| Liturgia: | |||
8 de Dezembro
Leitura do Livro do GénesisGen. 3, 9... 20
Depois de Adão ter comido do fruto da árvore
proibida, o Senhor Deus chamou-o e disse-lhe: «Onde estás?»
Ele respondeu: «Ouvi o rumor dos Vossos passos no jardim
e tive medo, porque estava nu; e então escondi-me».
Disse Deus: «E quem te deu a conhecer que estavas nu? Terias
tu comido dessa árvore da qual te proibira de comer? O
homem respondeu: «A mulher que pusestes na minha companhia
é que me deu dessa árvore, e eu comi.» O Senhor
Deus perguntou à mulher: «Que fizeste?» E a mulher
respondeu: «A serpente enganou-me, e eu comi.» Disse
então o Senhor Deus à serpente: «Por teres
feito semelhante coisa, maldita sejas entre todos os animais domésticos
e todos os animais selvagens. Hás-de rastejar e comer do
pó da terra nos dias da tua vida. Estabelecerei inimizade
entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência
dela. Esta há-de atingir-te na cabeça, e tu a atingirás
no calcanhar.» O homem deu à esposa o nome de Eva,
por se haver tornado a mãe de todos os homens.
Salmo ResponsorialSal.
97
Cantai ao Senhor um cântico novo
pelas maravilhas que Ele operou.
Cantai ao Senhor um cântico novo, pelas maravilhas
que Ele operou. A Sua mão e o Seu santo braço Lhe
deram a vitória.
O Senhor deu a conhecer a salvação,
revelou aos olhos das nações a Sua justiça.
Recordou-Se da Sua bondade e fidelidade em favor da Casa de Israel.
Leitura da Epístola de S. Paulo aos Efésios
Ef. 1, 3...12
Meus irmãos: Bendito seja Deus e Pai de nosso
Senhor Jesus Cristo, que, lá dos céus, nos encheu
com toda a espécie de bênçãos espirituais
em Cristo. Foi assim que, n'Ele, nos escolheu, antes da criação
do mundo, a fim de sermos, na caridade, santos e irrepreensíveis
diante d'Ele. Destinou-nos de antemão a sermos Seus filhos
adoptivos mediante Jesus Cristo, por benevolência da Sua
vontade, para louvor da glória da Sua graça, com
a qual nos favoreceu em Seu Filho predilecto. Foi n'Ele também
que nos tornámos herdeiros. E, conforme o desígnio
de quem tudo realiza pela decisão da Sua vontade, nós
fomos previamente destinados a ser, para louvor da Sua glória,
aqueles que de antemão esperam em Cristo.
Aleluia, Aleluia:
Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco;
benditas sois Vós entre as mulheres.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo
segundo S. Lucas Lc.
1, 26-38
Naquele tempo, foi o anjo Gabriel enviado por Deus, a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma Virgem que era noiva de um homem da casa de David, chamado José. O nome da Virgem era Maria. Ao entrar onde ela estava, disse o Anjo: «Salvé ó cheia de graça, o Senhor está consigo. Bendita és Tu, entre as mulheres.» A estas palavras Ela perturbou-Se e ficou a pensar no que seria aquela saudação. Disse-lhe o Anjo: «Maria, não tenhas receio, pois achaste graça diante de Deus. Hás-de conceber e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-se-á 'Filho do Altíssimo'. O Senhor Deus dar-lhe-á o trono de Seu pai, David, reinará para sempre na casa de Jacob, e o Seu reinado não terá fim.» Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se Eu não conheço homem?» Respondeu-lhe o Anjo: «O Espírito Santo virá sobre Ti, e a força do Altíssimo Te cobrirá da Sua sombra. Por isso mesmo é que o Santo que vai nascer Se há-de chamar 'Filho de Deus!» E a Tua parenta Isabel concebeu também um filho, na sua velhice, e é este o sexto mês daquela a quem chamavam estéril, porque a Deus, nada é impossível.» Maria disse então: «Eis a serva do Senhor, faça-se em Mim segundo a tua palavra». E o Anjo deixou-A.
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2. Sendo assim, devem usar-se as orações e leituras próprias da Imaculada Conceição, mas com a seguinte ressalva: a Oração Colecta e a 2ª leitura do II Domingo de Advento devem ser, respectivamente, a conclusão da Oração dos Fiéis e a 2ª Leitura da Missa. Não se trata, pois, de interromper o Advento. Importa por isso que a celebração da Imaculada seja devidamente enquadrada na dinâmica e nas temáticas dominantes deste tempo litúrgico. Eis um aspecto a ter na devida conta, nomeadamente ao preparar a homilia e alguma eventual monição.
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A serpente, o primeiro «mestre da suspeição» insinuou no coração humano a dúvida acerca do amor do Criador: Deus teria inveja de que o homem se tornasse como Ele e por isso queria mantê-lo na ignorância... E o homem deixou-se seduzir pela a ilusão de ser o deus de si mesmo: é o pecado original.
Em toda a sua vida, Maria aparece-nos imune a esta suspeita e perversão do desejo. Por isso a Igreja a declarou «imaculada». Desde a sua conceição ela é de algum modo iluminada pelo fulgor dAquele que dará sentido a toda a sua vida: Jesus. Nela já começou a nova criação, renovada pela Salvação trazida por Cristo: os novos céus e a nova terra.
1. «Ave Maria, cheia de graça!» (Evangelho)
São Lucas vê no anúncio do Anjo a Maria o cumprimento das promessas feitas por Deus no Antigo Testamento, nomeadamente a David (cf. 2 Sam 7, 14.16; 1 Cr 17, 12-14) e a Jacob. Tal como Mt 1, 18-25, também aqui se recorda que Jesus pertence à linhagem de David pela parte de José (v. 27). Por sua vez, no diálogo de Maria com o Anjo, explicita-se o cumprimento do oráculo de Is 7, 14, citado expressamente em Mt 1, 23: uma virgem, permanecendo tal, dará à luz um filho.
Limitamo-nos aqui a sublinhar a expressão «cheia de graça», inserida na saudação do Anjo. Esta tradução simplifica o valor e a carga do original grego. Trata-se, com efeito, dum passivo dito «teológico», porque supõe como sujeito subentendido o próprio Deus: «Alegra-te (Ave), Maria, Deus encheu-te de graça!». Esta saudação ilumina, assim, o mistério que hoje celebramos: na raiz desta vida totalmente «imaculada», está a iniciativa do amor de Deus. E Maria, assim «repleta de graça», disponibiliza-se inteiramente para a realização do desígnio que lhe é anunciado.
O cumprimento das promessas é obra de Deus e não do homem. Entretanto, a participação humana, aqui representada pela aceitação de Maria, é insubstituível. «Nunca como então, na história humana, tanto dependeu do consentimento da criatura humana!» (TMA 2).
2. «Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher»
O capítulo 3 do Génesis exprime a convicção de que a condição humana, tal como então se experimentava, era uma participação no castigo merecido pelo primeiro pecado. Entretanto, a liturgia de hoje não se quer deter no «crime e castigo», mas antes na promessa de salvação encerrada no v. 15 (o chamado «Protoevangelho»): uma mulher com a sua descendência triunfa sobre a serpente (veja-se a iconografia cristã).
A interpretação não depende do tempo da composição do texto. Contudo, se aceitarmos a hipótese de datação que situa este relato na época do exílio (século VI a.C.), o v. 15 pode considerar-se uma releitura de Is 7, 14. A mulher é então uma pessoa bem definida: a esperada Mãe do Messias. Em todo o caso, é assim que aparece à luz do NT, onde Maria é designada com o nome de «Mulher» (Jo 2, 4; 19, 26) e, sobretudo, de toda a tradição cristã (cf. o binómio Adão-Eva e Jesus-Maria).
3. O tempo de «paciência» de Deus (2ª Leitura: 2Pe 3, 8-14).
O tempo vai passando e nunca mais chega o Dia do Senhor. A esperança começa a vacilar. Pedro vem ao encontro da dificuldade. Em primeiro lugar é preciso ter cuidado em aplicar a Deus as nossas categorias temporais: em Deus não há tempo; não há demoras nem pressa. Depois, Ele mesmo vai servir-se do tempo. Se no-lo proporciona é um sinal da sua «Paciência»: Ele quer proporcionar-nos o tempo suficiente para a nossa conversão. É o seu amor.
Mas o Senhor vem mesmo. E vem de surpresa. Como um ladrão que não se faz anunciar. Esta é a nossa fé que há-de provocar a adaptação da vida. Acabará o tempo e também o espaço. Novos Céus e Nova Terra hão-de surgir. É preciso estar preparado. Não esquecer que, de facto, caminhamos para o Senhor que vem. Procurar a santidade, a comunhão com Deus no esforço por fazer nossa a Sua vontade.
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