus: «Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?» Jesus enviou dois discípulos e disse-lhes: Ide à cidade. Virá ao vosso encontro um homem com uma bilha de água. Segui-o e, onde ele entrar, dizei ao dono da casa: «O mestre pergunta: Onde está a sala, em que hei-de comer a Páscoa com os meus discípulos?» Ele vos mostrará uma grande sala no andar superior, alcatifada e pronta. Preparai-nos lá o que é preciso». Os discípulos partiram e foram à cidade. Encontraram tudo como Jesus lhes tinha dito e prepararam a Páscoa. Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, recitou a bênção e partiu-o, deu-o aos discípulos e disse: «Tomai: isto é o meu Corpo». Depois tomou um cálice, deu graças e entregou-lho. E todos beberam dele. Disse Jesus: «Este é o meu Sangue, o Sangue da nova aliança, derramado pela multidão dos homens. Em verdade vos digo: Não voltarei a beber do fruto da videira, até ao dia em que beberei do vinho novo no reino de Deus». Cantaram os salmos e saíram para o Monte das Oliveiras.

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UMA LEITURA DOS TEXTOS BÍBLICOS

Este é o Sangue da Aliança!

Ao sacrifício redentor da Missa ou Eucaristia, em que participamos cada Domingo, reserva a Igreja uma festa especial, que é a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo. A celebração de Quinta-feira Santa é uma festa gémea da que hoje celebramos. Simplesmente, em Quinta-feira Santa, a Eucaristia está relacionada directamente com a paixão e morte de Jesus. Hoje celebramos de um modo particular a presença real de Jesus que na Eucaristia se nos oferece em alimento e bebida no Pão da vida e no cálice da nova e eterna Aliança.

1. A primeira leitura, do livro do Êxodo, que se costuma qualificar como o Evangelho do Antigo Testamento (boa nova da intervenção de Deus para libertar o seu povo da escravidão do Egipto), relata o rito da aliança entre Deus e o seu Povo eleito, no monte Sinai. Aliança que o povo aceita e promete guardar: "Nós cumpriremos todos os preceitos do Senhor".

Esta aliança é selada com o sangue dos animais sacrificados em honra do Senhor. Moisés derrama metade do sangue sobre o altar, que ele construíra e que representa a presença de Deus, e com a outra metade asperge o povo. Sabemos que o povo eleito foi repetidamente infiel, mas Deus refez definitivamente essa aliança com o sangue de Jesus Cristo, "o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo", como repetem os celebrantes, antes da comunhão, em cada Eucaristia, citando João Baptista. Jesus ao instituir a Eucaristia, recorda que o seu sangue é o selo, a confirmação da nova e eterna aliança de Deus com a humanidade que quer salvar. O sangue de Cristo, que a Eucaristia nos oferece, é sinal eficaz da nossa libertação de todas as formas de escravidão.

2. A segunda leitura, da Carta aos Hebreus, vai na mesma linha. Aqui é focada a ultrapassagem do ritualismo dos sacrifícios de animais no Antigo Testamento e a superioridade essencial do sangue de Cristo, que "Se ofereceu a Deus como vítima sem mancha". O sangue de Cristo liberta e salva, pois é o sangue do próprio Filho de Deus.

3. O Evangelho de S. Marcos apresenta-nos um dos 4 relatos da instituição da Eucaristia. Esta tem lugar durante a festa da Páscoa dos judeus, quando o povo eleito comemorava a libertação da escravidão do cativeiro do Egipto. A Eucaristia é como que uma actualização dessa libertação, sendo o sangue do cordeiro o do próprio Jesus que dá a vida pela salvação de todos. Dar a vida é o maior gesto de liberdade que se pode ter, porque é dar tudo, libertos de todo o egoísmo. Cada vez que nos abeiramos da comunhão eucarística, somos desafiados por um Deus que se dá por inteiro a cada um de nós, num gesto de liberdade amorosa, feito pão para que tenhamos vida em abundância.

4. Em espírito de comunhão eclesial, unimo-nos aos participantes no Congresso Eucarístico Internacional que nestes dias decorre na Polónia, subordinado ao tema "Eucaristia e Liberdade". A liberdade é um ponto essencial do nosso bilhete de identidade humano e cristão. O pecado e toda a experiência de egoísmo é uma prisão que limita ou mata a liberdade. Importa criar em nós e nos outros atitudes de liberdade, ou seja de amor gratuito e altruísta. Receber Cristo na Eucaristia é acolher a pessoa mais livre de toda a história da humanidade, que viveu centrado nos outros, feito bom pastor que dá a vida pelas suas ovelhas. "Cristo libertou-nos para sermos verdadeiramente livres", recorda-nos S. Paulo. A Eucaristia é fonte da liberdade de melhor qualidade, mais amorosa. Quem se alimenta de Cristo, o modelo perfeito de homem livre, como ninguém pode viver em perfeita liberdade, "a gloriosa liberdade dos filhos de Deus".

Como o amor se deve pôr mais em obras que em palavras, segundo o exemplo de Jesus, a celebração desta Solenidade do Corpo de Deus, deveria selar-se, em jeito da aliança, com um gesto de liberdade e libertação..

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A caminho do terceiro milénio

«Isto é o meu Corpo. Este é o meu Sangue»

A aliança do Sinai concluída entre Deus e o povo de Israel por meio de Moisés que, tomando o sangue, aspergiu o povo, dizendo: «Este é o sangue da aliança que o Senhor firmou convosco mediante todas estas palavras» (Ex 24, 8), atingiu uma plenitude e um significado totalmente novos no cenáculo, onde Jesus, celebrando a Páscoa, deu aos discípulos em alimento o seu Corpo e o cálice com vinho, dizendo: «Este é o meu Sangue, o Sangue da nova aliança, derramado pela multidão dos homens» (Mc 14, 24). O Sangue de Cristo, sacrifício agradável a Deus, «purificará a nossa consciência das obras mortas, para servirmos ao Deus vivo» (Hb 9, 14).

Conclusão da Oração dos Fiéis

Escutai, Senhor, as nossas súplicas neste dia que Vos é consagrado; e pela participação nos santos mistérios dai à Igreja dispersa por toda a terra a alegria de se sentir um só corpo em Cristo. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

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SUGESTÕES LITÚRGICAS

1. Contexto:

A celebração desta festa começou pelo ano 1000, privadamente. Em 1264, foi instituída oficialmente pelo Papa Urbano IV. Aos poucos foi adquirindo relevo comunitário e social, celebrada geralmente também com procissões eucarísticas, dando a conhecer publicamente a força que une e alimenta o povo de Deus em marcha, na sua peregrinação pelo mundo.

Neste ano, a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, ocorre durante a realização do 46.º Congresso Eucarístico Internacional, na Polónia, subordinado ao tema «Eucaristia e Liberdade». Nele participará um grupo de 150 peregrinos, com representação de todas as Dioceses de Portugal. Os últimos 2 dias deste Congresso serão presididos pelo próprio Papa João Paulo II. Nesta página, fazemo-nos eco das sugestões elaboradas pela Comissão Nacional do 46.º C.E.I.

Em solidariedade eclesial, recomenda-se que nas celebrações da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo nas nossas Dioceses, Paróquias e Comunidades, este acontecimento seja tido em conta, aprofundando o tema "Eucaristia e Liberdade", em tríduos de preparação, reuniões e encontros, catequeses e homilias, horas santas e tempos de adoração eucarística. Este Congresso Eucarístico Internacional precede o do Grande Jubileu, no Ano 2000, em Roma.

2. Leitores:

A 1.ª leitura, de carácter narrativo, não apresenta dificuldades particulares. Em ordem à sua compreensão por parte dos ouvintes é importante que o leitor saiba dar as três entoações requeridas: narrador; povo; Moisés. Valorize-se, com uma proclamação particularmente solene, a última frase: «Este é o sangue da aliança...».

A 2.ª leitura exige particulares cuidados ao nível da respiração e articulação do texto (dicção e pontuação). A principal dificuldade reside nas frases longas, sobretudo na que termina com a exclamação («Na verdade, ... até: ... para servirmos ao Deus vivo!»).

4. Sugestão de cânticos:

Entrada: O Senhor alimentou, F. Santos, ADS [= Ao Divino Sacramento, publicação do SDL do Porto], p. 13; Salmo Resp: Tomarei o cálice da salvação, M. Luís, SR(B) 142; O Cálice da bênção, F. Santos, BML 51, 10; Sequência: Terra exulta, M. Faria, BML 46, 15 = ADS, p. 14; Aclam. Ev.: Eu sou o Pão vivo, adapt. NCT 241; Ofertório: Oh verdadeiro Corpo, C. Silva, NCT 269; Comunhão: Quem come, M. Simões, BML 37, 13; Porque Ele está connosco, F. Santos, BML 75/76 = ADS, p. 44 = NCT 571; Sempre que comemos, F. Santos, BML 12, 5 = ADS, p. 16; Somos o novo Israel, F. Santos, BML 22, 10 = ADS, p. 18; Vésperas: Hino: Canta Igreja, F. Santos, BML 37, 15, = ADS, p. 23; Salmodia, BML 82, 88 ss ou ADS, p. 23-31; Adoração e procissão do SS. Sacramento: cânticos vários em ADS, p. 39-48.55-58.

Festa da Santíssima Trindade: Entrada: Deus eterno, trino e uno, F. Santos, ADS, p. 47 (com o refrão); cf. NCT 578; Bendito seja Deus, F. Santos, BML 22, 6; NCT 362; Bendito seja Deus Pai, C. Silva, NCT 209; Salmo Resp.: Feliz o povo, M. Luís, SR(B) 140; Aclam. ao Ev.: Glória ao Pai, adapt. NCT 239; Ofertório: Ó Santíssima Trindade, F. Silva, NCT 593; Comunhão: Eu estou à porta, F. Silva, NCT 260; Felizes os convidados, M. Luís, NCT 264; Formamos um só corpo, C. Silva, NCT 265; Fim: Ao Senhor do universo, F. Silva, NCT 281.
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