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Vindo das nove regiões franvesas,
os quase mil jovens adultos (18-30 anos) da imigração,
representavam quarenta e uma origens culturais. Mais de 90% tinham
a nacionalidade francesa. Pela primeira vez, e por iniciativa
da Comissão Episcopal Francesa das Migrações,
os representantes desta juventude tomaram a palavra. Com cânticos,
sorrisos abertos e muita seriedade contaram em público
e uns aos outros a vida, a memória, os sofrimentos, as
alegrias e as esperanças do seu povo; falaram do povo dos
que um dia foram empurrados para terra alheia e que ali fundaram
família, construiram riqueza, deram corpo a uma sociedade
que continua a fechar os olhos e à espera que «lhe
metam medo» com a ameaça do estrangeiro e do diferente.
«Viver-juntos»
Encontro de cristãos, foi para
esses jovens uma ocasião de manifestarem a recusa da amálgama
constante que identifia imigrante com sem papéis, africano
com delinquente,muçulmano com terrorista-bombista. «Todos
diferentes, todos juntos, construtores de fraternidade»
era o tema de «Jovens Pentecostes 97».
No decorrer deste fim de semana de Pesntecostes, ali bem perto
da Gruta de Lourdes, onde Maria se dirigiu à pobre Bernardette,
tratando-a «como uma pessoa», ouviram-se palavras
fortes de Polacos, Cabo-Verdianos, Zairenses, Vietnamitas (e quantos
outros!...) todos de acordo para afirmarem que a cidadania
francesa não é incompatível com o desejo
de resdescobrir as suas próprias raízes e a
vontade de as defender. Ali se afirmaram como homens e mulheres
jovens, comprometidos na construção de um viver-juntos
que seja fonte de humanização e não de animalidade
ou de exclusão. São pretos, amarelos e brancos,
mas nenhum deles rejeita a França. Pena é, reconheceram-no
muitos, que esta realidade seja ignorada ou ocultada pelo debate
relativo à imigração. Os homens políticos
preferem aderir (quando não se alimentam...) aos medos
e aos fantasmas da opinião pública.
Uma igreja de jovens
Na mensagem final dirigida à
juventude de França e aos 200 mil que, em Agosto, virão
juntar-se ao Papa para as Jornadas Mundiais da Juventude, os jovens
da imigração quiseram testemunhar o Espírito
que os anima, que os precede nos corações de tantos
jovens de outras culturas e religiões (participaram no
Encontro cerca de trinta muçumanos e uma dezena de budistas
e hinduístas. «Convosco queremos dar testemunho
de uma Igreja e de uma sociedade enriquecidas com as nossas diferenças
e as nossas semelhanças. É no Espírito Santo
que hoje cada um pode dizer ao seu próximo: Já
não és um estrangeiro, nem um imigrante, pois
somos todos membros da família de Deus».
No encontro com «o estrangeiro»
Algumas dezenas desses jovens eram portugueses,
ou franco-portugueses ou luso-descendentes, ou binacionais ou...
«Jovem», como dizia o José Luís,
de 26 anos, chegado a França com 18 meses, «orgulhoso
pelas raízes que são as minhas e que me levam a
partilhar a minha história e a da minha família
com outros luso-descendentes ou de outras culturas. A nossa
juventude está profundamente marcada pela dupla cultura,
a francesa e a portuguesa. São as chamas que aquecem
a minha vida e não posso aceitar que venham a apagar-se.
Estou cada vez mais consciente de que aquilo que sou, as riquezas
de cada uma das culturas devo partilhá-las... porque elas
me constroem como homem. No início, viver longe do seu
país é uma espécie de alienação
- pensa-se constantemente no regresso. Com o tempo, descobre-se
que em terra de imigração, com tanta gente de tantas
culturas diferentes, o ideal que deve procurar-se é o da
descoberta de uma identidade, de uma dignidade de homem que
se forja no encontro com o outro, com o que é diferente
de mim, com o próximo que Deus põe no meu caminho
através da história de imigração da
minha família».
Uma lição de fraternidade
Com um certo humor, um jovem cigano da região de Saint-Etienne resumia, à sua maneira, o espírito do encontro: «Pelo menos aqui ninguém olhou de esguelha para mim...». De facto, estas centenas de jovens revelaram uma outra maneira de viver juntos, uma vontade de trabalhar na construção de uma sociedade mais aberta em que o homem vale pelo que é - «Filho de Deus» e não pelas etiquetas, pela fama ou «difamação» que lhe põem nas costas.
Na homilia da celebraçao de Pentescostes, D. João-Charles Thomas, bispo de Versalhes e presidente da Comissão Episcopal das Migrações, incitou os jovens a ocuparem orgulhosamente o seu lugar de filhos da imigração na Igreja e na Sociedade. Que o fizessem: «à maneira dos Apóstolos, que tinham idades muito próximas dos 18-30 anos, e que no dia de Pentecostes começaram a Igreja... na rua, nas praças públicas, no mundo dos homens».
| J. Coutinho da Silva |
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De Angola, chegou-nos uma carta do P. Matumona, pároco da Sé, que estudou na Universidade Católica, Porto, foi jornalista no Jornal de Notícias e trabalhou na paróquia de Cedofeita. Em Março tinha solicitado alguma ajuda para as obras de reparação da Sé, mas em 20 de Abril «a situação alterou-se completamente...». E junta agora o comunicado que o Bispo D. Francisco de Mata Mourisca fez a todas as paróquias, centros de Catequese e a todos os fiéis e amigos da Diocese, pois a Catedral ardeu! Nas páginas da «VP» vai esse apelo «à comunhão das Igrejas».
O alerta foi dado pela Guarda nocturna batendo desesperadamente à porta das Irmãs reparadoras, das do Bom Pastor e do Paço. Acudiram os Bombeiros mas, por total falta de meios, nada puderam fazer, senão ajudar a salvar ainda alguns objectos religiosos. Correu-se à UNAVEM, mas também sem resultado. E esmagados pela incapacidade de dominar aquele espectáculo neroniano, com heróico esforço tentámos ir dizendo um terrivelmente doloroso fiat voluntas tua.
De manhã, ao chegar o Povo de Deus para a Missa dominical, começou o óbito solene. Aqui lágrimas, ali soluços, acolá rostos contraídos de dor. Todos tinham razão: a igreja-mãe da Diocese, a Sé Catedral, tinha morrido queimada, sem ninguém lhe poder valer. E o cortejo fúnebre continua, já lá vão vários dias. A toda a hora chegam e entram pessoas para contemplarem, atónitas, o cadáver carbonizado da Sé Catedral do Uíje!
Dois graves problemas se nos apresentam agora. O primeiro, é onde encontrar um lugar para o culto dominical. Havia três Missas na Sé ao domingo, e todas elas apinhadas de fiéis, que se acotovelavam até fora das portas. O segundo problema, e sem dúvida o mais intrincado, é como reconstruir aqui, nestes tempos, uma catedral! Mas, custe o que custar, tem que ser reconstruída, e mais ampla, mais bela do que antes.
Sendo a Sé Catedral a igreja-mãe da Diocese, é de esperar que todos os seus filhos e filhas se prontifiquem a colaborar na sua digna reconstrução, o que já começou a acontecer com dádivas oferecidas até Luanda. Para isso, rogo a quem de ofício que seja criada, quanto antes, uma Comissão Central no Uíje, uma Comissão Paroquial em cada Missão ou Paróquia, e uma Subcomissão em cada bairro. Instruções ulteriores serão dadas oportunamente sobre o orçamento, as obras e a colectação necessária.
Peçamos à Senhora da Conceição, Padroeira da Sé Catedral do Uíje, que nos ajude a reconstruir, corajosa e dignamente, o primeiro templo da Diocese. Assim o esperamos, assim o faremos.
| Uíje, 24 de Abril de 1997, Francisco de Mata Mourisca, Bispo do Uíje |
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Nascido no início do século XIX, este catalão foi uma personalidade multifacetada, distinguindo-se como sacerdote, pregador popular, arcebispo em Cuba, confessor real da Rainha Isabel II, padre conciliar no Vaticano I, escritor de mais de cem obras, e, acima de tudo, missionário. Canonizado em 1950, por Pio XII, este santo espanhol, esteve na origem de uma congregação que tem procurado viver o carisma que sempre o animou: o ministério da Palavra, em resposta às necessidades mais urgentes, com os conteúdos evangélicos mais oportunos e os meios mais eficazes. "Devemos ser na Igreja auxiliares activos dos pastores no ministério da Palavra, utilizando todos os meios ao nosso alcance para estender a Boa Nova do Reino", diz-se no nº 6 das Constituições da Congregação.
A Congregação Claretiana tem cerca de três mil membros, em 50 países, trabalhando a maior parte na missão "ad gentes". A Província Portuguesa, criada em 1956, tem cerca de 80 membros. Uma dezena de claretianos trabalham nas missões em Angola e S. Tomé e Príncipe.
O apostolado desta Congregação é reconhecido entre nós principalmente pela educação cristã através do ensino nos Colégios dos Carvalhos, Porto, e Pio XII em Lisboa. A pastoral da saúde e a orientação de paróquias nos centros suburbanos e urbanos do Porto, Viseu, Lisboa, Setúbal e Algarve, são outras áreas a que se dedicam, mantendo ainda a tradição claretiana do serviço missionário da Palavra, através das missões populares e de retiros espirituais.
O regresso a Angola em 1992 e o trabalho missionário em S. Tomé e Príncipe, que tem conhecido um assinalável surto vocacional, são o grande desafio missionário "ad gentes" a que a Província Portuguesa tem procurado dar resposta.
Na diocese do Porto os missionários Claretianos encontram-se nas paróquias da Areosa (Porto) e Pedroso, V.N.de Gaia; dirigem o Colégio dos Carvalhos, que tem cerca de dois mil alunos, e o Seminário do Coração de Maria, ambos na freguesia de Pedroso.
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