D. Gilberto Canavarro, bispo auxiliar, aos finalistas do Porto

«Finalistas, não tenhais medo!»

Perto de 15 mil pessoas acorreram no Domingo ao Pavilhão Rosa Mota para a Eucaristia da Bênção das Pastas dos Finalistas das universidades e escolas superiores do Porto. Presidiu D. Gilberto Canavarro, bispo auxiliar, tendo concelebrado alguns padres ligados à Pastoral Universitária.
D. Gilberto aproveitou o contexto de despedida dos estudantes para apontar idêntico momento da vida de Jesus quando aos apóstolos apontou o futuro e lhes falou do mistério da sua vida e missão, um mistério de Amor e uma missão de comunicar esse Amor de Deus: «Como o Pai Me amou, também Eu vos amei. Permanecei no Meu Amor. O que vos mando é que vos ameis uns aos outros ... para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa». E acrescentou que, nessa comunhão com Jesus, está «a fonte e o segredo» da liberdade, da amizade, da coragem e da solidariedade com os pobres e doentes. Ela «enche de sentido os pequenos e os grandes gestos..., dá dinamismo, alegria e esperança à vida, é fonte de amor fiel, gratuito, dinâmico, total, à medida do amor total de Deus». E que um tal dinamismo estender-se-á à sociedade e ao mundo, produzindo justiça, verdade, paz, fraternidade e amor.

D. Gilberto lembrou depois as mães, os santos, e em especial o cigano espanhol que nesse momento era beatificado em Roma, e tanta outra gente que se vai entregando ao serviço do Evangelho do Amor de Deus ou se dedica à profissão e à família como «um serviço e uma missão», para além dos jovens ali presentes a quem Deus acompanhou e «faz sonhar com um mundo novo».

O Bispo enalteceu depois a maravilha de, em Cristo, cada um ser amado com um amor total e acrescentou que n'Ele os jovens hão-de encontrar «a alegria de amar até ao fim» na missão que lhes confia:«Escolhi-vos e destinei-vos para irdes e frutificardes e para que o vosso fruto permaneça». Advertiu depois para a fome e solidão a que o individualismo conduz e propôs-lhes a ousadia de construirem um mundo novo, utilizando as conquistas científicas e tecnológicas, numa obra de criação que se continua até ao fim dos tempos: «Acreditai que o mundo poderá mudar» e «não vos afasteis da comunhão da Igreja» pois nela «aprofundareis a intimidade com Jesus e encontrareis lucidez e coragem para estar no mundo sem ser do mundo... Vós sois importantes para a Igreja» e «ela conta convosco na tarefa de se renovar».

E concluiu: «Ide, não tenhais medo. Cristo acompanha-vos» e dir-vos-á. «Tende confiança, Eu venci o mundo e estarei convosco até ao fim dos tempos».


Preparação levou anos

O Pavilhão cheio como um ovo, em parte vestido de negro e com um bom número em excelente participação foi certamente «espectáculo» significante para quem ali tenha ido por simples curiosidade. Com o esforço do Secretariado da Pastoral Universitária e uma melhor colaboração da Comissão da Queima as coisas mudaram muito, ao longo desta dezena de anos.

A preparação da Bênção terá oito anos, com o empenhamento de alguns estudantes, hoje profissionais. Além disso, desde Dezembro que uma centena de estudantes preparou e programou a Bênção, houve encontros de finalistas em 18 faculdades, o encontro «Finalistas hoje, profissionais amanhã», uma recolha de sangue em cinco locais, sob o lema «Dar sangue é dar vida, dar vida é uma bênção - dá sangue com a Bênção», e uma celebração da Reconciliação.

Não admira que a celebração do Domingo tenha envolvido mais de meio milhar no coro, no serviço de acolhimento e nas preces feitas por representantes de onze áreas do saber. O Ofertório foi para o Fundo de Solidariedade da Pastoral Universitária, criado há cinco anos para socorrer estudantes em situação difícil, como aconteceu já com 30 casos num total de cerca de três mil contos.

A Eucaristia de Domingo foi «uma Bênção». E ela faz apelo a um reforço da pastoral especializada, mormente nas áreas profissionais, de que será sinal o encontro de docentes universitários, no dia 15, na Casa Diocesana de Vilar, Porto.


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