Eclesial:

ACTOS E ACTAS

Não há drogas por encomenda

«Se alguém quer seu meu discípulo, renuncie a si mesmo, peque na sua cruz, e siga-me». Na hora-da-Verdade eles não aguentaram o peso da Cruz, e Jesus ficou sozinho tendo por únicos companheiros dois bandidos. A única pessoa que ficou, de pé, junto da Cruz, foi a sua Mãe, a Mulher, a Nova Eva... Nossa Senhora da Dores, imagem da Igreja! Mas depois que «tudo foi consumado» nunca mais o Cristo Jesus ficou sozinho. A multidão dos Discípulos, apóstolos e mártires, desde aqueles primeiros dias até aos nossos dias, carregam a Cruz da Libertação, e participam na Redenção do Mundo, co-redentores, vencendo a Morte onde ela mata, no seu próprio terreno, terra-do-Ódio, derrubando todos os muros-do-Ódio. Amar até morrer de amar...

Escreveu o Apóstolo na bela carta aos Colossenses: «Eu completo m minha carne o que falta aos sofrimentos de Cristo, pelo seu Corpo, que é a Igreja» (1, 24). O erro de Lutero, e dos Protestantes que o seguiram, foi separar a Cabeça, que é o Cristo,, do seu Corpo, que é a Igreja. Foi uma atitude judaizante, pois fizeram em relação a Cristo o mesmo que os Judeus fizeram em relação a IAVÉ que isolaram nos céus... Só-o-Cristo passou a ser o Cristo-sozinho. O mesmo erro está de braços virados para o Céu, gente muito religiosa para quem Deus é tudo e os Homens são nada, o Evangelho às avessas, Boa-Nova que não é para a Terra, em que parece que Deus é que está em perigo, e não os Homens... Religião á maneira dos Muçulmanos em que só Deus é que conta... religião-da-Submissão! O pior é que os Católicos, mais influenciáveis do que se julgam, de tal maneira exaltaram a Cruz de Cristo que a esvaziaram da sua consubstancialidade em relação às dores do Mundo, aos sofrimentos dos Homens. Esta gente não pode compreender o que quer dizer: «O Cristo está em agonia até ao fim do Mundo». Cristo sem Cruz, ou a Cruz sem Cristo, dá no mesmo, são extremos que se tocam. Esvaziaram a Ressurreição e esvaziaram a Cruz. A Devoção roubou-nos o Senhor. Com a invenção da Santa Cruz, a descoberta constantiniana do Madeiro onde o Senhor foi crucificado, as cruzes de cada um de nós deixaram de ter qualquer valor próprio, valor acrescentado. Razão por que voltámos às cruzes da Servidão, servidão da Natureza e servidão da Lei.

Não admira. Estão a fazer o mesmo com Santa Maria, a Nova Era, isolando-a da Igreja de que faz parte e de que é a imagem, com quem está plenamente identificada. Não, exaltando Santa Maria unilateralmente, o perigo não está em acrescentar uma 4.ª Pessoa à SS. Trindade. O perigo está em roubá-la à Comunhão dos Santos, à Multidão de Pessoas que o Cristo chamou à unidade do Espírito Santo com o Pai e o Filho. Ora, a eterna lição da Igreja não precisa de novos dogmas para saber da Co-redenção onde entram Santa Maria e entramos todos Nós, a Nova Humanidade. Cristo é Deus com-o-Pai e é Homem com-Nosco, consubstancial a Deus e consubstancial aos Homens.

Ganhámos a fama de dogmatistas. Mas, de facto, não é de dogmatismo que sofremos. Sofremos é de canonice, o vício de dar à Verdade um conteúdo jurídico, o que nos bloqueia em relação ao conhecimento da Verdade que só pode ser procurada e encontrada, não pela Lei, mas pela Liberdade. A história dos Dogmas demonstra, à saciedade, que não há dogmas por encomenda. Travem os mariólogos, enquanto é tempo... Questões inúteis e intermináveis, como aconteceu com os sábios da Grécia, podem acontecer também com os devotos de Fátima que, tal como aconteceu em Lurdes, não foram capazes de interpretar as visões do grande sinal: «uma Mulher vestida de Sol» (Apocalipse 12,1). Não pode acontecer com a exaltação de Santa Maria os mesmos desvios que aconteceram com a Santa Cruz...
Leonel Oliveira
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Formação humana dos seminaristas

No Santuário de Fátima, estiveram reunidos de 1 a 5, cerca de 70 educadores dos seminários diocesanos para estudarem o tema "A formação humana dos seminaristas: problemas e perspectivas pedagógicas". O método adoptado permitiu analisar a realidade existente, reflecti-la à luz da Fé e procurar novos caminhos.

Os educadores chegaram à conclusão de que a "formação humana é o alicerce de toda a formação dos candidatos ao sacerdócio e que esta constitui um processo lento, gradual e doloroso". Mas ela depende não só da "humanidade" dos candidatos ao Ministério ordenado mas também das "experiências formativas" por que passarem.

Os participantes salientaram que nos seminários há dificuldades e deficiências como a "tendência para facilitar, a sedução pelo imediato, uma débil vontade para enfrentar dificuldades e para assumir compromissos". A problemática da formação humana interessou aos participantes deste encontro, tendo concluído de que valerá bem a pena estudá-la a partir da diversidade das experiências educativas dos nossos seminários. E sublinharam bem o papel do formador de "fazer crescer o formando a partir de dentro, a ser ele próprio, na autonomia, na liberdade, na responsabilidade, na capacidade de doação de si mesmo". Ao procurar perspectivas pedagógicas para a formação humana, os educadores dos seminários concluíram ainda que é necessário "valorizar e contar cada vez mais com o contributo dos leigos, incluindo a colaboração feminina"
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