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Falando do que sei e do que conheço, de há muitos anos que o nosso Porto e nomeadamente «a sua baixa» deixou de ser «um passeio nocturno», uma digressão pelas montras, a meia de leite e uma torrada num dos seus muitos cafés. De há muito que é «uma baixa em baixa» permanente, sem movimento, com vultos suspeitos, com medos e sustos a cada esquina: é uma «baixa mortuária», e, paradoxalmente, em vez de soturna, feérica: nunca houve tanta luz, tantos projectores, recortando na noite os monumentos. Eles, como «as pessoas», fantasmas.
Percorremos «a baixa» e surpreendemo-nos por não ver por ali «a gente da noite». Ora, das duas, uma: ou a gente não é a mesma, ou há «outras noites» fora da baixa. Deve ser isso: a noite deixou «o luar» e, com os monumentos da baixa, adornou-se de projectores inquietos e multicores: saiu «da rua» e encafuou-se «em caves» onde não corre o ar.
Pensando nesta «nuance», ocorreram-me palavras de Fulton Sheen que cita como reflexo e reflexão: «Se visses bandos de pessoas na pesquisa do terreno, empunhando picaretas e de recipientes aos ombros, concluírias que essas pessoas não tinham ainda encontrado o ouro que desejariam. Se visses multidões de enfermeiros e médicos a conduzir ambulâncias ou a transportar macas, concluirias que a saúde ainda não tinha sido encontrada. Quando vês uma multidão a acotovelar-se nos teatros, a frequentar bares, de espírito inquieto e em busca de novas emoções, chegas à conclusão de que ainda não encontraram o prazer; aliás, não andariam à procura dele» (v. «Relegião», Ed. Itinerário, Porto, 1960).
Mas andarão, eles e elas, realmente, à procura do prazer? Abbé Pierre, no seu «Testamento» (Cfrc. Leitores, Lisboa, 1996), escreveu: «Para que vão servir amanhã os homens? É forçoso que encontrem outras razões além de «produzir, comer, dormir». É forçoso que, mesmo no caos, inventem uma outra forma de viver. E hão-de consegui-lo, confio que sim. Tudo isto dará origem a um homem novo». Depois de trabalhar de sol a sol «para juntar», depois da produção em série «para mecanizar-se», o homem perde o sono e vai procurar, na noite, «o prazer» que já não encontra no produzir e no poupar, nem na sua casa, nem na sua rua deserta. E então encafua-se numa cave: como «um bicho»? Como «um bicho» relando «diamantes» e, «como um homem», batendo no peito e dizendo «mea culpa»?
Bares, Pubes. Discotecas. Casas de alterne. Músicas estrepitantes. Bebidas inebriantes. Luzes coruscantes. E mulheres prazenteiras que o bicho-homem, numa qualquer cave, julga poder despir e fruir: «Tudo isto» - como escreveu Fulton Sheen na obra atrás citada - quase me faz pensar no porteiro do Templo de Diana, que costumava dizer em voz alta aos que ali entravam: «Cuidado com os olhos».» Actéon, o da lenda, vendo Diana, nua, no banho, foi por esta transformado em veado e dado de pasto aos cães. Sem hipótese de mea culpa!
| Manuel Saraiva Vilaça, Porto |
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Não se pretende fazer aqui um relato dos eventuais problemas dos diáconos permanentes, mas reflectir um pouco sobre este ministério ordenado tãp necessário à Igreja dos nossos dias . Olhado ainda com algum cepticismo, o diaconado permanente não tem merecido, infelizmente, a atenção desejável para poder ser respostaa tantas e tão graves necessidades pastorais.
Conviria, antes de mais, esclarecer quem porventura ainda tem dúvidas que o diácono é um ministro ordenado. Pelo grau do sacramento da Ordem que lhe foi conferido deixa de ser leigo. Aqui há alguma confusão que a ninguém aproveita. Poder-se-á admitir alguma dúvida, dado que ainda não há desenvolvimentos teológicos totalmente esclarecedores, quanto a participar ou não do sacerdócio ministerial. Mas, mesmo aqui, se pensarmos com alguma objectividade - e boa vontade - facilmente nos damos conta de que, se o diácono recebe o Sacramento da Ordem - facto que não oferece dúvidas a ninguém - estará muito mais próximo do sacerdócio ministerial do que do sacerdócio comum dos fiéis.
Outro aspecto a esclarecer será o de que o diácono não substitui ninguém, nem está contra ninguém. O diaconado é um ministério próprio, dependendo directamente do Bispo, e que deve ser perspectivado e potenciado para a comunhão com o ministério dos presbíteros.
Pela sua envolvência familiar este ministério ordenado é uma extraordinária riqueza para a Igreja dos nossos dias. Claro que esta riqueza não se refere à pessoa do diácono, mas ao seu ministério. Pode - e por que não? - ser uma extraordinária experiência adquirida para futuras e previsíveis opções da Igreja quanto ao ministério dos presbíteros. Mas esta riqueza está ainda no apoio familiar, sobretudo no da esposa. Para ilustrar esta afirmação podem referir-se alguns pontos da reflexão feita pela esposa de um dos diáconos da Diocese:
A esposa do diácono é chamada a fazer uma grande descoberta : «Se amas o teu marido mais do que a Mim, não és digna do Reino dos Céus»; a saber ter paciência e guardar no coração o que parecer menos claro; a assumir o diaconado do marido também como tarefa sua em tudo o que antecede a acção do marido, como Maria fez com Jesus. Deve ainda estar preparada espiritualmente para não ter ciúmes e para a renúncia. A ordenação de Diácono do marido deve acentuar nela a responsabilidade em relação aos outros: aos pobres, doentes, casais em dificuldade, etc. E é chamada ainda a dar apoio ao marido através da oração individual, em casal e em família, buscando sempre mais e melhores momentos de oração.
Um outro aspecto da riqueza do Diaconado Permanente para a Igreja será a envolvência social e profissional do Diácono que, se devidamente reflectidas, serão um frutuoso canal de intercâmbio, por exemplo de informações sobre o «mundo do trabalho», de influência benéfica e, por que não?, uma oportunidade para que os outros membros da hierarquia sentam mais de perto o drama do desemprego que também atinge os diáconos permanentes.
Para terminar, seria oportuno referir que, ao contrário do que por vezes se diz, os diáconos permanentes desta Diocese foram convenientemente preparados para o ministério diaconal. Não se infundiram exaustivamente os seus currículos pessoais e profissionais, o que em alguns meios terá dado a ideia de que estarão cultural e profissionalmente abaixo do que esse ministério exige, mas isso não corresponde à verdade. Um boa parte são licenciados, têm cursos técnicos ou médios (antigos) e poucos terão um nível de escolaridade mais baixo. Alguns destes, entretanto, valorizaram-se como é o caso de um que está a concluir a licenciatura em Ciências Religiosas.
No referido encontro, os diáconos concluiram que nem tudo tem sido um mar de rosas nestes cinco anos, mas há diáconos com excelentes trabalhos feitos na Pastoral da Família, na catequese, na pregação, em actividades sócio-caritativas e na colaboração prestada a movimentos de Apostolado. E acrescentaram que estes cinco anos poderão ser um referencial importante, de modo que, a partir de uma experiência difícil e dolorosa em alguns casos, o futuro possa ser encarado com mais sabedoria e prudência, mas sempre na mais completa disponibilidade para servir a Igreja em total obediência ao Bispo diocesano.
| Diácono António Cunha |
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Antes da Missa, pelas 17 horas e na sede do contíguo Arquivo Distrital do Porto, far-se-á uma evocação da pessoa de D. Gabriel de Sousa que neste mosteiro passou os últimos tempos da sua vida, e será oferecida ao público a sua obra póstuma «Escritores Beneditinos naturais da cidade do Porto», escrita exactamente para comemorar o IV Centenário de Presença monástica beneditina.
Um tapete de flores e serrim multicolorido, desde o ínício
da avenida que conduz à igreja,
deu solenidade à entrada para a Eucaristia, que foi concelebrada
pelos padres Arlindo, de
Paço de Sousa, frei Gaspar e António Pimentel, vigário
da Vara e pároco de Guilhufe. As
crianças da catequese e membros dos grupos litúrgicos
e dos movimentos da Paróquia
associaram-se também a uma multidão que encheu o
templo e cantou com o apoio de um
grupo com dezenas de vozes.
A homilia acentuou que o sacerdócio vem de Cristo, o Bom
Pastor, e a necessidade de se
cuidar do rebanho nestes tempos de falta de Fé. No fim,
duas crianças e uma senhora
manifestaram como a Paróquia se sente grata por 25 anos
de vida sacerdotal, vividos na
simplicidade «das grandes pessoas».
O almoço que se seguiu foi animado pelo Grupo Coral, tendo
sido apresentados alguns
testemunhos , entre os quais os do Prof. Ferreira de Brito e de
Ernesto Alves. E foram
recordadas ainda algumas palavras de D. Júlio, arcebispo-bispo
do Porto, nas duas visitas
que fez à paróquia.
Matrimónio - Estão a decorrer dois cursos de preparação para o Matrimónio: o de Penafiel tem cerca de 25 casais e o de Galegos quarenta e dois.
Franciscanos - «Cristo Total» foi o tema do espectáculo religioso que os padres franciscanos levaram ao Pavilhão Fernanda Ribeiro, com uma centena de participantes, tendo sido um bom momento de sensibilização para os valores do Evangelho.
Paço de Sousa - Está praticamente recuperado
o claustro do Convento de Paço de Sousa,
onde decorreu há pouco uma exposição de pintura
do mestre Júlio Mendes.
Bustelo - Está a ser salvo da derrocada o Convento de Bustelo,
graças ao entusiasmo e
generosidade das pessoas e à orientação da
arq. Rosária de Abreu, especialista de restauro
de monumentos do séc. XVIII e actualmente a preparar doutoramento
em Pamplona.
Curiosamente, é filha do Eng. Barbosa de Abreu que, há
40 anos, fez o restauro da área
paroquial, quando era pároco o P. Celestino Ramos. De muito
interesse será a reunião que
haverá amanhã, na Câmara Municipal, com a
delegada da Direcção dos Monumentos
Nacionais, arq. Paula da Silva, e em que participarão a
Doutora Soeiro, a Eng.ª Augusta, o
Dr. Rui Silva e o Pároco.
Assim, no dia 5, às 18,30 horas, o P. João Pedro presidirá à Eucaristia que será solenizada pelo grupo coral do seminário do Bom Pastor, e falará sobre «A Irmã Maria e os sacerdotes»; no dia 6, também às 18,30 horas, o Dr. Geraldo Dias, OSB, presidirá à Eucaristia, solenizada pelas Irmãs e as educandas, e falará sobre «A Irmã Maria - O coração de Jesus e a Eucaristia»; no dia 7, às 18,30 horas, presidirá o P. José Magalhães, pároco de Paranhos, que falará sobre «A Irmã Maria e a santíssima Virgem» em Eucaristia solenizada pelo grupo coral de Paranhos; no dia 8, às 10 horas, presidirá o Pároco de Ermesinde, Cón. António Mota, em celebração animada pelo grupo coral do Bom Pastor; e no dia 9, às 10 horas, D. José Augusto, bispo auxiliar, rpesidirá à Eucaristia que será concelebrada por Mons. Miguel Sampaio. No fim, haverá Exposição solene do santíssimo para adoração por diversos grupos, sendo o encerramento às 18 horas, com oração de Vésperas.
Recorde-se que foi há 25 anos que se fez a dedicação da igreja do Bom Pastor, em cumprimento de um voto da Irmã Maria do Divino Coração. No próximo ano, começará a preparação próxima para o I Centenário da Morte da Beata Maria e da consagração do Mundo ao Sagrado Coração de Jesus, ocorridas respectivamente em 8 de Junho e em 11 de Junho. Foi sepultada no Cemitério de Paranhos, Porto, no dia 10, a Irmã Maria foi encontrada intacta em 1944 e beatificada em 1975. O túmulo foi depois transferido para a igreja do Bom Pastor em Ermesinde.
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