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E contudo o papa recebeu Fidel Castro e irá a Cuba no próximo ano. Há quem se surpreenda, quem tenha observações a fazer. esboça-se uma leitura apressada e parcial dos factos, ignorando muitos dos dados da questão.
Vale a pena ver mais de perto o modo como a Igreja católica local e a Santa Sé tem agido, ao longo dos anos, no caso de Cuba, pois este é, na verdade, um caso 'exemplar» do esforço de não perder nunca de vista o bem-comum de toda a população e de adoptar uma atitude realista e pedagógica que ajude a desbloquear uma situação ainda demasiado intrincada.
Já em 1989 Fidel castro convidara João Parlo II a visitar Cuba. Se essa visita demora sete anos a concretizar-se, não foi por menos desejo da parte do Papa de realizar tal deslocação, mas sim porque só agora se vão criando finalmente as condições para tal. Muitos passos foram dados entretanto.
Em 1990, Fidel deslocou-se à sede da Conferência Episcopal cubana para se encontrar com os prelados do país, que alguns meses depois solicitaram publicamente uma lei sobre a liberdade religiosa. Em 1992, o parlamento adopta uma modificação à Constituição: o Estado cubano deixa de ser «ateu», passando a ser designado simplesmente como «laico». Em 1994, o Papa escolhe para Cardeal o arcebispo de Havana, D. Jaime Ortega y Alamino, que se torna no grande artífice de uma gradual normalização - ainda em curso - das relações entre a Igreja e o Estado.
O Cardeal Jaime Ortega conheceu bem a repressão, pois esteve também retido, em 1996, nos «campos de trabalho», criados para a «reeducação» dos que eram tidos como menos fiéis ao regime (muitos cumpriram aí penas de 10 anos). Actualmente a Igreja Católica cubana, com seis dioceses e 11 bispos, conta apenas com 200 padres e 200 religiosas, numa população de 11 milhões de habitantes. E continuam a ser quase sistematicamente negados os vistos de entrada para missionários estrangeiros.
A Igreja sempre exprimiu formalmente o seu desacordo com o bloqueio económico imposto pelos Estados Unidos, considerando-o injusto e contrário á moral. Fizeram-no os Bispos cubanos já em 1969 numa carta pastoral, e repetiram-o o Papa e as delegações da Santa Sé em variadas circunstâncias e instâncias. Recentemente, foi a vez do Cardeal Roger Etchegaray, presidente da Comissão Pontifícia Justiça e Paz, fazer uma declaração em termos excepcionalmente vigorosos contra a lei Helms-Burton, que pretende reforçar o embargo americano, penalizando nos Estados Unidos todas as empresas estrangeiras que actuam em Cuba. O ponto de vista sublinhado pela Sé Apostólica e pela Igreja Católica é o da imoralidade de impor a toda uma população civil os efeitos de um embargo económico prolongado (situação igualmente flagrante no caso do Iraque, por exemplo, com idêntica posição da parte da Igreja).
A audiência do Papa a Fidel Castro insere-se em todo este contexto ao mesmo tempo sociopolítico e eclesial complexo mas em vias de evolução, assim como na perspectiva de diálogo com todos impulsionado por João XXIII e pelo Vaticano II. Recebendo o genro de Krutchov, e Gromiko, e Jaruzelski, os últimos Papas aproveitaram oportunidades históricas para contribuir para mudanças que se impunham, a bem dos direitos fundamentais das pessoas e dos povos, incluindo o direito à liberdade religiosa.
Nas suas declarações aos jornalistas, após o encontro com João Paulo II, Fidel Castro não escondeu a profunda impressão e mesmo emoção que esta visita lhe causara. Indo para além do aspecto mediático - e de autêntico propaganda - desta sua deslocação a Roma, o líder cubano teve aqui palavras menos protocolares, referindo-se ao Papa em termos de «homem respeitador, amável e sereno», que «falou pouco mas de modo incisivo», «escutou intervindo nos momentos qualificantes».
Numa viagem em que tinha faltado completamente qualquer autocrítica do seu regime, Fidel acabou por reconhecer terem sido cometidos «erros», «nascidos da auto-suficiência de todos os seres humanos quando se crêem proprietários de toda a verdade»...
Na véspera doe encontro de João Paulo II com Fidel Castro, o Papa recebeu, entre tantas outras personalidades, um senhor russo chamado Michael Gorbatchov, que veio recordar um outro histórico encontro no Vaticano, a 1 de Dezembro de 1989. Um facto que passou agora completamente ignorado. Que se contará de Fidel e deste seu encontro com o Papa no ano 2003?
| Pacheco Gonçalves |
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Indiferentes a polémicas recentes, centenas de pessoas de boa vontade calcorreiam as ruas apelando à generosidade de quem passa.
Há aqueles que dão do que lhes sobra, há os que dão o que podem e há os que oferecem o que não têm.
Numa rua do Porto, por essa ocasião, ocorreu um episódio bíblico: uma jovem, por sinal africana, foi abordada e esclarecida sobre o destino do peditório. Lamentou não poder dar nada por nada ter. Mas, numa súbita inspiração e num momento de indescritível generosidade, lembrou-se de um pequeno "tesouro" que consigo transportava: uma "colecção" de moedas de 1$00. Isso mesmo, um escudo...
Duvidou da utilidade do seu gesto, hesitou e, a quem lhe pedia, questionou sobre o interesse dessas pequenas moedas num peditório de grandeza nacional.
Que sim, a Liga aceita qualquer donativo, seja qual for o valor - foi-lhe dito.
E as vinte e uma moedas de um escudo foram fazer companhia a outras dádivas de valor astronomicamente superior: quinhentos, mil, cinco mil escudos.
Não consta que as notas grandes se tenham incomodado com a vizinhança do "tesouro" de moedas de um escudo.
O que consta é uma nova leitura daquela página do Evangelho relatada por Lucas: "Em verdade vos digo que esta pobre pôs mais do que os outros (...) pois deu, da sua indigência, tudo o que lhe restava para o seu sustento." (Lc. 21, 1-4)
| Bernardino Chamusca |
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Um antiquário de Évora enviou a todos os párocos do país um ofício em que se oferece para comprar todos os objectos de arte sacra fora de uso. Para melhor convencer os sacerdotes, este antiquário afirma que fará o pagamento a pronto e com o máximo sigilo.
D. Carlos Francisco Pinheiro, bispo auxiliar de Braga e Presidente
da Comissão Diocesana de Arte Sacra e Obras, alertou já
os párocos bracarenses para o facto de esse ser um "
processo ilegal e subreptício de alienar o património
de arte sacra, seja ele qual for, que devemos conservar e preservar
e de que somos meros administradores ". Entretanto, a Arquidiocese
de Braga espera que " nestes dois meses de Novembro e Dezembro
prossiga a fase final de inventariação nos arciprestados
e instituições eclesiais ".
O que estava previsto ser um solene acto de encerramento das comemorações jubilares dos 450 anos da Diocese de Bragança-Miranda, transformou-se num pesadelo para os seus organizadores. As comemorações de encerramento estavam marcadas para sábado, dia 16, em Miranda do Douro, com a realização de uma recepção ao Núncio Apostólico, na câmara local, um solene pontifical, a inauguração do museu dos bispos e ainda um jantar oferecido pela edilidade local aos participantes. O Núncio deslocou-se a Miranda para, além de participar nas comemorações, anunciar a nova designação da Diocese e elevar a ' Sé velha ' de Miranda à categoria de Concatedral. Mas, em vez de ser recebida num clima de festa, a comitiva foi apupada com " fora daqui ", " vão-se embora ", " fora o bispo ". Os populares protestavam contra o facto de a Diocese ficar a designar-se Bragança-Miranda e não Miranda e Bragança. Para acender ainda mais os ânimos, o actual Presidente da Câmara , Ilídio Rodrigues, afirmou concordar co os populares. Afinal de contas, a Diocese nasceu naquela cidade em 1545.
Já durante o pontifical, a GNR foi obrigada a intervir, pois a Sé foi invadida pelos populares, tendo sido cortado o fornecimento eléctrico ao templo, no preciso momento em que discursava o representante do Vaticano.
Durante o jantar, D. Edoardo Rovida, ainda anunciou que ia embora, se não o quisessem ali, mas depois das desculpas apresentadas pelo Presidente da Câmara tudo se serenou.
Segundo afirmaram à ECCLESIA, fontes ligadas à diocese, esta foi uma acção planeada por António Rodrigues Mourinho, ex-padre, director do museu local e sobrinho do falecido etnólogo António Maria Mourinho, tendo inclusive havido reuniões preparatórias nas instalações do museu Terras de Miranda. Segundo a mesma fonte, tratou-se de um mal- entendido, pois a nova designação já tinha sido pedida há um ano, por D. António Rafael, à Congregação dos Bispos do Vaticano, com o acordo do ex- Presidente da Câmara local, Júlio Meirinhos, agora responsável pelo programa do Vale do Côa.
O restante programa de celebrações decorreu sem incidências em Bragança e Mirandela. O Núncio Apostólico ficou até ao meio-dia de segunda-feira na capital do Nordeste, na esperança que nevasse, mas tal só veio a acontecer com a queda da noite.
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