O Evangelho é bem mais do que ginástica metafísica

- acentuou D. Júlio Rebimbas, arcebispo-bispo do Porto, na Missa Estacional de Cristo-Rei que teve lugar na Sé na manhã de Domingo

Em tempos idos, a Sé estava neste dia completamente cheia de leigos dos movimentos da Acção Católica e de outros que têm como especificidade levar o Evangelho ao seio do mundo. Desta vez, apenas o Movimento Católico de Estudantes e alguma gente dispersa, faltando, certamente, um esclarecimento sobre o sentido eclesial desta celebração.

Os textos da Liturgia são, entretanto, bem claros e D. Júlio acentuou-o mais uma vez: «É o momento em que o Evangelho se projecta com toda a originalidade: o critério para nos sentirmos salvos ou não, é a nossa atitude para com os pobres, os humildes, os necessitados e marginalizados». Não se faz alusão a comportamentos especificamente religiosos e cultuais, mas Jesus identifica-Se com o homem necessitado de todos os tempos, afirmando que o que é feito em relação a esses «é como se tivesse sido feito a Ele próprio», o que significa que os verdadeiros juízes serão «os necessitados» e que o Reino de Cristo está «onde os homens se tratam como irmãos», sendo a festa de Cristo-Rei «a exaltação do reinado do amor sobre todas as coisas».

O Reino de que fala o Evangelho é, assim, o da Caridade, não se identificando com a força, a política, o poder, os negócios, o prestígo ou as palavras, mas com «as obras». Assim, como acentuou D. Júlio, os cristãos devem cuidar de amar os irmãos «como compromisso real da Fé e de seguir Jesus» e isso é ainda mais necessário num mundo cheio de mentiras e faltas de verdade. Num apelo para que «nos conflitos das pessoas e das Nações, introduzamos os sinais do Evangelho, a marca constante e dinâmica do Reino, sem reduzir as suas energias e encerrar as suas garantias, fossilizando-as em estruturas de espaços pequenos, feitos à nossa medida». D. Júlio acrescentou que pertencer à Igreja não «nos afasta dos outros», mas impele-nos a ir até eles, ultrapassando os becos sem saída feitos pela nossa pequenez e que «só a conversão» nos fará ultrapassar. E concretizou: «Não basta que o Evangelho passe pelo nosso cérebro e juízo racional, que as nossas reflexões sejam aulas de religião de ginástica metafísica», pois o Reino só chama e convida os humildes.

Uma tal mensagem ecoou também pela Rádio Renascença, multiplicando sem limite a assembleia que escutou a mensagem do Bispo em dia de Cristo Senhor do Universo.


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