Eclesial:

NA COMUNHÃO DAS IGREJAS


BRAGA

As obras de recuperação da Sé Catedral deverão estar concluídas até finais de Novembro.

De acordo com o Deão do Cabido da Sé Bracarense, Cónego Melo, a conclusão dos trabalhos vai permitir que a última etapa do Sínodo Diocesano tenha lugar na Sé Catedral. Após a conclusão destes trabalhos está planeado, a curto prazo avançar com o largamento do Museu da Sé, através de alguns imóveis doados pela Câmara Municipal à Sé Catedral, com escritura já agendada para 5 de Dezembro. Com este novo projecto apoiado pela autarquia local vai ser possível instalar a biblioteca capitular e o museu do Sínodo no rés-do-chão.


VISEU

Tendo como horizonte a festa do ano 2000, D. António Monteiro dirigiu aos seus diocesanos uma Carta Pastoral em que aborda a celebração deste ano pastoral na Esperança que nos vem do Espírito Santo.

Depois de abordar o tema da Esperança em várias vertentes, D. António lembra que a Esperança "não pode ser resultado de uma ideologia e, muito menos, uma alienação para adormecer cobardes. No centro da Esperança, está o Deus vivo, o Espírito Santo, o próprio Deus em acção no coração do homem e do mundo". É aqui que entra também a responsabilidade do homem. Por isso, "ser cristão não é questão de cerimónias, de ritos, de moral ou éticas mais ou menos acomodadas aos poderes deste mundo, de normas a servir, muitas vezes, os interesses dominantes". Ser cristão é saber ouvir e responder de forma constante aos apelos do Espírito Santo "que nos quer salvar em qualquer momento" e "que nos quer salvar a todos a qualquer momento" e que nos quer "salvar em tudo e com tudo o que temos e somos e também em tudo aquilo que estamos chamados a ser".


SETUBAL

Acaba de ser publicado o "Programa Pastoral Diocesano".

A aposta deste ano é, claramente, a pastoral Juvenil. Trata-se de uma posta que não aparece por acaso, uma vez que, ao longo do ano pastoral último, foram desenvolvidas várias reflexões em toda a Diocese sobre a pastoral com os jovens. Dessa reflexão saíram um conjunto de propostas, também já editadas pelo Secretariado Diocesano e que são para levar à prática ao longo do próximo ano pastoral. Segundo D. Manuel da Silva Martins os jovens serão um "estímulo" para a concretização das actividades pastorais ao longo de 1997/98. Dentro da prioridade dada aos jovens também se enquadra a preparação da celebração do Jubileu Ano 2000.


PORTALEGRE/ CASTELO BRANCO

Cerca de três dezenas de jovens estiveram, este verão, envolvidos num Campo de Férias. A iniciativa partiu de um grupo de Jovens Convívios Fraternos em associação com algumas paróquias e alunos inscritos em EMRC.

Na preparação desta actividade, os responsáveis procuraram ter em conta o trabalho de equipa e envolver o maior número de elementos na preparação dos trabalhos. E com este espírito foi possível contemplar uma série de actividades como reflexões sobre a droga, o Projecto Vida, programas de apoio a organismos juvenis, trabalhos cívicos de limpeza e visitas guiadas, para além de um tempo destinado à formação específica nas áreas de animação de grupos, psicologia da adolescência, estudo da Bíblia e oração.


BEJA

As diferenças de desenvolvimento nas diferentes zonas do país são um sério problema do nosso tempo. Em entrevista concedida a um jornal regional, D. Mamuel Falcão, bispo de Beja, lembrou as desigualdades regionais acentuadas nos últimos tempos, com 25% da população portuguesa a atingir os níveis de vida europeu enquanto 75% permanecem em situação modesta, como acontece no Alentejo a viver várias dificuldades. Mas estas, como lembra D. Manuel devem-se, em grande parte, ao desvirtuamento e falhanço da reforma agrária, muito ideologizada, e ao fraco investimento efectuado noutras áreas. Passado mais de duas dezenas de anos sobre o 25 de Abril, D. Manuel lembra que "o povo alentejano sente-se hoje grato ao Partido Comunista por lhe ter dado voz", mas, hoje em dia, as motivações políticas começam a ter pouco relevo na realidade alentejana.


MADEIRA

A Direcção Regional dos Assuntos Culturais e a Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais vão celebrar um protocolo de colaboração nos próximos tempos.

A igreja do Colégio, fundada pelos jesuítas, e a Sé do Funchal serão os dois monumentos da Madeira onde se vai registar, brevemente, essa colaboração bilateral. A vistoria dos tectos, das estruturas externas, com particular destaque para as cantarias, as pinturas e as esculturas no interior daqueles monumentos são os trabalhos a realizar numa primeira fase. De momento, decorrem trabalhos de reparação e restauro no Convento de Santa Clara, no Funchal.
Pereira Pinto
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ACTOS E ACTAS

Propagação sem propaganda

Coitados dos nosso contemporâneos, cada dia mais confusos com o que vêem e não entendem, perplexidade dos surdos! Oh! já não se trata dos clássicos endurecimentos típicos das habituações judaicas ou católicas à sombra do Templo ou da Igreja em que os Profetas ou os Apóstolos deparavam com a estranha espécie de surdos-mudos que não queriam ouvir: surdos que ouvem e que não são mudos... Que o diga Jeremias, e o diga Bernanos que conheceu, como os mais velhos de nós conheceram, paróquias mortas de Tédio. Trata-se agora de autênticos surdos-mudos, ou tartamudos, cuja perplexidade se adivinha nos olhos, e que haveriam de nos mover à compaixão, como moveram e comoveram o nosso Mestre nas suas raras e significativas incursões no Mundo Pagão às portas de Israel, de Tiro para Sídon e num salto para a Decápole. Estranho itinerário aquele descrito por Marcos. diz que Jesus saiu de Tiro para Sídon para a Decápole. Ora Sídon fica 30 quilómetros ao norte de Tiro! Grande incursão, profunda penetração, para quem se havia reservado as ovelhas perdidas de Israel, e que à Cananeia, antes de ceder à força da Fé da mulher, havia dito que o pão dos filhos não se deita aos cães... O erro das recentes vidas de Jesus está em não perceber que em cada passo do nosso mestre há um desígnio maior que o passo. vejam o surdo-mudo sobre quem Jesus impôs as mãos e a operação que se realizou sobre o homem. e em pleno território da decápole!

As multidões do evangelho voltaram, e em Paris os católicos franceses ficaram espantados, eles e os outros. Milagre do Papa? Oh! não. João Paulo, bispo de Roma, que na Cadeira-de-Pedro preside à comunhão das Igrejas, foi apenas testemunhar o fenómeno da Hora, hora da Graça. Vêm aí as multidões do Evangelho. Os Novos Bárbaros rondam a Igreja, mas para entrar vão precisar de encontrar novos padres, incluindo novos bispos, e novas comunidades em que os leigos voltarão a dar o nome à Igreja, Fogo que pega por si mesmo: a Nova Evangelização exige renovação completa dos pés á cabeça, do coração às mãos, pois a operação da Graça não é de massa... Os apóstolos da Hora, que na Una e Santa, Católica e Apostólica, não se reduzem aos Bispos, sucessores dos Apóstolos, não podem repetir o erro que esqueceu toda a operação da Fé é pessoal, não é massiva e não deve nem pode imitar os Mass-Media.

A operação que curou o surdo-mudo foi feita longe da multidão, num encontro pessoal com o Verbo que veio fazer o Homem que fez, Palavra recriadora. Toda esta visibilidade das multidões do Evangelho que voltam, precede uma outra visibilidade mais importante e eficaz, que é da ordem do Sacramento. É esta que edifica a Igreja e a significa. Trabalho pastoral que implica comunidades bem-formadas. Trabalho tremendo que implica dedicações sem reservas, e onde todos, sobretudo os mais pequenos, estão implicados e incluídos. O mais pequenino no Reino dos Céus tem o poder de fazer milagres, as maravilhas da Graça. Vem aí o centenário de Santa Teresa de Lisieux. Qualquer um hoje lhe percebe a grandeza, mas é preciso que se saiba e se diga que nos dias da sua vida ela não passava duma insignificante freirinha... Foi preciso conhecer-lhe o Diário, aliás retocado e até censurado, para lhe descobrir a grandeza toda feita daquelas pequenas coisas "que têm um ar insignificante, mas dão a paz" e para perceber que, mais do que tudo, o que importa é a Graça que pomos em tudo o que fazemos e que sofremos. As graças incríveis que há na Graça!

A propagação da Fé será sem propaganda da Fé. Os pequeninos que são muitos e estão hoje em tudo quanto é sítio e situação, serão eles os grandes agentes da Nova evangelização. Nova? Que pleonasmo mais chato! A Evangelização, por natureza e por processo, é nova e inovadora, permanentemente renovadora.
Leonel Oliveira
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A missão de evangelizar

A XV Semana Missionária Nacional, realizada em Fátima de 25 a 29 de Agosto, abordou o tema de «Jesus Cristo e a Missão 2000», integrando-se assim na caminhada de preparação que toda a Igreja está a realizar em ordem à celebração do Grande Jubileu.

A reflexão assentou na análise do mundo contemporâneo e na busca de formas mais adequadas para levar a Boa Notícia de Jesus Cristo a um mundo que está marcado pela hipermodernidade, com mutações rápidas e profundas, fragmentação das referências, materialismo e consumismo e com uma excessiva concentração dos bens materiais nas mãos de uma minoria opulenta e esbanjadora ao lado de situações de gritante injustiça. Infelizmente, nota-se ainda a redução da Igreja a um «hipermercado de serviços religiosos» e o reaparecer do Sagrado em formas pouco correctas.

O testemunho de vida cristã surge, neste contexto, como «a forma mais indicada para levar o anúncio de Jesus Cristo aos homens de hoje», devendo ser corajoso e comprometido, assente nos valores evangélicos da solidariedade, da responsabilidade, da bondade, do perdão, da esperança, da alegria e da interioridade.

Os Meios de Comunicação Social, enquanto «primeiro areópago dos tempos modernos», mereceram uma atenção particular. Uma generalizada atitude de desconfiança, medo e mesmo de condenação tem impedido a Igreja de se relacionar saudavelmente com os «media» e de investir na sua utilização ao serviço do Evangelho. A este propósito os participantes prometeram rever a sua atitude em relação aos Meios de Comunicação Social, no sentido de aproveitarem melhor as suas potencialidades para o anúncio do Reino de Deus.


Como preparar o Crisma?

Os 650 participantes da XX Semana Bíblica Nacional, organizada pelos Franciscanos Capuchinhos estiveram em Fátima, de 24 a 29 de Agosto, para estudar o tema: «O Espírito Santo, Senhor que dá a Vida».

Desta forma se prepararam para mais um ano a caminho do Terceiro Milénio e tomaram consciência de que importa «adquirir um maior conhecimento da presença e acção do Espírito Santo através do aprofundamento da Sagrada Escritura e de uma atenção especial aos novos sinais dos tempos». E os participantes sugeriram que se promova nas comunidades cristãs uma maior valorização do sacramento da Confirmação ou Crisma, através de «uma longa, cuidada e sistemática preparação». Só assim, acrescentaram, a Igreja poderá apresentar «um rosto rejuvenescido e credível». E pediram à Conferência Episcopal para que determine critérios e exigências fundamentais a seguir por todos.

Foi ainda sublinhado que os cristãos devem «tomar consciência da missão profética inerente à sua condição de baptizados, deixando-se impregnar e marcar pelo Espírito Santo, em ordem a um maior compromisso na Igreja e no mundo do nosso tempo, sobretudo nos sectores mais carenciados ou menos preparados para enfrentar os actuais desafios».


MOMIP em digressões por terras Açoriana

O MOMIP, Movimento Missionário de Professores, orientado pelos Missionários Espiritanos, realizou este ano o seu Encontro Nacional nos Açores, de 23 a 31 de Julho.

Os participantes, à volta de 40, vieram de todas as regiões do País e das próprias ilhas açorianas.

Durante a 1.ª parte do Encontro refletimos sobre a terra "A Escola no 3.º milénio" cujos subtemas foram abordados, de forma brilhante, por figuras ilustres da vida Académica de Ponte Delgada: dr. Miguel Loures da Silva, dr. José Maria Teixeira Dias e Esposa, Pe. José Constância.

Após 3 dias de reflexão sobre este assunto chegamos às seguintes conclusões:

- a educação para os valores deveria realizar-se em todos os momentos da vida;

- a educação deve ter como objectivo fundamental a humanização da pessoa, tornando-a mais sensível e aberta aos problemas dos outros e do Mundo que a rodeia, preparando-a assim para a vivência em comunidade;

- a educação deve levar ao desenvolvimento integral do ser humano, a um crescimento efectivo em liberdade e autonomia, fazendo emergir as aptidões naturais e valores, latentes na sua pessoa;

- a educação deve contribuir para que a aquisição de conhecimentos e o desenvolvimento científico estejam cada vez mais ao serviço do Homem;

- o educador, agente fundamental da educação, deve reunir qualidades sem as quais a sua tarefa será um fracasso. Assim a coerência, a verdade, a justiça, a capacidade de diálogo, de acolhimento, de partilha, a tolerância, a solidariedade, a simpatia, etc., são algo de imprescindível ao perfil do educador.

A 2.ªa parte do Encontro foi preenchida com visitas às maravilhosas ilhas de s. Miguel, Pico, Faial e Terceira. Ficamos encantados com a beleza paisagística de todas elas e regressamos sensibilizados com a simpatia das suas gentes, manifestada pela forma como fomos acolhidos em todo o lado. Não podemos esquecer o acolhimento de que fomos alvo aquando da nossa chegada ao aeroporto de Ponta Delgada, assim como a amabilidade e gentileza das colegas de Angra que nos acompaharam até à partida para Lisboa.

Já no avião continuava a bailar no nosso pensamento o refrão, várias vezes repetido ao longo da nossa estadia:

Ó Açores! Ó Açores!
Como tu não há igual
arquipélago mais bonito
deste querido Portugal.

Como de costume, a dimensão espiritual também teve um lugar importante neste Encontro, quer no seu dia a dia, quer reservando para esse efeito uma manhã de reflexão sobre a "Mística do Professro" orientada pelo Pe Farias.

Na véspera de partirmos e de pois de uma avaliação do Encontro, que, na opinião de todos foi positiva, deu-se a conhecer, a todos os presentes, que no próximo ano o encontro será em Lisboa, na 1.ª semana de Agosto.
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