| Liturgia: | |||
16 de Março
Leitura do Livro de Jeremias Ger
31, 31-34
Dias virão, diz o Senhor, em que estabelecerei
com a casa de Israel e com a casa de Judá uma aliança
nova. Não sserá como a aliança que firmei
com os seus pais, no dia em que os tomei pela mão para
os tirar da terra do Egipto, aliança que eles violaram,
embora Eu exercesse o meu domínio sobre eles, diz o Senhor.
Esta é a aliança que estabelecerei com a casa de
Israel, naqueles dias, diz o Senhor: Hei-de imprimir a minha lei
no íntimo da sua alma e gravá-la-ei no seu coração.
Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Não
terão já de se instruir uns aos outros, nem de dizer
cada um a seu irmão: «Aprendei a conhecer o Senhor».
Todos eles Me conhecerão, desde o maior ao mais pequeno,
diz o Senho. Porque vou perdoar os seus pecados e não mais
recordarei as suas faltas.
Salmo Responsorial Salmo
50
Dai-me, Senhor, um coração puro.
Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa
bondade,
pela vossa grande misericórdia, apagai os
meus pecados.
Lavai-me de toda a iniquidade
e purificai-me de todas as faltas.
Criai em mim, ó Deus, um coração
puro
e fazei nascer dentro de mim um espírito firme.
Não queirais repelir-me da vossa presença
e não retireis de mim o vosso espírito
de santidade.
Dai-me de novo a alegria da vossa salvação
e sustentai-me com espírito generoso.
Ensinarei aos pecadores os vossos caminhos
e os transviados hão-de voltar para Vós.
Leitura da Espístola aos Hebreus
Hebr. 5, 7-9
Nos dias da sua vida mortal, Cristo dirigiu preces
e súplicas, com grandes clamores e lágrimas. Àquele
que O dia podia livrar da morte e foi atendido por causa da sua
piedade. Apesar de ser Filho, aprendeu a obediência no sofrimento
e, tendo atingido a sua plenitude, tornou-Se para todos os que
Lhe obedecem causa de salvação eterna.
Louvor a Vós, Jesus Cristo, Rei da eterna
glória.
Se alguém Me quiser serbvir, que Me siga,
diz o Senhor,
e onde Eu estiver, ali estará também
o meu servo.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo
segundo São João
Jo 12, 20-33
Naquele tempo, alguns gregos que tinham vindo a Jerusalém para adorar nos dias da festa, foram ter com Filipe, de Betsaida da Galileia, e fizeram-lhe este pedido: «Senhor, nós queríamos ver Jesus». Filipe foi dizê-lo a André; e então André e Filipe foram dizê-lo a Jesus. Jesus respondeu-lhes: «Chegou a hora em que o Filho do homem vai ser glorificado. Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á, e quem despreza a sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna. Se alguém Me quiser servir, que Me siga, e onde Eu estiver, ali estará também o meu servo. E se alguém Me servir, meu Pai o honrará. Agora a minha alma está perturbada. E que hei-de dizer? Pai, salva-Me desta hora? Mas por causa disto é que Eu cheguei a esta hora. Pai, glorifica o teu nome». Veio então do Céu uma voz que dizia: «Já O glorifiquei e tornarei a glorificá-l'O». A multidão que estava presente e ouvira dizia ter sido um trovão. Outros afirmavam: «Foi um Anjo que Lhe falou». Disse Jesus: «Não foi por minha causa que esta voz se fez ouvir; foi por vossa causa. Chegou a hora em que este mundo vai ser julgado. Chegou a hora em que vai ser expulso o príncipe deste mundo. E quando Eu for elevado da terra, atrairei todos a Mim». Falava deste modo, para indicar de que morte ia morrer.
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A «caminhada» quaresmal aproxima-se da sua meta e do seu verdadeiro ponto de partida: a Cruz Gloriosa, onde resplandece para sempre o Rosto do imenso, indizível amor de Deus. Nesta altura do percurso (supõe-se que encetámos uma subida «espiritual»: entenda-se no Espírito Santo e com o Espírito Santo), baptizados e catecúmenos devem estar já a ser Iluminados por essa Luz, a ponto de se desfazerem das «obras das trevas» e de abraçarem as «obras da luz», como verdadeiros discípulos que seguem o Mestre até ao fim, que é também o princípio, a Fonte da Vida verdadeira donde jorra o Espírito Santo (sempre Act 2, 32-33; Jo 19, 30.34; 7, 38-39). Os catecúmenos têm neste 5º Domingo da Quaresma os seus terceiros «escrutínios»: última «chamada» para a Liberdade antes da Noite Pascal Baptismal.
Evangelho: João 12,20-33.
Trata-se do último discurso e da última aparição de Jesus em público, aos olhos da «multidão» (Jo 12, 29.34). Pouco depois, o evangelista diz-nos que «Jesus se retirou e se escondeu deles» (Jo 12, 36). A nós, porém, foi-nos dado conhecer o Mistério deste escondimento, que o não é senão para se vir a manifestar (leia-se de novo inteligentemente o lógion de Jesus no Evangelho de Marcos: «nada está escondido que não seja para se manifestar» (Mc 4,22), e que esclarece o Mistério da Luz-que-vem (!), que é Ele, no versículo anterior). Em boa verdade, este Jesus que agora se esconde da multidão manifestar-se-á definitivamente, aos olhos de todos (também aos nossos!), na Cruz Gloriosa, último e único sinal dado (por Deus) a esta geração (Mt 12, 39-40; 1Cor 1, 20-24): «olharão para aquele que trespassaram» (Jo 19, 37).
É neste contexto que «uns gregos» querem «ver Jesus». Comunicam este seu desejo a Filipe, o qual, por sua vez, o comunica a André. Filipe e André são conterrâneos, naturais de Betsaida Julia (Jo 1, 44), e são os dois únicos Apóstolos com nome claramente grego. Os dois levam a mensagem a Jesus. E Jesus marca a hora da entrevista: desde agora e para sempre. É este o sentido do a hora chegou (Jo 12, 23). Chegou (elêluthen) e fica para sempre: assim o indica o perfeito usado no texto grego. Esta hora que chegou é a hora da morte/ressurreição (um único acontecimento), é a hora da Cruz Gloriosa, último e único sinal dado (por Deus) a «judeus» e a «gregos», portanto, a todos. A entrevista começou e não termina mais, pois o futuro anunciado do discípulo é o presente do Mestre, a Glória celestial em que está: «onde eu estou (eimí), aí estará (éstai) também o meu servo» (Jo 12, 26).
Antigo Testamento: Jeremias 31, 31-34.
A «aliança nova», prometida para os últimos tempos, e realizada «neste Jesus» que «Deus ressuscitou», o qual «recebeu do Pai o Espírito Santo prometido e o derramou» (Act 2, 32-33). «Este Jesus» é, portanto, a única Fonte do Espírito Santo, a Vida nova de Deus nos nossos corações (Rm 2, 29; 5, 5; 7, 6; 8, 14-27; 2Cor 3, 6; Gl 3, 14; 4, 6; Ef 1, 13... ), com o dom do Jubileu divino do perdão dos pecados (Jo 20, 19-23). Deus «peca» sempre por excesso: é anulada até a «memória divina dos pecados»!
Apóstolo: Hebreus 5, 7-9.
Um dos passos mais densos do Novo Testamento. O próprio Cristo, sendo embora o Filho de Deus, Deus ele mesmo, enquanto Homem verdadeiro, treme perante a Morte. Porém, no momento central da sua vida (central para ele e para nós), ele aceita a morte, submetendo a sua vontade humana à Vontade divina, à Vontade do Pai e do Filho e do Espírito Santo (conferir a Oração do Getsémani e do «Pai Nosso»). Onde toda a Humanidade, desde Adão, fracassou, ele venceu, oferecendo a Deus incondicionalmente a sua liberdade. Por isso, o Pai pode levá-lo à perfeição, verbo teleióô, que não indica perfeição moral (!), mas «ser feito sacerdote, perfeito no serviço sacerdotal», por nossa causa. Perante tanta e quase insuportável riqueza, não nos resta senão cair de joelhos e adorar em silêncio «no Espírito e na Verdade».
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«Quando chegou a sua hora, Jesus orou ao Pai (cf. Jo 17). A sua oração, a mais longa que nos é transmitida pelo Evangelho, abrange toda a economia da criação e da salvação, bem como a sua Morte e Ressurreição. A oração da hora de Jesus continua sempre sua, tal como a sua Páscoa, realizada uma vez por todas permanece presente na Liturgia da sua Igreja.
[...] Nesta oração pascal, sacrificial, tudo está recapitulado nEle: Deus e o mundo, o Verbo e a carne, a vida eterna e o tempo, o amor que se entrega e o pecado que o atraiçoa, os discípulos presentes e os que nEle hão-de crer pela palavra deles, a humilhação e a glória. É a Oração da Unidade.
Jesus cumpriu tudo quanto dizia respeito à obra do Pai; a sua oração, como o seu sacrifício estende-se até à consumação do tempo. A oração da hora enche os últimos tempos e leva-os à sua consumação».
| (Catecismo da Igreja Católica, nn. 2746.2748s) |
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Contexto:
O tema da «hora» de Cristo que ressoa por três vezes no Evangelho deste 5º Domingo da Quaresma situa-nos na iminência da Páscoa. Mas até a ambientação das igrejas nos deveria ajudar, através de elementos sensíveis, a entrar nesse clima espiritual. Para tal poderá ajudar o antigo costume de cobrir com véus roxos as imagens e os crucifixos (cf. Missal Romano, rubrica ao fundo da pág. 206): as cruzes ficarão tapadas até ao final da celebração da Paixão em Sexta-Feira Santa; as restantes imagens só serão descobertas na Vigília Pascal. Significativo também deste clima novo é o uso, a partir da Segunda-Feira, do I Prefácio da Paixão em que se dá graças ao Pai pela salvação alcançada na árvore da Cruz.
Ocorrência:
Na Quarta-Feira (dia 19) ocorre a solenidade de S. José. Convidem-se os fiéis para a Eucaristia nesse dia festivo. Nessas Missas será bom incluir uma intenção pelos pais na Oração dos fiéis e mencionar S. José no lugar próprio da Oração Eucarística.
Leitores: 1ª Leitura - Não é difícil. Note-se que há uma palavra de valor que deve ser sublinhada: aliança.
2ª Leitura - Não é difícil. A primeira frase se for feita sem pausas ou cesuras, ficará mais expressiva. Na seguinte, pensar-se-á num ponto final em «sofrimento».
Sugestão de cânticos: Entrada: Fazei-me justiça, ó Deus, F. Valente, BML 50, 15; Lembrai-vos, Senhor, A. Oliveira, NCT 89; Do abismo em que vivo, BML 35, 10; Salmo Resp.: Dai-me, Senhor um coração puro, F. Santos, BML 45, 14; NCT 435; Aclam. ao Ev.: Se alguém estiver ao meu serviço, F. Santos, BML 45, 12; Ofertório: Ele foi trespassado, F. Santos, NCT 489; Comunhão: Se o grão de trigo, F. Santos, BML 60, 54; Somos o novo Israel, F. Santos, NCT 112; Fim: Salve, ó Cruz, M. Faria, NCT 117.
Vésperas II - F. Santos, BML 90, 56-60.
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