Duzentas mil pessoas estiveram em Fátima no Domingo, na peregrinação de Outubro a que presidiu o Cardeal José Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.
Alguma gente tinha criado expectativas exageradas sobre a chamada terceira parte do segredo de Fátima, tanto mais que Ratzinger iria encontrar-se com a vidente Lúcia na 2ª-feira. A homilia foi, entretanto, uma reflexão sobre a mensagem das bodas de Caná, ou seja, da manifestação da bondade de Deus que se manifesta em Jesus Cristo e o «milagre» da Fé dos discípulos pela mão de Maria. Como salientou o Cardeal, a Mãe de Jesus permanece próxima pelos gestos de Lurdes e de Fátima, recomendando com solicitude. «Fazei o que Ele vos disser». E o milagre acontecerá, pois «maria falou aos pequenionos, aos menores, aos sem-voz, aos que não contam neste mundo iluminado, cheio de orgulho de saber e de fé no progresso, sendo, ao mesmo tempo, um mundo cheio de destruições, cheio de medo e de desespero».
Ao falar aos pequeninos e sem voz num mundo orgulhoso do seu saber e do poder do progresso, que tantos males e destruições tem provocado, Maria aponta onde está a eficácia de Deus. Há razões por isso para pedir à Mãe de Misericórdia que, «depois deste desterro», nos mostre Jesus.
Curiosamente, como divulgaram os meios de comunicação social, Ratzinger associou o segredo de Fátima à realização do Concílio: «O Vaticano II foi de certo modo uma concretização da mensagem da Virgem e, com a sua convocação, o Papa João XXIII fez uma coisa essencial como resposta à mensagem da Virgem». E acrescentou que o que importa é o caminho da Fé dos cristãos, ajudando-os a não desfalecerem mesmo quando o materialismo, a imoralidade ou o agnosticismo parecerem dominar definitivamente o mundo.
Congresso em 1997
No final da celebração, D. Serafim, bispo de Leiria-Fátima, entregou a imagem peregrina, que no dia anterior chegara da Polónia, ao administrador apostólico da Rússia europeia, arcebispo Radeusz Kondrusiewicz, e aos bispos da Sibéria e do Cazaquistão para que, nos próximos meses, percorra essas localidades, regressando a Fátima em 13 de Julho de 1997. Depois irá para Maastricht onde chegará 50 anos depois da primeira saída ao estrangeiro, precisamente à pequena cidade holandesa que sdaria o nome ao Tratado da União Europeia.
Além disso, D. Serafim, para além de enviar um telegrama ao Papa em nome dos peregrinos, anunciou a realização de um congresso científico a realizar no Centro Paulo VI, de 9 a 12 de Outubro de 1997, para assinalar os 80 anos das Aparições e reunir personalidades de diversas universidades europeias reflectindo sobre «Fenomenologia e Teologia das Aparições».
No dia anterior, a peregrinação tivera a presença do arcebispo de Warmia, Polónia, Edemund Piszcz, que agradeceu a peregrinação que a Imagem de Nossa Senhora por lá fizera ao longo de quase um ano, tendo sido entusiasticamente acolhida pelo povo e pelo próprio Parlamento. E lembrou que depois de uma procissão com a Virgem o Senado rejeitara a lei a favor do aborto que o parlamento havia aprovado. E acrescentou: «São estes e outros milagres que se vão relizando no nosso país».
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