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Do programa da sua estadia fazia parte um encontro com as comunidades Indonésia e timorense, na Embaixada da Indonésia junto da Santa Sé, na grande maioria padres e religiosas que se encontram em Roma para estudar. O jornalista da Rádio Vaticano encontram disparou a pergunta: O que é que lhes vai dizer? A resposta veio directa, sem qualquer hesitação (citamos textualmente):
«Tenciono dizer que lutar pela paz não é só questão do povo de Timor, ou do bispo de Timor. Mesmo na Indonésia os cristãos, os religiosos, as religiosas, os bispos, têm de lutar também pela justiça e pela paz. Não é só em Timor que há abusos contra os direitos humanos. Na ilha de Java, na ilha de kalimantan (Bornéu), em Sumatra, em Irian Jaya... há muitos abusos, peca-se contra a dignidade humana. Convém que os bispos, a Igreja, na Indonésia, falem, que tenham mais ousadia para denunciar estas situações de exploração do homem pelo homem. E sobretudo sair do medo, do sentimento de inferioridade, para falar, para ser mais profetas.»
Há uns bons anos atrás, numa entrevista
ao Padre António Rego, Ximenes Belo, já administrador
apostólico de Dili, autodefinia-se como «um pobre
missionário». Interrogado agora sobre o mundo
actual de conceber a sua missão, o prémio Nobel
da Paz declara continuar a considerar-se missionário. E
isso, explica, por duas razões. Antes de mais porque Timor
continua a ser terra de Missão. Aliás, sublinha,
costuma passar pouco tempo em Dili: anda sempre em viagem através
das aldeias, das estações missionárias, das
paróquias, «para marcar presença».
Mas a situação actual veio acrescentar uma segunda dimensão à sua condição de bispo: «Agora, com a concessão deste Nobel da Paz, terei sem dúvida a oportunidade de ser missionário da Paz».
Refere mesmo ter recebido já uns 30 convites, de todos os continentes, para participar em reuniões, presidir a Eucaristias, Seminários, reflexões de estudo... «Vou ver como é que vou combinar o serviço na diocese e ao mesmo tempo atender estes convites, para fazer chegar ao mundo os valores espirituais, religiosos e morais».
Uma percepção alargada, portanto, da sua missão. O que não o impede de voltar sempre a recordar, incansavelmente, a situação do seu povo de Timor. Convidado a comentar o tema do Jornada Mundial da Paz de 1997, D. Ximenes Belo recorda a validade universal do tema proposto. «Oferece o perdão, recebe a paz». mas logo passa a recordar que a questão é de toda a actualidade em Timor Oriental. E menciona uma vez mais as perguntas que lhe dirigem os jovens que perderam os pais, as mulheres que perderam os filhos ou os maridos, os que testemunharam crueldade ou delas foram pessoalmente vítimas. Como podemos perdoar a quem tanto mal nos fez? E é daqui que reparte, com toda a densidade, com todo o realismo, o anúncio do Evangelho do perdão e da Paz.
Perguntam-lhe se vislumbra perspectivas de uma evolução positiva para o caso de Timor. Diz que não. Confessa-se pessimista, e justifica-se: «Eu vivo lá no território. A Indonésia recebeu mal a notícia do Prémio Nobel da Paz. Isto, em vez de ajudar a Indonésia a abrir mais as perspectivas, para um diálogo, levou-a a fechar-se em si própria.» Mas reconhece que ao menos agora muitas pessoas ficaram a conhecer, em todo o mundo, onde fica Timor, e qual é a questão. Acha que nesse sentido o Prémio Nobel pode vir a ajudar a causa timorense, como aliás - recorda - tinha começado a acontecer com a viagem do Papa, há sete anos atrás. Afirma-se grato pelo interesse pessoal que João Paulo II tem mantido pelo povo e pela Igreja de Timor Oriental. O mesmo não se poderia dizer, ao menos até há pouco - considera D. Ximenes - da Cúria Romana e da Igreja Católica no seu conjunto («decerto por falta de conhecimento da realidade», tenta justificar).
| Pacheco Gonçalves |
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A enorme maioria das pessoas do mundo terá razões para desejar um ano melhor, porque, de um modo ou de outro, quase todas tiveram de suportar o peso da dôr física ou moral. Mas não falo tanto das que sofreram individualmente, no corpo ou na alma, a cruz da doença, da ingratidão, da injustiça, ou do esquecimento, cruz que não conhece classe nem estado social. Falo sobretudo dessas grandes massas de gente para quem o ano que passou foi tempo de inferno vivo, criado pela loucura dos homens. Falo dos milhões de refugiados, conhecidos e dos anónimos, condenados a errar sem destino e sem futuro, pelos novos corredores e campos da morte. Falo dos milhares de vítimas de conflitos locais ou regionais, que não diminuíram no ano que acabou, e dos milhares de vítimas directas e indirectas dessa praga do nosso tempo que é a droga. Falo dos milhões de vítimas do desemprego, nascido não apenas da evolução tecnológica mas também da desumanidade de uma economia que só conhece a lógica do lucro a qualquer preço.
É certo que um cristão tem sempre razões teológicas para ter esperança. Mas no princípio deste novo ano, não são muitos os motivos para estarmos optimistas. Se é verdade que ninguém pensa hoje numa guerra global, nuclear ou clássica, todos nos damos conta da ameaça permanente de conflitos que, nem por serem localizados, deixam de fazer perigar a paz do mundo e de renovar, de forma dramática, todos os horrores da guerra. A tragédia dos refugiados, novos ou antigos, não diminuirá de intensidade. A luta contra a droga não será ganha. O combate ao desemprego não terá verdadeiro sucesso. Para milhões de pessoas no mundo - e não estou sequer a pensar nas manifestações comuns de sofrimento físico e psicológico - este novo ano será profundamente sombrio.
Não se trata de vaticínios: é apenas o prolongamento de uma realidade que uma simples mudança de ano não consegue, só por isso, impedir. Enquanto não mudar o coração dos homens não será a mudança de ano a mudar rosto do mundo.
| António José da Silva |
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As comunidades de S. Cristóvão do Muro e de N.ª S.ª da Assunção de Alvarelhos apresentaram ao Crisma, no dia 14 de Dezembro, respectivamente 25 e 15 jovens em celebração a que presidiu D. Gilberto, bispo auxiliar, pelas 18 horas, na paróquia do Muro.
No dia seguinte, pelas 11 horas, foi a vez de S. Martinho de Bougado de que foram crismados 83 fiéis; e, à tardinha, S. Tiago de Bougado que apresentou ao Crisma 70 jovens.
A toda esta gente nova que quer viver como adulta na Fé, D. Gilberto lembrou que a fidelidade ao Espírito trará como consequência uma vida em alegria e de serviço à Igreja e ao mundo. E apontou a preparação Ano Jubilar como um tempo especial em que tais qualidades podem ser postas à prova.
Após dez anos de Catequese, as comunidades a que presidem os padres Manuel Santos, Aires Amorim, Joaquim Ribeiro e Armindo Gomes, justificadamente esperam de todos os que agora foram crismados a coerência de uma clara atitude de vida cristã.
E, de facto, um tempo novo poderá surgir numa região que está a dar vigorosos passos para institucionalizar a Catequese de adultos. São cerca de cinquenta as pessoas que estão a preparar-se para serem «os catequistas», em encontros que contaram com a participação de D. Gilberto e de D. Manuel Pelino, bispos auxiliares. Esses candidatos a catequistas vieram de cada uma das paróquias e agora vão elaborar um guião, abrindo-se depois um período de matrículas.
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