Este Encontro veio coroar uma série de deslocações
efectuadas, ao longo de Abril, pelo novo Assistente Regional do
Escutismo, P. José Nuno, a cada um dos sete Núcleos
em que a Diocese se organiza, para reunir com os Assistentes dos
Agrupamentos. Ele quis responder às carências de
formação detectadas e aprofundar a reflexão
sobre a Exortação Pastoral «O Escutismo, Escola
de Educação», da Conferência Episcopal
Portuguesa, e permitiu enquadrar esta experiência no caminhar
da Igreja para o Terceiro Milénio, neste ano sob o tema
de Jesus Cristo.
Educação da fé
Após um momento inicial de oração e de evocação do Padre Ângelo Ferreira Pinto, anterior Assistente Regional recentemente falecido, ao longo da manhã, em trabalhos práticos e com a ajuda de Dirigentes Leigos do CNE que generosamente dispuseram do dia ao serviço dos Assistentes, procurou-se encontrar as possibilidades concretas de anúncio de Jesus Cristo que o Escutismo oferece à Igreja. Na linha proposta pela referida Exortação Pastoral, foram analisados alguns elementos da pedagogia escutista, tentando descobrir quais as realidades da fé que melhor os iluminam e as oportunidades de intervenção pastoral que oferecem. E os Padres, tornados Escuteiros por um dia, concluiram que «a brincadeira do Escutismo pode ser uma brincadeira muita séria, cheia de oportunidades para fazer um anúncio de Jesus Cristo em moldes e numa linguagem adequada às novas gerações».
De tarde foi apresentado um instrumento de apoio à revisão de vida, formação cristã e conversão, para ser levado aos Agrupamentos e sobretudo para os Dirigentes. É o chamado «Plano de Acção Local - Anima a Fé», que foi caracterizado pelo Assistente Nacional do CNE, P. Manuel da Fonte, que participou em todo o Encontro.
O método usa a revisão de vida, apresentando
indicadores de desenvolvimento para as áreas estratégicas
fundamentais da vida dos Agrupamentos, de modo a ajudar a um crescimento
da qualidade do Escutismo que se pratica. Este esforço
de animação da Fé, debruça-se sobre
três áreas: os valores que são apresentados
e vividos pelos jovens, a proposta educativa que se realiza e,
finalmente, os adultos no Escutismo: perfil humano e cristão,
recrutamento e formação. Para cada uma destas dimensões
são apresentadas questões que apontam o sentido
do desenvolvimento desejável e, assim, ajudam a criar em
cada Agrupamento uma atitude sistemática de revisão
de vida e de formação que leve à conversão
permanente.
Na Comunidade
Na última parte do Encontro, com a presidência de D. João Miranda, bispo auxiliar responsável pela Pastoral Juvenil, tratou-se da inserção comunitária dos Agrupamentos do CNE. Na sequência das conclusões do Congresso Regional do Porto sobre a Comunhão Eclesial e à luz da citada Exortação Pastoral, foi organizado um painel com Chefe e Assistente de Agrupamento para reflectir sobre a relação do Pároco com o Agrupamento e do Agrupamento com a Paróquia.
O Pároco do Bonfim caracterizou a sua história de Assistente como «experiência de sofrimento e de alegria», enquanto o respectivo Chefe de Agrupamento Adjunto contou o despertar progressivo do Agrupamento para «os verdadeiros fins do Escutismo que são a descoberta dos caminhos de Cristo... que são de felicidade... e o Escutismo visa levar cada um a encontrar a felicidade». O Pároco de Gondomar testemunhou a boa inserção paroquial do Agrupamento de que é Assistente e a descoberta de novas virtualidades evangelizadoras, e o o seu Chefe de Agrupamento Adjunto «a comunhão eclesial em que o Agrupamento se revê, a amizade franca e leal com o Pároco e Assistente, e a colaboração na missão da Igreja». E isso é importante sobretudo quando o Escutismo é «o único vínculo que os jovens mantêm com a Igreja».
D. João Miranda considerou que é bom sinal que um tão grande número de sacerdotes tenha disposto de um dia inteiro para conhecer o Escutismo. E acrescentou que o Escutismo é, na Diocese, «um grande movimento da Pastoral da Juventude», sendo mesmo «uma das respostas» que a Igreja tem para os jovens apelando a uma boa integração do Movimento na diocese, na vigararia e na paróquia. Lembrando depois a identidade do Escutismo, sublinhou que «o CNE deve partilhar os objectivos pastorais da Diocese e da Paróquia», entre os quais a evangelização e a catequese de adultos, a participação e a corresponsabilidade. E recordou que essa identidade «depende muito do Assistente e dos Dirigentes», tendo acrescentado que «no pós-Crisma, quando em muitas comunidades surge a questão de não saber o que fazer com os jovens, pode o Escutismo aparecer como uma forma de dar à juventude um ideal».
No fim do Encontro foi lançada a ideia de publicar, em breve e em gesto de homenagem ao P. Ângelo, os seus escritos sobre Escutismo e outra documentação produzida durante o tempo em que foi Assistente. E os Assistentes logo ofereceram dezenas de milhares de escudos para esse fim.
| Primeira Página | Página Seguinte |