Assistentes do Corpo Nacional de Escutas

CNE na Paróquia, na Vigararia e na Diocese

A Casa Diocesana de Vilar, Porto, encheu-se, no dia 21, 4ª-feira, de padres com o lenço dos Escuteiros ao pescoço. Eram mais de sessenta, vindos de toda a Diocese, e participaram, durante todo o dia, no Encontro Regional de Assistentes do Escutismo Católico que teve por tema: «O Escutismo Católico, Anúncio de Jesus Cristo na Comunidade Cristã». Meia dúzia eram párocos que ainda não têm Escutismo nas suas comunidades, mas pensam fundá-lo em breve, e havia também alguns Diáconos e seminaristas dos últimos anos que aproveitaram esta oportunidade para conhecer este Movimento.

Este Encontro veio coroar uma série de deslocações efectuadas, ao longo de Abril, pelo novo Assistente Regional do Escutismo, P. José Nuno, a cada um dos sete Núcleos em que a Diocese se organiza, para reunir com os Assistentes dos Agrupamentos. Ele quis responder às carências de formação detectadas e aprofundar a reflexão sobre a Exortação Pastoral «O Escutismo, Escola de Educação», da Conferência Episcopal Portuguesa, e permitiu enquadrar esta experiência no caminhar da Igreja para o Terceiro Milénio, neste ano sob o tema de Jesus Cristo.


Educação da fé

Após um momento inicial de oração e de evocação do Padre Ângelo Ferreira Pinto, anterior Assistente Regional recentemente falecido, ao longo da manhã, em trabalhos práticos e com a ajuda de Dirigentes Leigos do CNE que generosamente dispuseram do dia ao serviço dos Assistentes, procurou-se encontrar as possibilidades concretas de anúncio de Jesus Cristo que o Escutismo oferece à Igreja. Na linha proposta pela referida Exortação Pastoral, foram analisados alguns elementos da pedagogia escutista, tentando descobrir quais as realidades da fé que melhor os iluminam e as oportunidades de intervenção pastoral que oferecem. E os Padres, tornados Escuteiros por um dia, concluiram que «a brincadeira do Escutismo pode ser uma brincadeira muita séria, cheia de oportunidades para fazer um anúncio de Jesus Cristo em moldes e numa linguagem adequada às novas gerações».

De tarde foi apresentado um instrumento de apoio à revisão de vida, formação cristã e conversão, para ser levado aos Agrupamentos e sobretudo para os Dirigentes. É o chamado «Plano de Acção Local - Anima a Fé», que foi caracterizado pelo Assistente Nacional do CNE, P. Manuel da Fonte, que participou em todo o Encontro.

O método usa a revisão de vida, apresentando indicadores de desenvolvimento para as áreas estratégicas fundamentais da vida dos Agrupamentos, de modo a ajudar a um crescimento da qualidade do Escutismo que se pratica. Este esforço de animação da Fé, debruça-se sobre três áreas: os valores que são apresentados e vividos pelos jovens, a proposta educativa que se realiza e, finalmente, os adultos no Escutismo: perfil humano e cristão, recrutamento e formação. Para cada uma destas dimensões são apresentadas questões que apontam o sentido do desenvolvimento desejável e, assim, ajudam a criar em cada Agrupamento uma atitude sistemática de revisão de vida e de formação que leve à conversão permanente.


Na Comunidade

Na última parte do Encontro, com a presidência de D. João Miranda, bispo auxiliar responsável pela Pastoral Juvenil, tratou-se da inserção comunitária dos Agrupamentos do CNE. Na sequência das conclusões do Congresso Regional do Porto sobre a Comunhão Eclesial e à luz da citada Exortação Pastoral, foi organizado um painel com Chefe e Assistente de Agrupamento para reflectir sobre a relação do Pároco com o Agrupamento e do Agrupamento com a Paróquia.

O Pároco do Bonfim caracterizou a sua história de Assistente como «experiência de sofrimento e de alegria», enquanto o respectivo Chefe de Agrupamento Adjunto contou o despertar progressivo do Agrupamento para «os verdadeiros fins do Escutismo que são a descoberta dos caminhos de Cristo... que são de felicidade... e o Escutismo visa levar cada um a encontrar a felicidade». O Pároco de Gondomar testemunhou a boa inserção paroquial do Agrupamento de que é Assistente e a descoberta de novas virtualidades evangelizadoras, e o o seu Chefe de Agrupamento Adjunto «a comunhão eclesial em que o Agrupamento se revê, a amizade franca e leal com o Pároco e Assistente, e a colaboração na missão da Igreja». E isso é importante sobretudo quando o Escutismo é «o único vínculo que os jovens mantêm com a Igreja».

D. João Miranda considerou que é bom sinal que um tão grande número de sacerdotes tenha disposto de um dia inteiro para conhecer o Escutismo. E acrescentou que o Escutismo é, na Diocese, «um grande movimento da Pastoral da Juventude», sendo mesmo «uma das respostas» que a Igreja tem para os jovens apelando a uma boa integração do Movimento na diocese, na vigararia e na paróquia. Lembrando depois a identidade do Escutismo, sublinhou que «o CNE deve partilhar os objectivos pastorais da Diocese e da Paróquia», entre os quais a evangelização e a catequese de adultos, a participação e a corresponsabilidade. E recordou que essa identidade «depende muito do Assistente e dos Dirigentes», tendo acrescentado que «no pós-Crisma, quando em muitas comunidades surge a questão de não saber o que fazer com os jovens, pode o Escutismo aparecer como uma forma de dar à juventude um ideal».

No fim do Encontro foi lançada a ideia de publicar, em breve e em gesto de homenagem ao P. Ângelo, os seus escritos sobre Escutismo e outra documentação produzida durante o tempo em que foi Assistente. E os Assistentes logo ofereceram dezenas de milhares de escudos para esse fim.


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