A juventude de quase toda a Diocese e uma boa homilia de D. João Miranda, bispo auxiliar, salvaram a celebração do Domingo de Ramos na Sé Catedral do Porto: era Dia Mundial da Juventude!
No átrio da Casa Episcopal decorreu, pelas 10,30 horas, de Domingo, a bênção dos ramos, com apresentação de símbolos de 22 vigararias da Diocese, de acordo com a sua realidade social. Com naturalidade e conteúdo, os jovens foram apresentando a sua reflexão sobre a temática da mensagem do Papa.
Depois, seguiu a procissão em direcção à Catedral que se encheu de jovens. No fim, os representantes de cada Vigararia receberiam do Bispo uma Cruz, num apelo a assumirem os problemas de cada dia na perspectiva libertadora que vem da Redenção de Cristo.
Na homilia, D. João Miranda lembrou
que Cristo foi «sinal de contradição»,
assumindo a condição de servo, obediente a Deus
que depois O exaltou. E apelou a que, como Paulo, se viva a experiência
humana sem ter medo da humilhação e da cruz, olhando
para Cristo aclamado mas logo a seguir preso, adorado ao longo
de vinte séculos mas também ofendido condenado e
esquecido. Jesus abraçara a dor e a morte, o que há
de mais comum na vida das pessoas, para que pudesse ser entendido
por todos. E ordenou à Igreja que repita sacramentalmente
essa oblação: «Fazei isto em memória
de mim». E que se converta aos caminhos de sofrimento
e Cruz: «Se o grão de trigo não morrer...
Quem quiser ser Meu discípulo, tome a sua cruz todos os
dias e siga-Me».
Onde moras?
D. João seguiu depois a Mensagem do Papa, insistindo que, para conhecer Jesus, será preciso ir onde Ele está e vive, ou seja, «onde os homens e mulheres sofrem, nas pequenas aldeias, como nas imensas metrópoles»: «O seu rosto é aquele dos mais pobres e marginalizados, vítimas de um injusto desenvolvimento que põe o lucro em primeiro lugar e faz do homem um meio em vez de um fim».
Acrescentou D. João que Deus «também mora» no meio dos que O invocam sem O terem conhecido, ou então O perderam, ou ainda O procuram de coração sincero. E mora ainda entre os marcados pelo nome cristão, nas comunidades, movimentos e associações, e sobretudo «na mesa eucarística».
E D. João concluiu com apelos a uma Pastoral da Juventude que inclua «um primeiro anúncio, a busca das razões de crer, a experiência da Fé, a integração na comunidade e o testemunho» e que implique «a experiência de viver com Cristo e encontrá-Lo nos caminhos do mundo». Em termos bem claros, D. João apelou ao testemunho no meio das dificuldades de um mundo que prescinde de Deus e atira a liberdade religiosa para o foro das consciências. «Livres, mas responsáveis», com a liberdade que Cristo conquistou: «A minha vida ninguém ma toma, sou Eu que a dou».
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