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A demissão de F. W. de Klerk apanhou de surpresa
toda a classe política da África do Sul, recebendo,
no entanto, elogios da maior parte dos partidos que recordam a
acção positiva do ex-presidente na transição
do país para a democracia.
BÓSNIA - A OSCE (Organização para Segurança e Cooperação na Europa) que tutela, com mandato da ONU, a aplicação dos acordos de paz na ex-Jugoslávia, anunciou que está fora de questão um novo adiamento das eleições municipais na Bósnia, marcadas para 13 e 14 deste mês.
A declaração da OSCE responde a uma reclamação do Partido Democrático Sérvio da Bósnia que pretendia o adiamento das referidas eleições e a sua realização mais tarde, em simultâneo com eleições legislativas e presidenciais.
Entretanto, manifestantes ultranacionalistas sérvios
provocaram graves incidentes com polícias e veículos
ao serviço da ONU na localidade de Brcko (nordeste da Bósnia),
apedrejando também carros e soldados norte-americanos ao
serviço da SFOR.
ARMAS - O arsenal de armas
atómicas que os EUA possuem na Europa encontra-se reduzido
a 150 bombas, das 6.000 que existiam em 1985, nos últimos
dias da "guerra fria". Estas armas, classificadas como
"tácticas", estão estacionadas em diversos
países europeus: Grã-Bretanha, Alemanha, Itália,
Turquia, Bélgica, Holanda e Grécia.
SRI LANKA - O Exército do Sri Lanka (antigo Ceilão) anunciou que pelo menos 2.000 guerrilheiros tamil morreram na sua actual ofensiva no norte da ilha.
Desde que as tropas do governo iniciaram em Maio
passado as suas acções ofensivas contra a guerrilha
tamil, visando reconquistar o controlo de uma auto-estrada no
norte que une a península de Jaffna (teatro de operações
dos rebeldes tamil) ao resto do país, terão sido
também feridos cerca de 3.500 guerrilheiros, enquanto pelo
menos 600 soldados do exército regular morreram e cerca
de 3.000 ficaram feridos.
RÚSSIA - O chefe da Igreja Ortodoxa russa, Patriarca Alexis II, recebeu o arcebispo de Viena, Cristoph Schoernborn, em representação do Papa João Paulo II, com o qual abordou o difícil problema das relações entre a Igreja Ortodoxa da Rússia e a Igreja Católica.
Recorde-se que o Patriarca Alexis apoiou recentemente um projecto de lei que pretende cercear as actividades confessionais de igrejas consideradas estranhas ao povo russo, incluindo a Igreja Católica.
Este projecto foi duramente criticado quer pelo Vaticano, quer pelo Senado dos EUA e, apesar de ter sido aprovado pelo Parlamento russo, não foi assinado pelo presidente Boris Ieltsin.
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Os "paparazzi" que perseguiram o carro que levava Diana e o seu companheiro eram peões da guarda-avançada de um jornalismo selvagem. Este é capaz, para dar uma notícia, de assassinar o bom nome de uma pessoa, de tentar demolir uma instituição ou originar uma tragédia como a da madrugada de domingo, no túnel da Praça de Alma, em Paris. Mas os caçadores de imagem são-no porque têm sempre certo, e a pagar-lhes em conformidade, um mercado devorador que já não se confina ao espaço da imprensa de escândalo, porque também hoje jornais credíveis começam, em fim-de-semana, a recolher a fofoca e publicá-la. Mas para quem? Apenas para o deserto cultural que dá uma imagem envergonhante do nosso país? Ou também para todos os que estão, igualmente, a par do que se passa? As culpas são para dividir.
A luta selvagem pelo inédito que pode causar sensação é uma luta de garimpeiros. Como na procura do ouro, não há regras, vale tudo. Estamos no reinado da ignorância, em que os três diários de desporto - "A Bola", o "Record" e "O Jogo" - têm mais leitores do que os jornais de informação que se publicam todos os dias. Diante desta pobreza, há um cruzar de braços. Por incapacidade? Ou pelo tradicional fatalismo do "deixa correr"? O drama é que os papéis estão, hoje, invertidos. Dantes, eram os leitores que compravam os jornais. Agora, é a comunicação social que compra os leitores.
| Pacheco de Andrade |
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