| Especial: | ||
Durante mil anos, a Igreja na Eslováquia viveu horas felizes e amargas, ameaçada ora pelos tártaros, ora pelo Império otomano, ora por outros inimigos do cristianismo. O inimigo mais perigoso para a Igreja na Eslováquia surgiu, todavia, no nosso tempo, com o comunismo ateu, que dominou entre nós desde 1948 até Novembro de 1989. Durante este longo período, bispos, padres, chefes de família e até mesmo crianças foram tiranicamente perseguidos por causa da sua fé. Eu próprio vivi 40 anos como simples operário nas fábricas e no ano de 1960 fui condenado a 12 anos de prisão. Durante esta perseguição, muitos dos nossos crentes sujeitaram-se a grandes sacrifícios e mostraram grande coragem. Mas nós não estávamos sós. Estávamos unidos a toda a Igreja católica. E isto deu-nos uma grande força. Mas essa força da fé também se tornou mais profunda e mais sólida, durante o tempo da perseguição, graças a outras realidades. E não apenas na Eslováquia, mas também em outros países da «ateização». Uma organização, sobretudo, foi nossa conhecida, organização que se chama «Ajuda à Igreja que Sofre».
Nós agradecemos à «Ajuda à Igreja que Sofre», de todo o nosso coração, a sua solidariedade na fé e no amor. O seu apoio foi por nós sentido como dom de Cristo no seio da Sua Igreja. Às vezes, diz-se que a fé da Igreja no Ocidente esmorece e declina. Na Igreja, podem existir problemas em todo o mundo. Mas onde está a fé mais viva senão precisamente onde se afirma o amor do próximo? Quando o Padre Werendried iniciou um movimento de amor ao próximo e o dirigiu durante quase 50 anos - movimento que os seus colaboradores prolongam até hoje, com milhares de benfeitores em muitos países do Ocidente, que se sacrificam tanto, e durante tanto tempo, pelos seus irmãos que sofrem em todo o mundo -, então é porque a fé da Igreja há-de com certeza estar viva, precisamente nessas paragens.
Perante isto, só posso dizer «Deus seja louvado»; e, também, agradecer do coração a todos os colaboradores e benfeitores da «Ajuda à Igreja que Sofre» na Europa e em toda a parte. É que eles não foram só observadores passivos na nossa perseguição, quando os nossos bispos, padres e leigos se encontravam na prisão, quando os nossos conventos estavam extintos e toda a vida entre nós fora reduzida ao ateísmo. A «Ajuda à Igreja que Sofre» não rezou apenas por nós, mas também nos ajudou com grande esforço e de uma forma muito concreta.
É isto que faz a «Ajuda à Igreja que Sofre» até ao momento presente, já há meio século!
Quando, na diocese de Nitra, tivemos que reedificar
o seminário devastado, para os 150 seminaristas que temos
actualmente, isso teria sido completamente
impossível para nós sem o apoio da «Ajuda à
Igreja que Sofre». Ela ajudou-nos e continua a ajudar-nos
a renovar e intensificar de novo a vida religiosa na Eslováquia.
O mesmo faz a «Ajuda à Igreja que Sofre» em muitos
outros países. Deus seja louvado por este amor cristão
presente na Igreja de Cristo dos nossos dias!
| Cardeal Ján Jorec Bispo de Nitra (Eslováquia) |
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O Conselho Diocesano da Acção Católica, Porto, promove no sábado, dia 19, das 10 às 17 horas e na Casa Diocesana de Vilar, Porto, um encontro para responder à pergunta: O Evangelho de Cristo tem futuro?
Destinado a leigos com visível empenhamento pastoral nas estruturas do mundo, o encontro versa o tema "Jesus Cristo, Verbo do Pai, feito homem por obra do Espírito Santo", apontado pelo Papa João Paulo II para preparação do Novo Milénio, de modo que o Jubileu do Ano 2000 seja um "ano de graça" e início de um tempo novo de militância cristã, para que a novidade do Evangelho chegue às situações deste tempo.
Os grupos da Acção Católica prepararam este encontro, tentando descobrir os sinais de Deus na sociedade e na cultura de hoje e identificar também as realidades em que mais se nota essa ausência. Depois disso, procuraram encontrar os princípios que devem orientar os cristãos no seu comportamento social, profissional e político, para poderem realizar no mundo gestos verdadeiramente evangélicos. Analisaram, então, o modo como realizam na família, na escola, no trabalho, no lazer ou nas actividades de cada dia, o esforço de evangelização no sentido de poderem propor atitudes que respondam às mais urgentes necessidades deste tempo.
Entendem os membros da Acção
Católica que, na linha dos apelos do Papa, os cristãos
e a Igreja, para além de se perguntarem em que crêem,
devem questionar-se sobre o que fazem nesta Europa que
se diz «cristã».
Há dois mil anos, o Filho de Deus era esperado com ansiedade, mas Jesus teve um estábulo para nascer e depois a perseguição e a morte na cruz. Hoje, os cristãos são olhados com certa desconfiança, diz-se que a Igreja é conservadora e está ultrapassada e que a mensagem cristã não serve para um mundo que queira progredir.
Face a tais observações, os cristãos afirmam a sua Fé em Cristo e proclamam que, sem propaganda, dão ao mundo um forte impulso para diante, numa atenção às pessoas, independentemente da sua condição social, raça ou cor, e particularmente aos mais pobres, esquecidos e doentes. E recomendam que se olhe para o empenho da Igreja em favor da paz, justiça, desenvolvimento solidário e equilíbrio ecológico.
A Jornada do próximo sábado foi a oportunidade encontrada para alguns leigos mostrarem que o Evangelho continua a animar a vida de muitos, ainda que sejam cada vez mais gritantes as situações que esperam o tempo novo da Salvação. E que a Boa Nova de Cristo e a Doutrina Social da Igreja não são ideias de outrora, mas alento para mais e melhor desenvolvimento, justiça e bem-estar social.
De manhã, haverá duas intervenções: uma da área da Economia e Gestão, a cargo do Prof. Doutor Manuel Oliveira Marques, e a outra feita pela Drª Ana Maria Mendes Dias, professora ligada à acção social e caritativa. Ao Economista pergunta-se: O Evangelho de Cristo poderá incarnar no mundo da Economia e conseguir desenvolvimento e progresso? Ou isso levá-lo-ia para o atraso e a pobreza, pois as leis do mercado, hoje em voga, reclamam crescentes níveis de desemprego, menos garantias na velhice e na doença, maiores desníveis económicos, a exploração dos países pobres, etc? E a representante da Pastoral da Caridade dirá se continua a haver pessoas e situações que anseiam pelas promessas da paz, justiça, sentido da vida e amor, e também de alimento, casa, educação, bem-estar, progresso, etc.
De tarde, será a vez de breves testemunhos dando a conhecer diversos modos de levar o Evangelho a situações e pessoas. Os membros da Acção Católica (JOC, ACR, ACI, MCE, LOC, MEC) dirão o que fazem no seu meio. Seguidamente, serão apresentados testemunhos de pessoas bem diversas: uma pessoa que trabalha com drogados, um sindicalista, um estudante, uma obra de apoio a crianças abandonadas, um autarca, um dirigente de empresa, um técnico de planificação educativa, um jurista, um professor universitário, um agricultor, uma operária fabril, um médico, uma técnica de saúde, um jovem à busca de 1º emprego, uma dona de casa, um desempregado, um desportista, uma professora secundária, um reformado, ...
De tanta variedade deverá emergir a gratuidade, generosidade e mesmo entusiasmo pela vida por parte dos militantes cristãos de hoje. Em cada passo, eles ousam percorrer o caminho da Ressurreição para a Vida.
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Agência Ecclesia - Que avaliação faz destes 60 anos da Rádio Renascença?
Eng. Magalhães Crespo
- É uma avaliação francamente positiva, sobretudo
porque foi possível vencer momentos de grande crise, nomeadamente
no pós-25 Abril, em que forças, manifestamente contrárias
à Igreja e até às tradições
do povo português pretenderam apoderar-se e desvirtuar totalmente
a Emissora Católica Portuguesa dos seus objectivos. Ao
longo dos anos, com maior ou menor dificuldade, a RR conseguiu
impor-se e ser hoje a companhia amiga da generosidade da população
portuguesa.
AE - Actualmente, a inspiração cristã continua a ser a grande aposta na RR?
MC - Essa é a razão de ser da RR como
Emissora Católica Portuguesa.
AE - É essa a grande aposta?
MC - Não se justificaria à Igreja ter
uma estação de rádio se não fosse
de inspiração cristã. E de inspiração
cristã, significa, antes de mais, porque os seus responsáveis
sabem o que significa crer em Deus na vivência do dia a
dia, mesmo num órgão de comunicação
social.
AE - E todos os profissionais da RR são cristãos? Essa é uma condição sine qua non?
MC - Não digo que todos sejam cristãos,
mas todos, e isso é condição sine qua non,
respeitam os valores da Emissora Católica Portuguesa. Mas
a generalidade, uma esmagadora maioria, são cristãos.
E nos lugares chave, de influência no conteúdo da
programação, são todos cristãos. Não
faria sentido que o não fossem.
AE - Mas também há uma certa lógica comercial na RR?
MC - A RR é, em termos de direito comercial, uma sociedade comercial. O único recurso da RR são as receitas de publicidade, que não vende directamente, mas através de uma agência de meios, com quem tem um contrato estabelecido: a Intervoz. Naturalmente que para desenvolver as suas actividades tem de ter recursos, e esses provêm exclusivamente da venda de publicidade, só que essa actuação não é um fim em si, mas apenas um meio de poder desenvolver a sua actividade como Emissora Católica Portuguesa.
Por outro lado, o contrato que nos liga à
agência de meios, permite-nos recusar qualquer anúncio
que não esteja de acordo com os nossos princípios.
Os nossos anunciantes sabem que um anúncio colocado contra
esses valores, longe de ganhar audiências, só iria
prejudicar a sua imagem junto dos nossos ouvintes. Os anúncios
de mau gosto ou que agridam os valores tradicionais da sociedade
portuguesa, não aparecem para ser colocados na RR,
por iniciativa dos próprios anunciantes.
AE - Isso acontece porque a situação financeira é boa. Se a RR tivesse dificuldades financeiras não aceitava esses anúncios?
MC - Nunca iria perverter os seus princípios.
Em relação à situação financeira
da RR, ela vive procurando o equilíbrio de exploração,
de tal maneira que nunca os seus sócios, ou seja o Patriarcado
de Lisboa e a Conferência Episcopal Portuguesa, retiraram
da sua actividade qualquer dividendo, ou seja, todos os resultados
que se conseguem obter da actividade normal da RR são reaplicados,
de maneira não só a melhorar as condições
técnicas, seja de emissão seja de programação,
como as condições de remuneração do
seu pessoal. Em suma: reinvestir na melhoria das condições
do trabalho da própria estação emissora.
Ao longo do tempo tem-se procurado que essa exploração
evolua, só que, nos anos 93, 94 e 95, com o aparecimento
das televisões, houve uma retracção da publicidade
na rádio e daí que a RR teve prejuízos nesses
anos. Felizmente que essa situação já está
ultrapassada.
AE - Actualmente qual é a ligação entre a TVI e a RR?
MC - Todo o projecto da TVI foi desenvolvido na RR.
Foi uma luta de doze anos. Primeiro a Televisão da Igreja
e depois quando o governo PSD negou à Igreja o que lhe
tinha prometido, a Televisão de Inspiração
Cristã, ou seja um grupo de católicos e de Instituições
religiosas, à frente das quais estava a RR, resolveu concorrer
à atribuição do canal de televisão.
Ganhou-se um canal e, nessa altura, a equipa que estava
à frente da TVI foi alterada. O projecto que se tinha desenvolvido
de uma televisão familiar, alternativa e modesta,
como que uma projecção da RR, para ganhar a afectividade
que o povo português tinha pela Emissora Católica
Portuguesa, transportada para a televisão. A equipa que
tomou conta da TVI decidiu, e tinha o seu direito de o fazer,
por um outro projecto, ou seja, competir de igual para igual
com os outros dois canais: o do Estado e o outro privado que aparecia.
Não resultou esse esquema de competição.
Também não posso garantir que o esquema que estava
inicialmente previsto desse um resultado melhor. Pessoalmente
creio que sim, mas a equipa que liderou o projecto depois da atribuição
do alvará teve toda a liberdade de seguir o seu próprio
caminho. Ultimamente foram, de novo, responsáveis da RR
que conseguiram congregar os dois grupos que se opunham para tomar
conta da TVI e obter um acordo que preserva os valores cristãos
da programação desse canal de televisão.
AE - A RR se soubesse o que sabe hoje metia-se nesse projecto?
MC - Metia. Mas procuraria, por todos os meios, fazer
vingar a ideia inicial da tal televisão modesta, familiar
e alternativa, aproveitando toda sinergia de uma ligação
íntima com a RR, que não foi de maneira nenhuma
o que se verificou.
AE - A RR vingou, a TVI não. Qual a razão das grandes audiências da RR?
MC - Eu tenho uma resposta muito simples que tenho
dado a muita gente, nomeadamente a grupos de Rádios de
outros países, que nos têm procurado para tentar
descobrir o segredo do êxito da RR. Evidentemente que a
RR, com 60 anos, tem à partida condições
mais favoráveis que outras rádios que apareçam
ou se criem em Portugal e noutros países. O nosso «segredo»,
se assim podemos chamar, é que procuramos ser a companhia
amiga das pessoas, dar alegria aos nossos ouvintes. Um programa
é um diálogo permanente com quem nos escusa. As
pessoas quando ligam a RR, sentem que nós estamos a conversar
com elas. Não estamos a fazer rádio para os políticos.
Não estamos a fazer para alguns amigos. Não estamos
a fazer para os críticos. Nós fazemos rádio
para todos os portugueses, cristãos ou simplesmente de
boa vontade, para quem procuramos ser a tal companhia amiga.
AE - Mas as outras rádios também fazem isso...
MC - Será que fazem? Será que conseguem
dar essa imagem de companhia amiga? Evidentemente que, no meio
de tudo isto, a RR tem também uma informação
absolutamente honesta, completa e objectiva. Na RR não
há nunca uma distorção das notícias
a favor de ideais ou conceitos de vida que, porventura, os responsáveis
da nossa informação tenham. A opinião é
manifestada, quando julgado oportuno, através de editoriais
e comentários, mas nunca através das notícias.
AE - E em relação ao futuro quais são as grandes apostas?
MC - Vamos ensaiar uma nova frequência na cidade de Lisboa, que a RR teima que ela está disponível e há uma opinião contrária das entidades oficiais. E, como só há uma maneira de determinar se ela está ou não livre, vamos experimentar, o que o Instituto de Comunicações de Portugal aceitou. Por isso, vamos experimentar se o 97.0 está ou não livre na área de Lisboa.
Mas isto tem um objectivo mais vasto. O que nós
pretendemos é que, com esta frequência em Lisboa
e com outra que está livre no Porto, realizar um
terceiro canal para a malta nova entre os dez/doze anos até
cerca dos vinte.
AE - Fazer concorrência a outros canais?
MC - Eu não sei se iremos ou não fazer
concorrência a outras estações de rádio.
O que sei é que não é possível atingir
a generalidade da população portuguesa só
com dois canais. O nosso Canal Um, líder absoluto de
audiência há mais de vinte anos, atinge uma população
muito diversificada. E a RFM, segundo canal da RR, fixou-se, gradualmente,
sobretudo, entre os 25 e 45 anos, em líderes de opinião,
classe média-alta e alta e urbana. Mas não conseguimos,
nos últimos anos atingir a população juvenil.
AE - Uma grande aposta é atingir a população juvenil?
MC - Sim. Mas ao fazermos esta aposta não
pode ser com o desvio da programação do Canal Um
nem com a RFM. Daí a necessidade de novas frequências
para atingir esse objectivo.
AE - Mas há mais projectos na manga?
MC - Essencialmente é o canal jovem. Para
isso temos uma equipa a investigar o que os jovens escutam mais
e do que eles gostariam de escutar.
AE - E qual o nome desse canal jovem?
MC - Existem vários nomes mas ainda não
está nada decidido.
AE - E em relação aos PALOP'S?
MC - Temos um projecto, já em curso, de ligação,
através da transmissão pelo Express 2, do programa
do Canal Um para as rádios dos países de expressão
portuguesa, nomeadamente em África. Actualmente já
existem várias rádios do continente africano a transmitirem
boa parte da nossa programação.
AE - Para quando a mudança de instalações?
MC - Percorremos a cidade de Lisboa e o melhor que
nos apareceu, em edifícios já construídos,
não nos satisfez. Como entretanto o Metro passou por debaixo
da RR e abalou o edifício todo, o que obrigou a grandes
trabalhos de consolidação, acabámos por ficar
nas actuais instalações com execução
simultânea de várias obras de beneficiação.
Entretanto também chegámos a acordo com a Casa do
Algarve, que irá deixar livre um dos andares nobres que
ocupava, o que nos permite uma expansão. Em relação
a novas instalações poderá acontecer que,
depois da EXPO 98, fiquem por lá livres alguns espaços...
ou entretanto seja aprovada a urbanização da quinta
do Seminário dos Olivais e que a diocese nos dispense,
desse local, algum espaço. Mas não há nada
em definitivo.
CAIXA
Graças às novas tecnologias da comunicação por satélite a RR chega aos portugueses que estão lá fora. E já antes a levava, através da onda curta, num esforço verdadeiramente pioneiro ao nível das estações de rádio privadas da Europa.
Com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa colaborou no renascimento da Rádio Eclésia, Emissora Católica de Angola, e estabeleceu protocolos de cooperação e intercâmbio com emissoras de Cabo Verde, Guiné, Angola e Moçambique, nas diversas áreas da actividade radiofónica e na participação em projectos de promoção da língua portuguesa.
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