Eclesial:

NA COMUNHÃO DAS IGREJAS


BRAGA

O turismo tem repercussões na pastoral da Igreja, como lembrou em Julho o Arcebispo D. Eurico Dias Nogueira num esforço de alertar as comunidades para esse importante fenómeno do tempo do Verão. De facto, se algumas comunidades "ficam rarefeitas nesta época", outras vêem-se muito acrescidas, mormente nos fins de semana.

Lembra D. Eurico que essa realidade tem implicações sócio-religiosas que não podem ser ignoradas pela pastoral da Igreja, devendo esta responder às necessidades espirituais das pessoas em férias e corresponder aos seus anseios, antes de mais, por um esforço de "bom atendimento". E refere uma adequada marcação de missas "a horas e em locais tidos por convenientes, o acolhimento dos interessados e oferta de serviços e lugares de encontro e convívio - ocupando equipas de jovens, nomeadamente, escuteiros - uma saudação fraterna no início da Missa e uma referência na 'oração de fiéis' inclusive nas línguas estrangeiras mais representativas na assistência", enquanto "nos lugares mais cosmopolitas talvez seja oportuna a celebração de uma Missa dominical em latim". E termina com um apelo "à imaginação criativa" no campo desta pastoral específica, como é o Turismo.

A inventariação do património religioso deve estar concluída até finais de Setembro, lembra uma carta enviada aos párocos por D. Carlos Pinheiro, bispo auxiliar e presidente da Comissão de Arte Sacra e Obras. Salienta que esse trabalho é simples, pois resume-se a uma indicação dos bens existentes, através do preenhimento de uns boletins. Para mais tarde ficará o trabalho de descrição das peças, através de "um arrolamento mais perfeito, levado a cabo pelos peritos". Esta primeira etapa, entretanto, é fundamental, pois, "o melhor modo de salvaguardar o espólio valioso da Igreja é começar pela inventariação".

A Congregação das Servas Franciscanas de Nossa Senhora das Graças de S. Jerónimo de Real vai iniciar, brevemente, a construção de um um novo Centro de Dia e de um Lar para a Terceira Idade. Para a concretização destes objectivos, a Congregação vai disponibilizar um imóvel que possui junto ao Colégio de Nossa Senhora das Graças, em Braga. Depois do parecer favorável do Centro Regional da Segurança Social, as obras deverão começar, a curto prazo, restaurando e adaptando o edifício às novas funções.

A obra social desta Congregação começou por beneficiar a paróquia de S. Jerónimo de Real em 1957, com a fundação do Patrono da Instituição que começou por acolher e educar 40 crianças pobres e carenciadas da zona. Depois foi a construção de uma creche, jardim de infância e um centro de actividades de tempos livres, com capacidade para 250 crianças.


COIMBRA

D. João Alves acaba de proceder a um conjunto de alterações a nível de responsáveis de algumas estruturas eclesiásticas diocesanas. Assim, o Seminário Maior tem, como novo reitor, o padre Aurélio de Campos, e uma nova equipa de educadores; o padre João Evangelista Pimentel Lavrador é Pró-Vigário Geral e o padre Jerónimo de Jesus Correia tornou-se Vigário Episcopal da Região Pastoral da Beira-Mar. Houve também nomeações para algumas paróquias.

Acabam de ser colocados na capela de Nossa Senhora dos Milagres, na Erada (Covilhã), três painéis em xilogravura da autoria de Monsenhor Nunes Pereira. Os quadros de grande dimensão (cerca de dois metros por um) representam a Anunciação do Anjo, a Assunção da Santíssima Virgem e o episódio das Bodas de Caná. O autor destas obras de arte completou recentemente 90 anos de idade, continuando em plena actividade.

GUARDA

A Diocese realizou, recentemente, a sua peregrinação anual a Fátima. Presidida pelo bispo diocesano, D. António dos Santos, a peregrinação constituiu uma jornada de fé e devoção mariana com uma participação empenhada de milhares de cristãos.

Do conjunto das actividades realizadas, destaque para a recitação do Terço e de uma reflexão orientada para o próximo ano pastoral, o segundo da preparação imediata para o grande jubileu, sobre o lugar do Espírito Santo na vida de Cristo e na acção da Igreja. O ponto alto da peregrinação foi a celebração da Eucaristia, com a participação de dezenas de presbíteros da diocese, a que presidiu D. António. A homilia, marcadamente mariana, foi oportunidade para recordar a mensagem de Fátima, a preparação do Ano Jubilar e um apelo à vivência diária da fé que se professa.


LEIRIA/FÁTIMA

Domingo foi dia de festa para a comunidade diocesana. Na Sé catedral D. Serafim Ferreira e Silva presidiu à cerimónia de ordenações de dois novos padres e de dois diáconos. Perante numerosa assembleia, foram ordenados presbíteros: Abílio Fernandes Lisboa, da paróquia dos Milagres, e Francisco José dos Santos Pereira, da paróquia de Amor. Os novos diáconos são ambos naturais da paróquia do Souto da Carpalhosa.

A cerimónia das ordenações foi aproveitada pela comunidade diocesana para prestar homenagem a D. Américo Henriques, Bispo emérito de Nova Lisboa (Angola), por motivo do 50º aniversário da sua ordenação sacerdotal, ocorrido no dia 19 de Julho.

O sonho começa a ser realidade e a Sé Catedral vai ter, em breve, um órgão de tubos. O processo de instalação, a cargo das oficinas de organaria de Georges Heintiz, na Alemanha, teve início no passado dia 20, estando prevista a conclusão dos trabalhos para finais de Outubro.


PORTALEGRE/ CASTELO BRANCO

A ordenação sacerdotal do padre Luís Filipe Cardoso Fernandes, dos Missionários do Preciosíssimo Sangue, foi, em Julho, um forte motivo de festa para as gentes de Proença-a- Nova. Nesse dia memorável, ocorreu ainda a celebração das bodas de ouro sacerdotais de dois padres e das bodas de prata de um outro, o que contou com a presidência do próprio Bispo D. Augusto César e com a concelebração de três dezenas de sacerdotes.

Na homilia, D. Augusto César, lembrou que o padre de hoje deve revelar um espírito de disponibilidade e de grande desprendimento para melhor serviço dos irmãos. Um lanche no fim da celebração criou um ambiente de inesquecível convívio fraterno.
Pereira Pinto
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Faleceu D. António
Bispo de Santarém

Na Casa de Saúde da Boavista, Porto, faleceu, ao início da tarde de 6ª-feira, D. António Francisco Marques, Bispo de Santarém, depois de prolongada e progressiva doença que o dominou desde Abril, depois da Assembleia Plenária da Conferência Episcopal reunida em Fátima.

Nascido em 15 de Junho de 1927 em Caranguejeira, Leiria, D. António estudou nos seminários franciscanos de Montariol, em Braga, e da Luz, em Lisboa, e foi ordenado de presbítero em Julho de 1952, pertencendo à Ordem dos Frades Menores.

Ao longo de 20 anos, foi pároco de Carnide, em Lisboa, até que foi feito Bispo em 16 de Julho de 1975 e nomeado para a nova diocese de Santarém, nesse dia criada por Paulo VI, tendo sido ordenado na igreja de Santa Clara, em 4 de Outubro. A nova diocese foi constituída pela região Pastoral de Santarém, criada em 1966 e que pertencia ao Patriarcado de Lisboa, sendo constituída por 110 paróquias de 13 dos 21 concelhos do Distrito.

D. António ocupou os mais diversos cargos na Ordem Franciscana, desde conselheiro provincial, vice-pronincial e presidente do Secretariado para a Formação. Foi Provincial dos Franciscanos e presidente da Conferência Nacional dos Institutos Religiosos. Foi presidente da Comissão Episcopal da Acção Social e Caritativa e integrou diversas comissões episcopais, desde a Liturgia ao Apostolado dos Leigos.

Como primeiro Bispo de Santarém, D. António foi reconhecido publicamente como exemplo de humanismo, cordialidade, zelo pastoral e grande dedicação à Igreja. Dedicou ainda muita atenção à defesa do Património, tendo dado o seu apoio à candidatura de Santarém a Património da Humanidade.

A celebração de exéquias foi na tarde de sábado, dia 30, decorreu no Largo do Seminário, em frente da Sé, dedicada à Imaculada Conceição, tendo sido presidida por D. António Ribeiro, cardeal patriarca de Lisboa. Os restos mortais seguiram depois para o Cemitério dos Capuchos.


Alcoolismo, flagelo a combater

Os Bispos das Dioceses do Centro, D. António Marcelino (Aveiro), D. António Monteiro (Viseu), D. António dos Santos (Guarda), D. Augusto César (Portalegre e Castelo Branco), D. João Alves (Coimbra) e D. Serafim Ferreira e Silva, elaboraram, há pouco, uma reflexão pastoral sobre o "alcoolismo, flagelo a combater", pois, em Portugal há cerca de 700 mil alcoólicos e mais de um milhão de bebedores excessivos, sendo a cerveja a bebida mais consumida.

O alcoolismo tornou-se, de facto, um problema grave, tanto a nível humano como social. As bebidas alcoólicas, em quantidades exageradas ou para quem, por várias razões, não as deva consumir, "começam por aviltar as pessoas na sua dignidade e tornam-se, depois, uma causa certa de degradação de saúde, física e mental, de destruição inexorável da vida familiar e profissional e de muitas mortes e deficiências físicas irreversíveis".

Perante esta realidade "vemos com agrado que cresce a preocupação de organismos oficiais, ante o consumo crescente de bebidas alcoólicas e dos seus efeitos", afirmam os Bispos, acrescentando que, felizmente, se multiplicam e generalizam os meios de informação, de prevenção e de tratamento, por parte de serviços credenciados "com extensões em vários centros de saúde da nossa região". E acrescentam que, também a Igreja, a nível de paróquias, tem vindo a desenvolver uma série de iniciativas "como encontros, conferências, trabalhos de grupos e equipas de apoio a doentes alcoólicos", havendo, em alguns casos, um serviço organizado e sistemático, concretamente através da Cáritas.

A finalizar a reflexão, os bispos deixam uma palavra amiga "às vítimas do alcoolismo e às suas famílias tantas vezes as mais atingidas por esta dolorosa situação".
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