XXVII Congresso da Escola de Pais Nacional

A família é caminho para a felicidade.

Realizou-se nos dias 12 e 13 de Abril, no Centro de Educação Integral de S. João da Madeira, o XXVII Congresso da Escola de Pais Nacional, subordinado ao tema "Família - Caminho para a Felicidade."

Este tema, enquadrado num programa diversificado, desdobrou-se em dois painéis, respectivamente no sábado à noite("Família em Construção" ) e no domingo de manhã ("Família: caminho para a felicidade").

O primeiro, "Família em Construção", foi desenvolvido pelo dr. Bernardino Chamusca que, partindo da leitura de factos anunciados pela imprensa portuguesa, perspectivou a construção da família actual pela análise desses mesmos factos.

Assim, a família perspectiva.se como factor determinante para viver melhor e ser feliz; segundo um inquérito recente "estar com a Família" é uma das situações que mais contribui para a felicidade das pessoas, sendo certo que a maioria dessas pessoas considera que a sua família de proveniência contribuiu de certa forma para a "melhoria das suas condições de vida", pelo que vivem melhor do que a família de origem.

Por outro lado, a família perspectiva.se como o lugar para maior e melhor diálogo, "lugar onde se cultivam valores e se preparam as felicidades futuras", um lugar onde no dialogo com os jovens se deve "intervir, aconselhar e proibir (positivamente)" Este diálogo há-de contribuir para a urgente educação do carácter, transmitindo padrões de comportamento e contribuindo para a procura de excelência e da qualidade.

Hoje, a família encara realidades que lhe são favoráveis e outras que são difíceis. A seu favor militam factos importantes: a presença dos educadores familiares nas Associações de Pais das Escolas, a preocupação de formação/informação em toda a sociedade ("ensinar a ser pais"), a atenção aos valores familiares. Por outro lado, algumas dificuldades não podem ser ignoradas: violência intrafamiliar, violência psicológica sobre o mais débil, a "contratualização" do casamento, a facilidade e banalidade do divórcio.

O dr. Abel Magalhães contribuiu para a reflexão sobre o tema "Família: caminho para a felicidade, colocando estas palavras como interrogação. Embora acreditemos na resposta afirmativa porque "os homens continuam a testemunhar pela prática e por palavras a procura da comunhão de dois e de mais de dois", sabemos, no entanto, que o caminho para a felicidade, precisamente por ser caminho, tem obstáculos. De resto a família "é caminho na medida em que se movimenta, onde as pessoas não se instalam mas procuram avanços, onde se procuram desenvolvimentos. Este andar para a frente faz-se no encalço da felicidade!

Ao mesmo tempo a família é lugar de responsabilidade, isto é, "a ciência, a técnica e arte de medir, pesar e ponderar a realidade". "A família ao sabor da sorte é catavento sem norte!" Por isso, urge formar os pais" para que sejam capazes fazer da família a "resposta ao ser integral que queremos projectar: o homem ético-moral, com dimensão cognitiva, social, social e sexual, educado para os direitos e para os deveres.

O tema apresentado pelo dr. Abel Magalhães foi, depois, objecto de trabalho em grupos onde se percorreram as seguintes pistas: "elementos que impedem (ou podem ser usados por) a família no caminho para a felicidade", atitudes concretas em que a família realiza o caminho para a felicidade, atitudes pessoais (no grupo em que cada um está envolvido) nesse mesmo cainho.


Ideias centrais

O Congresso, realizado no momento em que a Escola de Pais Nacional já existe há mais de 28 anos, assumiu como suas algumas ideias centrais emergentes destas reflexões.

A família perspectiva-se como factor determinante para viver melhor e ser feliz e como lugar para mais e melhor diálogo entre pais e filhos, contribuindo para este o acompanhamento, a proximidade cultural, a interactividade e a autonomia.

A família é um lugar onde se cultivam valores e se prepara o futuro, onde, face à ameaça dos meios de comunicação social, é preciso dinamizar a cultura da moralização, intervindo, aconselhando e proibindo, dentro e fora de célula familiar.

A família encara novas realidades: umas que se perspectivam em seu favor, como a maior intervenção dos pais na vida escolar dos filhos, um crescente preocupação de formação e uma maior atenção da sociedade às necessidades da família; outras, tradicionalmente conhecidas, que a prejudicam.

A família enquanto caminho para a felicidade deve ser vista sob ângulos diversos: primeiro, na medida em que caminha, se movimenta no encalço dessa felicidade; enquanto recebe uma herança pessoal e social que só uma educação responsável pode valorizar; enquanto resposta ao ser integral que queremos projectar pelo exemplo dos ais, coerente com as doutrinas que professam; como grupo vitalizante que é trampolim e apoio para os seus elementos e para as suas funções na sociedade.


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