Forum:

RECORTE

Temos bispo

«O novo bispo do Porto é uma agradável surpresa. Afinal D. António Ferreira Gomes ainda está vivo. A entrevista de D. Armindo Lopes Coelho à TSF é a prova disso. E não foi certamente por acaso que o prelado escolheu Manuel Vilas Boas, da TSF, para dizer o que lhe vai na alma. Mas antes de analisar as suas declarações vale a pena perguntar: onde estava este homem? Porque é que durante tantos anos quase ninguém ouviu falar do bispo de Viana dio Castelo?

Haverá certamente múltiplos factores para explicar a falta de visibilidade deste tímido senhor que agora regressa de uma travessia do deserto. Viana fica na faixa marítima. Além disso, seria errado falar dos efeitos da interiorodade porque há bispos, como o de Bragança, por exemplo, cujas inenarráveis homilias têm geralm,ente grande eco mediático. Mas convém lembrar que, sendo embora um distrito litoral, Viana tem os índices económicos das zonas pobres do interior. Foi este território que coube a D. Armindo pastorear quando D. António resignou e os seus auxliares se dispersaram pelo País. Mas ao regressar à Invicta, D. Armindo provou que continua a ser um homem frontal. De ideias claras e espírito aberto.

Na melhor tradição portuense, o novo bispo disse o que tinha a dizer sem olhar às consequências. A sua crítica a instituições da Igreja é tão forte como o testemunho da sua fidelidade ao Papa. Pragmático nos seus dogmas, revela-se ao mesmo tempo um intelectual avesso a ideias feitas. Apesar de ter algumas. Mas o fundamental é que D. Armindo mostra a abertura possível ao mundo moderno. E sobretudo à realidade da diocese. O sotaque acentua-lhe perfil. É o homem certo no momento certo. E se, em Viana, D. Armindo só tinha um púlpito, agora, no Porto, passa a ter um palco. O palco de D. António. Não para fazer política. Mas também. Se for preciso!...»
Carlos Magno,
in Diário de Notícias (21.6.97)
Início


OLHO CRÍTICO

Separação dos lixos domésticos

Esta imagem não é da cidade do Porto. Oxalá pudera ser. A cidade do Porto deve ser das poucas em Portugal onde ainda não existem recipientes próprios para os diversos tipos de lixo, nomeadamente para papel, para plásticos, para metais, para pilhas. Apenas temos os vidrões, úteis mas frequentemente descuidados, quer por parte dos cidadãos (é frequente ver sacos de garrafas encostadas aos recipientes), quer por falta dos serviços (é frequente ver recipientes repletos durante dias). Sabe-se que noutros países, onde se preza mais o ambiente, os próprios lixos domésticos devem ser separados. Entre nós, ainda não chegamos a tal requinte. Mas que ao menos as câmaras municipais vão educando os seus munícipes para o hábito de colaborar na racionalização do tratamento dos resíduos. Somos um povo ainda com insuficientes hábitos de limpeza. Razão pela qual as nossas ruas estão frequentemente sujas, desde o cocó dos animais até aos sacos de plástico e às cascas de banana, para já não falar das pontas de cigarro que os senhores fumadores atiram das janelas dos automóveis e de outros locais, sem se preocuparem sequer onde caem e se queimam quem passa.

Uma cidade boa para viver não se faz só com patrimónios mundiais nem com cascatas sanjoaninas ou vasos de manjericos, por muito bonitas que sejam umas e odorosos os outros. Faz-se, tem de ser feita com uma persistente e quotidiana atenção e educação para os hábitos cívicos dos moradores. Alguém tem de assumir esta tarefa profiláctica, tanto dos corpos, como sobretudo das mentes.

NOTA: Esta observação do "Olho Crítico" não se inscreve na guerra dos cartazes recentemente acendida entre forças políticas. É apenas um reparo, irmão de outros que vieram e virão.

Início


Primeira Página Página Seguinte