Um padre e um diácono foram ordenados no Domingo por D. Júlio Rebimbas, arcebispo-bispo do Porto, que instituiu nos ministérios laicais dois acólitos e quatro leitores.
A presença de três dezenas de padres, do cabido catedral e de uma multidão de fiéis fez do 1º domingo da Quaresma um dia esperançoso para a Igreja do Porto. D. Júlio associou-se à festa ambiental apontando alguns elementos que fazem desta uma grande diocese, não apenas em termos numéricos mas de qualidade de sinais reveladores de que a Fé cristã chega à realidade social.
O novo padre - Artur Silva Soares - é oriundo de Ermesinde (Missa Nova no domingo, às 11 horas) e o novo diácono - Augusto Moreira Vieira - de S. Nicolau, Marco de Canaveses, ordenado para serviço da Diocese nos Missionários do Sofrimento, em Corim, Águas Santas. Com 49 anos, o Diác. Augusto trabalhou como camionista durante 13 anos, estando há outros treze na instituição diocesana fundada em 1969 pelo P. Domingos, beneditino, para apoio de idosos e doentes. Mal ficou viúvo, decidiu realizar o sonho de infância, ser padre, apesar de, então, ter apenas a 4ª classe. Estudou em Penafiel, no Porto e depois na Universidade Católica.
Foram instituídos como acólitos:
Manuel Fernando, de Bairros, Castelo de Paiva, e Ricardo Matos,
de Alfena, Valongo. E como leitores: A. Pereira Pinto, de Constance,
Marco de Canaveses; Emanuel Bernardo, de Fornos; e Hermínio
Pinto, de Alpendorada; bem como Mário Sousa de Melo, de
S. Martinho de Recesinhos, Penafiel.
Igreja viva
D. Júlio lembrou, na homilia, o que foi para o povo de Deus a travessia do deserto, como experiência «de completa dependência de Deus» e também como tentação de «voltar para o Egipto». E disse depois que o tempo da Quaresma permite «abrir os olhos às necessidades dos irmãos mais carentes, criando tempos de solidariedade para com os sem-casa, os desalojados e reconhecendo o direito à família de ter espaços dignos de vida».
Com o entusiasmo de quem tudo fez na esperança de que a Igreja cumpra a sua missão, unindo Fé e caridade, D. Júlio salientou que esta Diocese «não anda no mundo por ver andar os outros», mas vive nas suas circunstâncias, mede as suas possibilidades e «se tiver um copo meio de água, não se põe a gritar que morre à sede, só porque não tem o outro meio». E acrescentou que «esta Igreja do Porto está viva» nos seus diversos sectores, desde as universidades, institutos, seminários, casas religiosas, escolas, movimentos e obras, e mostra-se viva também nos jovens que «emergem da planície dos homens, como rebentos de oliveira, para servir o Senhor e os irmãos na Igreja de Jesus Cristo». E acrescentou que «não terão desemprego, nem se lhe encurtará a reforma para os 40 anos», pedindo-se, também hoje, uma doação total, mas «há jovens e continua a haver coragem».
Perguntando por que há gente que tão pouco olha para o que vai nascendo, o Arcebispo-bispo do Porto falou de leigos empenhados, das visitas pastorais, das novas igrejas e centros paroquiais, do semanário diocesano «VP» com mais de 12 mil leitores, de boletins com mais de 50 mil de tiragem, de duas páginas semanais em diários do Porto, da Rádio Renascença, dos candidatos ao ministério presbiteral, dos seminários e pré-seminário... «Bendito seja Deus!».
E, lembrando as terras donde vieram e para onde vão ser enviados, os que foram ordenados e instituídos, concluiu acrescentando: «E notem bem o que vou dizer para terminar e o que isto quer dizer e onde nos deve levar: Há aqui um futuro novo. Deus está presente no meio de nós. Maria é Mãe desvelada. Por isso, vamos continuar. Sem medo».
| Primeira Página | Página Seguinte |