| Especial: |
Em trabalho de grupos foram detectadas algumas situações de tensão e conflito na Igreja e na sociedade, tentaram descobrir-lhe as causas e sugerir caminhos de superação com o contributo dos movimentos e de outras instâncias eclesiais. Após debate em plenário, surgiram algumas orientações para os movimentos laicais e seus membros.
"1. A Igreja é, ao mesmo tempo, Comunhão e Missão, e sente-se chamada a viver e a crescer na fidelidade a este dom e encargo, consciente de que só assim poderá ser útil ao mundo a que é enviada.
2.A constituição da Igreja assenta em dois princípios básicos e inseparáveis: o princípio da igualdade e o princípio da diferença. Na Igreja, a unidade exprime-se na diversidade ou no pluralismo dos seus carismas, vocações ministérios e funções que o Espírito suscita nela para o seu crescimento e aperfeiçoamento e para a realização da sua missão. A diversidade na unidade nunca pode dar lugar à uniformidade nem à anarquia ou confusão.
3.A pluralidade na Igreja, que se exprime nos seus membros e também nos movimentos apostólicos, constitui uma riqueza para a mesma Igreja e para o seu serviço à sociedade, com as características que hoje a identificam. Julgamos poder dizer que só uma Igreja plural poderá contribuir de modo válido para a construção de uma sociedade plural.
4. As situações de tensão na Igreja, pertencem à sua história e são em si mesmas normais e até saudáveis. Superadas em clima de diálogo fraterno, franco e corresponsável, podem ainda promover a liberdade interior e a criativiadde apostólica.
5.O pluralismo na sociedade, não sendo um valor absoluto, é uma realidade que deve ser reconhecida nos seus aspectos positivos e nas repercussões que têm na vida das pessoas e na sua relação mútua. Por isso mesmo Igreja deve sentir-se obrigada a estabelecer uma relação nova com a sociedade. Isto implica diversas atitudes e compromissos por parte de todos os cristãos e também dos movimentos laicais: a) O permanente esforço por conhecer a realidade humana e social sujeita a mudanças constantes, recorrendo para tal, quando necessário, à ajuda de peritos; b) O respeito constante pelas pessoas, quaisquer que sejam as suas opiniões, opções e a preparação, para com elas realizar o diálogo da promoção, da verdade e da justiça; c) O cultivo da tolerância activa, que nunca é indiferença ou passividade perante as pessoas, as coisas e os acontecimentos, bem como o esforço de consenço e de negociação para evitar roturas e tentar a coesão; d) O conhecimento das situações mais gravosas, nomeadamente os excluídos sociais em todas as formas e manifestações, procurando em seu favor acções concretas de solidadiedade e expressões significativas de partilha; e) A colaboração leal, proposta ou aceite, com todas as pessoas de boa vontade, sempre que esteja em causa a pessoa humana e os seus direitos fundamentais, e o bem comum; f) A concretização através de uma presença qualificada e credível, de formas de mediação institucionais ou ocasionais, bem como a participação nas estruturas e movimentos sociais, culturais e políticos, como contributo para a solução dos problemas fundamentais da sociedade.
6. Num mundo secularizado, os cristãos devem sentir-se permanentemente interpelados para dizerem à sociedade, com palavras e acções, que a sua força e a razão do seu compromisso está em Cristo Salvador, que deste modo está presente e actuante no mundo.
7. Para que realizem no seio da comunidade a sua missão, devem os cristãos tomar consciência dos seus direitos e deveres que fluem da condição de membros da Igreja, corresponsáveis na missão. Procurem as instâncias diocesanas e/ou paroquais, bem como os movimentos laicais, promover esta reflexão, recorrendo em especial ao apoio dos documentos da Igreja.
8. A sensibilidade para os problemas sociais e o conhecimento da doutrina social da Igreja são fundamentais para o empenhamento dos cristãos na sociedade, para que tenham capacidade de intervenção, com o seu contributo específico, na solução dos mesmos problemas.
9. Uma formação cristã adequada espiritual, doutrinal e social, para a vivência do compromisso apostólico numa sociedade plural, constitui um dever para os cristãos.
10. A paróquia constitui um espaço normal e privilegiado de encontro, reflexão, diálogo e partilha, para o reconhecimento e promoção da pluralidade no seio da Igreja, devendo por isso os movimentos, sem perda da sua identidade e autonomia, integrar-se na comunidade paroquial, numa atitude de mútua aceitação e reconhecimento.
11. Dada a importância crescente
dos movimentos laicais na missão evangelizadora, torna-se
urgente que sejam reconhecidos e apoiados pelas diversas
instâncias da Igreja, não devendo, por isso, as mesmas
retirar os seus membros à sociedade."
Depois de tempos de grande esforço na formação dos membros das comunidade paroquais nos campos da Catequese e da Liturgia, e de incorrecta autonomia de muitos movimentos laicais, tudo indica que a Pastoral da Caridade, ou seja, os esforço de levar o alento do Evangelho às pessoas e realidades sociais, irá entusiasmar comunidades e movimentos, revelando uma renovada imagem de Igreja, testemunho vivo de Comunhão na Missão.
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