
O ano Dois Mil é a oportunidade sugerida pelo Papa para assinalar com a marca de Cristo Redentor o tempo que vivemos e à Igreja competirá consegui-lo, fazendo que tal data represente sobretudo uma mais profunda vivência cristã. Para além de eventuais manifestações mundanas importa assinalar que passam dois mil anos da vinda de Cristo, o Filho de Deus.
Às Portas do Terceiro Milénio
Nos passados dias 26, 27 e 28 de Outubro, o Secretariado Diocesano de Liturgia organizou umas Jornadas de reflexão, na Casa Diocesana - Seminário de Vilar, sobre a preparação do Jubileu, para leigos, religiosas e padres. Participaram mais de 1 000 leigos, cerca de 200 religiosas e 200 padres e diáconos. Orientou a reflexão o Ex.mo e Rev. mo Senhor D. Julián López Martín, bispo de Ciudad Rodrigo e Doutor em Teologia Litúrgica. Os temas das Conferências foram: 1. Um ano de graça do Senhor: o Jubileu do ano 2 000; 2. Cristo, o mesmo ontem, hoje e sempre: Memória e Celebração; 3. Triénio orientado para a Celebração do Mistério de Cristo Salvador: o programa específico da preparação.
O Jubileu - conforme afirmou - deverá confirmar, nos cristãos de hoje, a fé no Deus revelado em Cristo, sustentar a esperança, projectada na perspectiva da vida eterna, reavivar a caridade, comprometida activamente no serviço dos irmãos.
A celebração do Jubileu compreende três fases: ante-preparatória (que se conclui este ano); preparatória (os três próximos anos e que se inicia com as primeiras Vésperas do Advento) e a propriamente celebrativa.
Na primeira fase, importa sensibilizar o povo cristão para que tome consciência da importância do que vai celebrar no Jubileu e, ao mesmo tempo, despertar as atitudes cristãs fundamentais, a começar pelas virtudes teologais: Fé, Esperança e Caridade.
O Santo Padre, na Carta Tertio Millennio Adveniente, apresenta o programa geral desta preparação, a fim de ser assimilado, trabalhado e aplicado a cada Diocese. Esse programa é constituído por tríades ou triologias de conteúdos ou temas múltiplos e entrelaçados: a) de perspectiva teológica: Por Cristo, no Espírito Santo, ao Pai e com Maria; b) de perspectiva liturgico-sacramental: Baptismo, Confirmação, Penitência a caminho da Eucaristia, em conexão com a dimensão cristologico-trinitária; c) de perspectiva teologal-moral: Fé, Esperança e Caridade; d) de perspectiva pastoral: propostas diversas integradas nas anteriores triologia: Palavra de Deus, catequese, ecumenismo, obediência eclesial, diálogo com o mundo, justiça social.
Para a elaboração de um programa diocesano, deu algumas sugestões oportunas, como a indispensável participação do Presbitério e de outros sectores do Povo de Deus, Conselhos Pastorais, Organismos pastorais, etc.; assumir os planos pastorais existentes e insuflá-los do espírito da proposta do Santo Padre; entretanto, integrar necessidades e carências, formular critérios, prioridades e estratégias e assinalar acções e garantir avaliações; propor uma programação ampla de modo a ser concretizada e adaptada em instâncias inferiores: vigararias, paróquias, comunidades, movimentos, etc.; oferecer serviços de formação: cursos, assembleias, documentação variada, catequese a vários níveis, subsídios para a celebração e sugestões para a acção; estabelecer um programa concreto para cada ano de preparação (objectivos e acções): materiais para catequese, sugestões para a homilia, subsídios para a celebração dos tempos litúrgicos, festas do Senhor e da Santíssima Virgem; sugestões concretas para a piedade popular (novenas, devoções, etc.), bibliografia para encontros de reflexão e de oração, atendendo ao carácter específico desses encontros (família, jovens, vocações, pastoral socio-caritativa, etc.).
O Jubileu será um tempo dedicado a Deus, que: actualiza o acontecimento da Incarnação; tem uma dimensão libertadora integral do homem, tanto no plano humano-social, como no plano espiritual; tem uma dimensão simbólica - tempo significativo, adequado às medidas do tempo dos homens, mas embebido da presença e acção salvíficas de Deus.
Segundo o Santo Padre, o Jubileu pretende suscitar sensibilidade ao Espírito (no que diz à Igreja e às Igrejas e aos indivíduos), ser a nova primavera suscitada pelo Concílio, tempo de alegria e acção de graças, de conversão e purificação e o seu objectivo é o fortalecimento da fé e do testemunho dos cristãos, para a glorificação da Santíssima Trindade.
| S.D.L. |
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