| Liturgia: | |||
6 de Abril
Leitura dos Actos dos Apóstolos
Actos 4, 32-35
A multidão dos que haviam abraçado
a fé tinha um só coração e uma só
alma; ninguém chamava seu ao que lhe pertencia, mas tudo
entre eles era comum. Os Apóstolos davam testemunho da
ressurreição do Senhor Jesus com grande poder e
gozavam todos de grande simpatia. Não haviam entre eles
qualquer necessitado, porque todos os que possuíam terras
ou casas vendiam-nas e traziam o produto da vendas, que depunham
aos pés dos Apóstolos. Distribuía-se então
a cada um conforme a sua necessidade.
Salmo Responsorial Salmo
117
Dai graças ao Senhor, porque Ele é
bom,
porque é eterna a sua misericórdia.
Diga a casa de Israel:
é eterna a sua misericórdia.
Diga a casa de Aarão:
é eterna a sua misericórdia.
Digam os que temem o Senhor:
é eterna a sua misericórdia.
A mão do Senhor fez prodígios,
a mão do Senhor foi magnífica.
Não morrerei, mas hei-de viver,
para anunciar as obras do Senhor.
Com dureza me castigou o Senhor,
mas não me deixou morrer.
A pedra que os construtores rejeitaram
tornou-se pedra angular.
Tudo isto veio do Senhor:
é admirável aos nossos olhos.
Este é o dia que o Senhor fez:
exultemos e cantemos de alegria.
Leitura da Primeira Epístola de São
João 1 Jo 5,
1-6
Caríssimos: Quem acredita que Jesus é
o Messias, nasceu de Deus, e quem ama Aquele que gerou ama também
Aquele que nasceu d'Ele. Nós sabemos que amamos os filhos
de Deus quando amamos a Deus e cumprimos os seus mandamentos,
porque o amor de Deus consiste em guardar os seus mandamentos.
E os seus mandamentos não são pesados, porque todo
o que nasceu de Deus vence o mundo. Esta é a vitória
que vence o mundo: a nossa fé. Quem é o vencedor
do mundo senão aquele que acredita que Jesus é o
Filho de Deus? Este é o que veio pela água e pelo
sangue: Jesus Cristo; não só com a água,
mas com a água e o sangue. É o Espírito que
dá testemunho, porque o Espírito é a verdade.
Aleluia. Aleluia.
Disse o Senhor a Tomé:
«Porque Me viste, acreditaste;
felizes os que acreditam sem terem visto».
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo
São João Jo
20, 19-31
Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos». Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei». Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa, e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!» Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto». Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.
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Evangelho: o Primeiro Dia
Como todo o 4º Evangelho, a nossa perícopa prima pela «densidade».
1. A Presença absolutamente nova do Ressuscitado, sem nada de comum com as leis físicas que regem este mundo. Deixa-se ver, deixa de se ver. Mas há continuidade real entre o Crucificado e o Ressuscitado: «mostrou-lhes as mãos e o lado».
2. Os frutos da Páscoa de Jesus: a paz e a alegria. Os discípulos passam do medo à alegria. O Ressuscitado traz o dom da Paz: o shalôm bíblico é a plenitude dos bens da salvação. Já os discursos depois da Ceia o anunciavam: a tristeza da mulher que vai dar à luz e a alegria pelo novo nascimento: «deixo-vos a paz ».
3. A Missão universal: nasce da Páscoa e tem a fonte no seio da Trindade: «como o Pai Me enviou ».
4. O dom do Espírito. Tem-se chamado a este texto o «Pentecostes joânico»; mas a perspectiva é diferente de Act 2. O sopro do Ressuscitado evoca o «espírito de Deus» que pairava sobre as águas, nos primórdios da Criação (Gen 1, 1); em Jesus ressuscitado, está criado o Mundo novo, a Humanidade nova, cuja «alma» é o Espírito Santo. Desde o princípio do Evangelho se aponta para este momento: em 1, 32s, o Espírito desceu sobre Jesus, no baptismo, e permaneceu nele; 7, 39, fala do Espírito que haviam de receber os crentes, quando Jesus fosse glorificado; em 19, 30, Jesus entrega o Espírito (é lamentável que a tradução oficial, desconhecendo o itinerário evangélico, tenha um simples «expirou», empobrecendo o texto joânico); agora, pode ser comunicado, porque chegou a Hora da glorificação de Jesus. Na tarde do Primeiro Dia, o Ressuscitado dá o Espírito da nova Criação. O Espírito faz dos discípulos, além de primícias da nova humanidade, as testemunhas autênticas do poder salvífico do Acontecimento pascal que vai até à remissão dos pecados. Conferindo o poder de os perdoar, o Cordeiro desempenha a missão de tirar o pecado do mundo, anunciada em 1, 29.
5. João personaliza em Tomé o tema da dúvida que, nos Sinópticos, é mais geral. Não foi à primeira que os discípulos chegaram à fé na Ressurreição. Act 1, 3 explicita «ao longo de 40 dias». Preparando a cena do reconhecimento, o caso de Tomé introduz o regime da Fé que vai entrar em vigor. O tempo «fundacional» acabou; o crente crê, apoiado no testemunho dos que viram o Ressuscitado e que Deus estabeleceu como testemunhas (Act 10, 41). Significativamente, a mais alta confissão de fé cristológica - «meu Senhor e meu Deus» - vem na boca do discípulo que duvidara. Tomé serve de passagem para o «tempo da Igreja», que é o tempo da fé: crer sem ter visto.
6. «Nasce» o Domingo! O «Primeiro Dia da semana e «oito dias depois»: é o ritmo marcado pelo Ressuscitado para o encontro com os seus.
7. O 1º epílogo do 4º evangelho expõe o regime da Fé. O Discípulo amado dá o seu testemunho, para justificar e aprofundar a fé dos crentes a braços com a provação. A profissão de fé messiânica («Cristo») tem de subir até à filiação divina, no sentido mais forte. Só esta fé conduz à vida eterna. Todo o Evangelho convergia para a intimidade das relações entre o Filho e o Pai.
Segunda Leitura: o tempo da fé
O interesse pela fé em Jesus Messias e Filho de Deus continua. Este ano (B), a 2ª leitura vem da 1ª Carta de João. O Autor, discípulo e continuador do Discípulo amado, quer inculcar à comunidade o acolhimento a fazer ao 4º Evangelho: num sentido rigorosamente ortodoxo, perante tendências divisionistas. Despontam as primeiras heresias: docetismo, gnosticismo. A divindade de Jesus e a realidade da Incarnação são postas em causa. A «gnose» vai elaborar sistemas, descurando o essencial do cristianismo, os mandamentos, o amor fraterno.
Nesta perícopa, o Autor insiste no realismo da fé: obediência aos mandamentos; e na fé em Jesus, o Verbo incarnado. A referência à água e ao sangue acentua o realismo da Incarnação: Jesus foi investido Messias no baptismo, e não deixou de o ser quando derramou o sangue na Cruz. A água e o sangue que jorraram do Lado do Crucificado são as verdadeiras fontes da salvação que, agora, se encontram no baptismo e na eucaristia. A menção do Espírito prolonga o interesse do 4º Evangelho pelo Espírito Santo que «dará testemunho de Mim», «vos conduzirá à verdade total», etc.
Sentem-se os problemas da Comunidade: dificuldade de crer, para os da 2ª e 3ª gerações cristãs; rupturas, pela deserção de elementos que propunham interpretações distorcidas do 4º Evangelho.
Primeira Leitura; A comunidade pascal
Cada ano, lemos, neste Domingo, um dos «sumários» em que os Actos apresentam a Comunidade ideal, nascida da Páscoa. O acento está na «koinônía» dos crentes. A fé que lhes é comum é o fundamento da sua unidade: «um só coração e uma só alma». Inútil procurar distinção entre «coração» e «alma», no plano da antropologia. A «alma» vem do helenismo; o «coração» dá colorido bíblico ao que podia ser o simples ideal grego da amizade: aqui, há mais!
A comunhão de bens foi a maneira prática de combater a miséria. Como sistema económico, a coisa não iria longe; mas como vivência radical das bem-aventuranças, como Lucas as entende - viver à maneira de Jesus - era mesmo assim. A prática não foi tão geral como parece; porque, a seguir, é citado o caso de Barnabé, como exemplar. Lucas escreve a 50-60 anos de distância; já tinha passado a «era de oiro» de Paulo que, juntamente com as «colunas» encontrou outros meios para socorrer os «santos»de Jerusalém (Gal 2, 10).
No meio do quadro, Lucas introduz um elemento que lhe é particularmente querido: o testemunho dos Apóstolos à Ressurreição de Jesus, deixando-nos perante o dinamismo duma Igreja verdadeiramente pascal: na fé e no testemunho.
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O tempo de Páscoa é momento favorável «para o revigoramento da fé e do testemunho dos cristãos» (TMA 42). Para os novos baptizados é tempo do noviciado à vida nova em Cristo e na Igreja. «Onde ainda se mantém em vigor, conserve-se com a máxima diligência a tradição particular de celebrar, no dia de Páscoa, as vésperas baptismais, durante as quais, enquanto se cantam os salmos, se faz a procissão à fonte» (Instrução Geral da Liturgia das Horas, n. 213).
As missas da Oitava estão dispostas a fim de que estes possam tomar consciência do acontecimento da ressurreição e descobrir a «inestimável riqueza do Baptismo que os purificou, do Espírito que os regenerou e do Sangue que os redimiu» (cf. Colecta II Domingo de Páscoa). A antiga «semana das vestes brancas» poderia voltar a ser um tempo forte para as crianças-adolescentes que se preparam para receber a Confirmação e a Primeira Comunhão. Os textos das missas destes dias juntam repetidamente alusões ao Êxodo (os baptizados passaram através da água que os regenerou) e a referência ao acontecimento salvífico, a alegria da Páscoa e a súplica pela fidelidade ao sacramento recebido na fé. Fé e sacramento, sacramento e vida: eis a lei do agir cristão.
| (Comité Central para o Grande Jubileu, Encontrar Jesus Cristo na Liturgia, nn. 23-24) |
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1. Neste único «grande Domingo» de 50 dias que é o tempo pascal, o Leccionário distingue duas sequências principais: o «ciclo das aparições» do Ressuscitado que se estende do 1º ao 3º Domingo e o «ciclo do Cenáculo» que vai do 5º ao 7º(6º) e a que, de algum modo, já pertence o «Domingo do Bom Pastor» (4º). É sempre o Evangelho a fornecer a referência unificante de toda a Liturgia da Palavra em que a escolha das leituras não é determinada por qualquer preocupação de harmonização temática, bastando a centralidade do mistério pascal, em todas espelhado, para fornecer a necessária convergência.
2. No tempo pascal a novidade da Ressurreição absorve toda a atenção: vive-se do presente e para o futuro; o passado da Aliança e da Revelação são como que absorvidos pela «plenitude dos tempos». Por isso não se lê o Antigo Testamento, sendo a 1ª leitura extraída dos Actos dos Apóstolos, o primeiro «fazer-se história» da Páscoa de Cristo no tempo da Igreja.
3. O Aleluia é o canto da eternidade, com Deus. A Páscoa é essa «intromissão» do júbilo sem fim, neste nosso tempo caduco. E o Aleluia é disso a expressão. Inaugurado na jubilosa Vigília, dá-se-lhe particular relevo durante todo este tempo. Deverá ressoar em todas as missas com afluência de povo, mesmo de semana, sem excluir as missas de defuntos. O seu lugar próprio é antes do Evangelho. Mas, principalmente ao domingo, poderá ser repetido no final do mesmo, mesmo sem o versículo que o acompanha. O Aleluia faz parte de inúmeros cânticos deste tempo, transmitindo-lhes uma especial ressonância pascal. Com o Aleluia despede-se a assembleia durante a oitava de Páscoa e no termo do tempo pascal (Pentecostes); mas nada impede e - é mesmo recomendável - que o mesmo se faça nos demais domingos deste tempo do Aleluia. A expressão musical deve ser viva e não rotineira, de forma a dar tonalidade e unidade a todo o tempo pascal. Para além do Aleluia gregoriano mais generalizado, pode lançar-se mão de outras melodias (por ex., NCT nn. 186 e 187, ou BML n. 26, p. 19).
4. Leitores: As duas leituras não apresentam dificuldade de maior, a não ser pela distribuição do texto no Leccionário. Assim, na 1ª, deve ler-se com uma só respiração a frase: «Os Apóstolos grande poder». Na 2ª, do mesmo modo: «porque o amor de Deus mandamentos» e «Quem é o vencedor Filho de Deus?» (a interrogação incide sobre Quem).
5. Sugestão de Cânticos: Entrada: Entrai na alegria, F. Valente, BML 66/67, 81; Nós vimos o Senhor Jesus, F. Santos, BML 6,8; NCT 174; Salmo Resp.: Aclamai o Senhor, F. Santos, BML 6, 11; M. Luís, SR(B), 79; Aclam. ao Ev.: Diz o Senhor a Tomé, F. Santos, BML 11, 9; Ofertório: Cantai um hino novo, F. Santos BML 41, 10; Glória a Vós, ó Cristo, M. Luís, NCT 192; Victimae paschali laudes, NCT 202; Comunhão: Aproxima a tua mão, F. Santos, BML 66/67, 85; Sempre que comemos o pão, F. Santos, NCT 198; Reconhecei neste pão, M. Luís, NCT 197; Fim: Aleluia. A Salvação, F. Santos, BML 32, 12; Ressuscitou, aleluia, A. Cartageno, NCT 200; Aleluia! Louvor a Vós, ó Cristo, M. Luís, NCT 168.
Missas com crianças: Entrada: Aclamai a Deus, F. Santos, BML 100, 51; Eis o dia da Ressurreição, F. Santos, BML 11, 7; ressuscitou Jesus Salvador, B. Sousa, BML 2, 7; Salmo Resp: A terra inteira, F. Santos, BML 58, 17; NCT 185; Aclam. Ev.: Cristo, nossa Páscoa, F. Santos, BML 11, 8; NCT 189; Ofertório: Cantai alegremente, M. Luís, NCT 193; Comunhão: Ressuscitou o Bom Pastor, F. Santos, BML 58, 35; NCT 199.
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