Eclesial:

NA COMUNHÃO DAS IGREJAS


LISBOA

O Conselho Presbiteral reuniu, nos dias 3 e 4, no Seminário dos Olivais, para reflectir sobre "o padre testemunha e Jesus Cristo no mundo de hoje" e apresentar o programa diocesano de Pastoral para o próximo ano 1997/98.

A realidade actual, caracterizada pela complexidade e descontinuidade das situações, "levanta novos desafios à capacidade e missão evangelizadora da Igreja e do papel específico que cabe aos sacerdotes" como foi referido nas conclusões.

O programa de pastoral, apresentado ao longo do dia 4, privilegia a preparação do Grande Jubileu do ano 2000 e que convida os cristãos da diocese a aprofundar a vivência segundo o Espírito Santo, que se descobre e sente actuante na Igreja, em ordem a uma mais profunda identificação pessoal e comunitária com Jesus Cristo.

No espaço reservado à partilha de preocupações pastorais entre o presbitério, destaque para os assuntos relacionados com as obras sócio-caritativas da Igreja, na área do Patriarcado, e quais as respostas a dar aos novos problemas sociais; a vida do clero mais jovem e a sua situação específica; a evolução do presbitério diocesano nos próximos anos e consequências para a vida eclesial renovando o trabalho evangelizador, quer dos sacerdotes quer das comunidades cristãs em que estão inseridos e a que presidem.

A Comissão Nacional de Arte Sacra e do Património Cultural da Igreja quer fazer chegar a cada paróquia um manual de segurança para esclarecer os responsáveis pelos monumentos e obras de arte da Igreja sobre as medidas a serem tomadas em ordem à protecção do património cultural e artístico.

A ideia nasceu do Curso sobre "Segurança dos Monumentos e Obras de Arte da Igreja" que decorreu, em Fátima, no último fim de semana. Para isso, muito contribuíram os esclarecimentos deixados aos participantes por peritos em matéria de segurança, assim como pelas forças policiais. Mas antes de serem aplicadas rigorosas medidas de segurança é necessário concluir o inventário de todo património cultural e artístico da Igreja, como afirmaram os responsáveis por este sector e as autoridades policiais. Para além disso, será preciso desenvolver uma "cultura da segurança", valorizando o elemento humano apoiado por novas tecnologias, desde fechaduras, portas blindadas, alarmes e técnicos de inventário.

Incrementar o "Serviço Jesuíta aos Refugiados" (JRS) e implantar em Portugal um maior número de grupos de voluntários jesuítas são as principais conclusões do I Encontro Nacional de Voluntariado do JRS que decorreu, no dia sete, em Lisboa.

Esta preocupação de sensibilizar as pessoas para o trabalho de voluntariado característico do JRS é um dos objectivos a médio prazo. Daí que o encontro tenha sido uma oportunidade privilegiada para dar a conhecer, através de documentação, as origens e a actividade actual actual do JRS, tendo em vista uma escolha livre e consciente de eventuais candidatos ao voluntariado.

Actualmente, trabalham a tempo pleno no JRS 183 jesuítas e cerca de 500 voluntários.
Pereira Pinto
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ACTOS E ACTAS

Noites portuguesas

Pequeno não é defeito. "Small is beautiful". Os anões são pequenos? Os pigmeus são, os anões não, os anões não são pequenos. Nos anões há um defeito, defeito físico. Não puderam crescer, por qualquer falha genética. Nem tudo o que é pequeno é bonito, Bonito, bom e belo, verdadeiro, é o que é pequeno e pode, e quer, e sabe crescer. É o segredo das Plantas-Novas, dos neófitos... Quando o nosso Mestre nos diz que só entrarão no Reino dos Céus os que se tornaram pequenos, quer-nos dizer que ninguém pode ser e crescer por comparação ou por diminuição dos outros!... Há uma verdadeira humildade e há uma falsa humildade. Falsa é a humildade quando se torna um pedestal para o orgulho e uma desculpa para a mediocridade. Há nos verdadeiros humildes uma vontade de crescer, um desejo de grandeza, que os arrogantes e os vaidosos nem desconfiam. Razão por que Jesus os comparou às Crianças, e nos mandou pôr os olhos nelas. Nascer e crescer, eis o segredo, a força da Vida, a surpresa dos Santos que vivem entre nós.

Aos pequenos foi dada a Graça. À pequenez não. À pequenez das pessoas e das nações mesquinhas a Graça não consegue dar-se, comunicar-se, não tem lugar para pousar. Há dois propósitos que me propunha desenvolver, a propósito de Santo António e a propósito das dificuldades que a Igreja-que-está-em-Portugal tem para ser e estar aqui agora. É estranho. Não só os emigrantes, também os Santos, para brilhar têm que emigrar. Vejam S. João de Deus. Só depois de ter ido para Espanha é que os Portugueses se lembraram que ele era português. Com frei António aconteceu o mesmo. Foi preciso deixar Lisboa, onde asfixiava, e brilhar em Itália, para os Lisboetas descobrir que ele era de Lisboa... O que estraga este país não é ser pequeno, mas sofrer de pequenez. Vejam Teresa de Calcutá. Não, esta não é portuguesa. É natural dum país pequeno, mas não é portuguesa. Os santos não são exibicionistas, não chamam a atenção, mas quando alguém os descobre são uma revelação. Foi um espanto quando um jornalista da BBC mostrou ao Mundo aquela pequena mulher. Quem depois teria coragem de a diminuir? Ou de a levar à tribuna ou ao tribunal da SIC? E, contudo, há muitas teresas-de-Calcutá neste carfanaúm da cidade do Porto, que nem reparamos nelas, ou se reparamos é para encolher os ombros diante da mesquinhez de Lisboa e da insensibilidade de serviços pau-mandados que tratam coisas muito sérias com uma leviandade... que não choca ninguém, com uma falta de respeito com que não tratam o F. C. Porto!... O que me chocou neste caso não foi o modo como o Estado e os fazedores-de-Opinião trataram candeias muito humildes e que, por ir à frente iluminam duas vezes num campo cheio de dificuldades, e que são conhecidas (de quem as conhece) como a coisa mais interessante que há no género... Mas o que mais, mais me chocou foi o desconhecimento da parte dos Católicos portistas e nortistas, tradicionalmente tão ciosos das coisas da sua cidade e da sua região. Tudo chocou-me. Coisa estranha. Os Portugueses só reparam nos santos beatos... Porque há santos beatos. Não duvido que sejam santos. Mas entre os Santos, as preferências dos Portugueses vão para os beatos. Uns milagrezinhos pelo meio, e com umas rezas... o santo, o beato está feito. E ai de quem se meta com ele. A República e a Opinião têm muito medo de se meter com beatos, pois guerras de religião é do que mais têm medo.

Nada de novo sob o sol, ou melhor, sob a Lua portuguesa que é triste e devota, saudosda, sebastianista, projectando as suas sombras desde os montes ao mar onde morrem todos os sois. Mas as candeias não desistem, todas as luzes da Esperança, não podem desistir de velar no meio da noite portuguesa, pois há muito português que procura a luz no meio da Noite... Aqui é preciso estar e ficar, apesar de a gente não brilhar, embora seja noite...

Quando Jesus fala de crescimento e de multidões, não venham agora dizer-me que também a Igreja em Portugal está condenada á pequenez...
Leonel Oliveira
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