Liturgia:

A MESA DA PALAVRA

DOMINGO DE PÁSCOA

30 de Março

Leitura dos Actos dos Apóstolos Actos 10, 34a.37-43

Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse: «Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do baptismo que João pregou: Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando a todos os que eram oprimidos pelo Demónio, porque Deus estava com Ele. Nós somos testemunhas de tudo o que Ele fez no país dos judeus e em Jerusalém; e eles mataram-n'O, suspendendo-O na cruz. Deus ressuscitou-O ao terceiro dia e permitiu-Lhe manifestar-Se, não a todo o povo, mas às testemunhas de antemão designadas por Deus, a nós que comemos e bebemos com Ele, depois de ter ressuscitado dos mortos. Jesus mandou-nos pregar ao povo e testemunhar que Ele foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos. É d'Ele que todos os profetas dão o seguinte testemunho: quem acredita n'Ele recebe pelo seu nome a remissão dos pecados».


Salmo Responsorial Salmo 117

Este é o dia que o Senhor fez:
exultemos e cantemos de alegria.

Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,
porque é eterna a sua misericórdia.
Diga a casa de Israel:
é eterna a sua misericórdia.

A mão do Senhor fez prodígios,
a mão do Senhor foi magnífica.
Não morrerei, mas hei-de viver
para anunciar as obras do Senhor.

A pedra que os construtores rejeitaram
tornou-se pedra angular.
Tudo isto veio do Senhor:
é admirável aos nossos olhos.


Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios 1 Cor 5, 6-8

Irmãos: Não sabeis que um pouco de fermento leveda toda a massa? Purificai-vos do velho fermento, para serdes uma nova massa, visto que sóis pães ázimos. Cristo, o nosso cordeiro pascal, foi imolado. Celebremos a festa, não com fermento velho nem com fermento de malícia, mas com os pães ázimos de pureza e da verdade.


Aleluia. Aleluia.

Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado:
celebremos a festa do Senhor.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo
segundo São João
Jo 20, 1-9

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e vi a pedra retirada do sepulcro. Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o discípulo predilecto de Jesus e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram». Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro. Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou. Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguia. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte. Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou. Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.

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Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor

30 de Março de 1997

O Senhor ressuscitou verdadeiramente!
Aleluia, Aleluia! Aleluia!

«Esta é a Obra do Senhor!»: assim gritava com «voz forte» (grito de Vitória e de Revelação) Jesus na Cruz, decifrando a Cruz, recitando o Salmo 21 todo (entenda-se a metonímia de Mt 27, 46 e Mc 15, 34, citando apenas o início). Particularmente ao longo da Semana Santa, dita «Grande» ou «dos Mistérios» pela Igreja do Oriente, Deus expôs (proétheto) diante dos nossos olhos atónitos - e logo a partir do Domingo de Ramos - o Rei Vitorioso no seu Trono de Graça e de Glória, que é a Cruz (veja-se aqui demoradamente Rm 3,24-25), tomando posse da sua Igreja-Esposa para o efeito redimida na «água e no sangue» (Jo 19, 34; Ef 5, 25-27), isto é, no Espírito Santo, conforme ensina Jesus com «voz forte» (!) no grande texto de Jo 7, 37-39.

Para aqui também apontava a «caminhada» quaresmal, a qual - vê-se agora claramente - só daqui podia afinal ter partido. É este «o Mistério Grande» (Ef 5,32) que nos foi dado a conhecer por Deus (Rm 16, 25-26; 1Cor 2, 7-10; Ef 3, 3-11; Cl 1, 26-27). E só Deus pode dar tanto a conhecer (veja-se agora o texto espantoso de Ef 3,14-21). É quanto Deus operou na Cruz! Por isso, exultamos e nos alegramos (com a Xará: alegria pascal), pois «este é o Dia que o Senhor fez» (Sl 117, 24) e em que o Senhor nos fez! É o «Primeiro Dia» (Mt 28, 1 Mc 16, 2.9; Lc 24, 1; Jo 20, 1.19; Act 20, 7; 1Cor 16,2), e tal permanecerá para sempre (!), o «Dia do Senhor» (Ap 1, 10), o Domingo, todos os Domingos, o Ano Litúrgico todo, o Ano da Graça do Senhor, em que a Igreja-Esposa, redimida, santificada, bela (apresentada no Apocalipse com voz forte), celebra jubilosamente o seu Senhor, à volta do altar, do ambão, do baptistério: tudo «sinais» do túmulo vazio do Senhor Ressuscitado, donde emerge continuamente a mensagem da Ressurreição. Aleluia!

Evangelho: João 20,1-9.

Anote-se a progressão: 1) Maria Madalena a pedra retirada; 2) o outro discípulo, «o discípulo amado» vê as faixas de linho no chão; 3) Pedro as faixas de linho no chão e o sudário que cobrira o Rosto de Jesus, à parte, dobrado cuidadosamente, como «sinal»: o Ressuscitado fê-lo, e com calma, segundo o seu Desígnio; com esta indicação preciosa de que o véu foi retirado do seu Rosto, a Revelação convida agora a contemplar o Rosto divino no Rosto humano do Ressuscitado: vendo-o a Ele, vê-se o Pai (cf Jo 14, 9)- 4) «o discípulo amado» entrou e viu e acreditou (v. 8), verdadeiro clímax do relato: anote-se a passagem do presente para o aoristo: «o discípulo amado» viu tudo: toda a Economia divina realizada. Os outros esperam para ver, por assim dizer, «o corpo ressuscitado», o que acontecerá na tarde desse Dia, mas depois do anúncio «segundo as Escrituras» (cf 1Cor 15,1-8) feito pela Madalena (vv. 17-18). A Ressurreição do Senhor, Acontecimento-Omega, remete, portanto, sempre para «as Escrituras» (= Antigo Testamento), o Acontecimento-Alfa, com o qual forma a única manifestação completa do Desígnio do amor divino para todos os homens. Também Hoje: nem faixas nem sudário, mas as Escrituras conhecidas e amadas remetem para o Senhor. O seu Rosto permanece descoberto!

Leitura primeira: Actos 10, 34a.37-43.

Os Apóstolos dão testemunho do que viram. Foi-lhes dado ver exactamente para dar testemunho. Viram e testemunham o seu Baptismo, a execução da sua missão filial baptismal, a sua Morte na Cruz, a sua Ressurreição Gloriosa, a sua Vinda Gloriosa. Mas os Apóstolos insistem que também os Profetas (= Antigo Testamento) dão testemunho d'Ele Ressuscitado, no qual se cumpre para nós a «remissão dos pecados», o Jubileu divino do Espírito Santo (v. 43). A base profética é imponente: Jr 31, 34; Is 33,24; 53, 5-6; 61, 1; Ez 34, 16; Dn 9, 24. Cf. depois Jo 20, 19-23. «As Escrituras» apontam para o Ressuscitado; o Ressuscitado remete para «as Escrituras».

Apóstolo: Colossenses 3,1-4.

O Capítulo 3º da Carta aos Colossenses trata a «vida nova» em Cristo, que é vida baptismal, operada pelo Espírito Santo que faz morrer e renascer na Fonte da Graça. Por isso, adverte solenemente Paulo: «procurai as coisas do alto» (v. 1), «pensai as coisas do alto» (v. 2), exortação que se ouve no Diálogo que antecede o Prefácio: «Corações ao alto» - «o nosso coração está em Deus»!

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A caminho do grande Jubileu

O itinerário quaresmal conduz os fiéis à celebração da Vigília pascal. Dado que o sentido baptismal caracteriza esta Vigília, há que respeitá-lo não só com a renovação das promessas baptismais, mas também com a celebração efectiva de alguns baptismos. Todos os temas baptismais que foram emergindo durante a Quaresma devem convergir na «mãe de todas as vigílias». A Igreja convida-nos, este ano, a redescobrir o Baptismo como raiz e fundamento do nosso ser cristão, segundo a palavra do Apóstolo: «Vós que fostes baptizados em Cristo, fostes revestidos de Cristo» (Gl 3, 27; TMA, n. 41).

No Domingo de Páscoa, as leituras da Missa do Dia fazem referência ao sepulcro vazio (Jo 20, 1-9) e ao testemunho de Pedro (Act 10, 34a.37-43), convidando-nos a renovar a nossa fé «n'Aquele que vive» e a conformar o nosso comportamento com as perspectivas que nos foram abertas pela ressurreição de Cristo: «Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde Cristo se encontra sentado à direita de Deus» (Cl 3, 1).

Os Domingos da Páscoa apresentam-se como um tempo unitário dedicado à compreensão, ao aprofundamento e à irradiação da presença de Cristo ressuscitado na sua Igreja e no mundo. É um período caracterizado pela alegria, a mesma de que é portador o Grande Jubileu: «A Igreja alegra-se com a salvação» (TMA, n. 16).

(Comissão Central, A caminho..., p. 20)

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SUGESTÕES LITÚRGICAS

1. Este é o Domingo da Ressurreição, termo final da Páscoa do Senhor, solenidade das solenidades, início do grande Domingo que dura até ao Pentecostes, imagem da vida futura. Todos os recursos expressivos aptos a criar e intensificar um clima de alegria e festa, são hoje chamados a dar o seu máximo contributo à celebração da Igreja: música (hoje retoma-se o canto jubiloso do Aleluia e do Glória a Deus nas alturas), flores, luzes, paramentos...

2. Os ecos da Vigília - a celebração pascal por excelência - devem ser evidentes. Mesmo para aqueles que nela não participaram deve ressoar bem alto o pregão silencioso do Círio (aceso e em destaque, junto ao ambão), da água (recomenda-se o rito de aspersão em vez do acto penitencial) e da Mesa festiva onde o Cordeiro imolado se dá em alimento, vivificando os seus fiéis.

3. Onde se mantém o costume da «Visita pascal», esta deverá harmonizar-se com a Missa do Dia de Páscoa, ponto culminante da celebração cristã da Ressurreição. Merece também um lugar de destaque na tradição litúrgica a celebração das Vésperas da Ressurreição, eventualmente com procissão ao Baptistério durante o cântico evangélico (cf. IGLH, n. 213). Tanto a Missa como o Ofício de Vésperas, devidamente solenizados, se poderão conjugar com a tradicional «recolha do compasso» numa celebração popular marcante. Nas missas celebradas ao cair da tarde recomendamos a leitura do Evangelho da aparição aos discípulos de Emaús, proposta facultativamente no Leccionário.

4. Sugestão de cânticos: Entrada: O Senhor ressuscitou, F. Santos, BML 75/76, 54 ou BML 41, 16 ou M. Luís, NRMS 25; Ó Páscoa gloriosa, F. Santos, BML 36, 8; NCT 175; O Senhor ressuscitou, F. Santos, BML 75/76, 54; Salmo Resp.: Eis o Dia que fez o Senhor, F. Santos, BML 2, 8; 36, 14; NCT 181; Sequência: os cristãos entoem, M. Faria, BML 46, 8; Victimae paschali, NCT 202; Aclam. ao Ev.: Cristo, nossa Páscoa, F. Santos, BML 26, 19; F. Silva, NCT 186; Ofertório: A terra tremeu, F. Santos, BML 56, 12; Comunhão: O Teu corpo, F. Santos, BML 24, 16; Sempre que comemos o Pão, F. Santos, BML 12, 5; Final: Regina cœli, NCT 205; Pai, Tu chamaste, F. Santos, BML 6, 7; Vésperas solenes do Domingo da Ressurreição: F. Santos, BML 31, 12-19. Missas com crianças: Entrada: Eis o dia da ressurreição, F. Santos, BML 11, 7; Salmo Resp: A terra inteira aclame, F. Santos, BML 58/59, 17; NCT 185; Aclam. Ev.: Cristo nossa Páscoa, F. Santos, BML 11, 8; NCT 189; Comunhão: Ressuscitou o Bom Pastor, BML 58/59, 35; NCT 199; Aclamações da Anáfora: BML 58/59, 23-26.

Apesar desta abundante repertório de cânticos, não podemos esquecer que entramos no tempo dos instrumentos musicais que exprimem a vibração de toda a criação. O órgão ocupa o primeiro lugar. Mas poder-se-ão usar outros instrumentos (salvo os vinculados à música rock, de folclore ou divertimento). Os instrumentos podem intervir a solo à Entrada, Ofertório, Comunhão e Fim.
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