Sociedade:

SEMANA A SEMANA


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...INTERNACIONAL


ARGÉLIA - Após a luta pela independência, a Frente Nacional de Libertação (FLN) hegemonizou o poder na Argélia durante três décadas. Agora, em consequência das eleições recentemente realizadas no país, a FLN deve regressar ao governo aliada à União Nacional Democrática (RND) liderada pelo presidente Liamine Zéroual, em virtude de ter sido o terceiro partido mais votado. Os 155 deputados assegurados pela RND em conjunto com os 64 da FLN garantem uma maioria estável no Parlamento de Argel.


CONGO - Milhares de mortos nas ruas de Brazaville confirmaram, de forma drástica, na passada semana, o recrudescimento dos combates nas ruas da capital congolesa, apesar de um cessar-fogo unilateral decretado pelo presidente Pascal Lissouba, que, na prática, não passou da mera intenção. As forças governamentais e as tropas fiéis ao ex-presidente Sassou Nguesso mantinham fortes combates com armas pesadas, destacando-se a utilização de morteiros de 120 mm, o que motivou a intervenção de um grande contingente da Legião Francesa que procedeu à evacuação dos estrangeiros residentes em Brazaville.

Todavia, no fim de semana passado, mediante mediação do governo norte-americano, decorriam conversações tendentes a obter um cessar-fogo efectivo entre os beligerantes.


HONG-KONG - Em 1 de Julho próximo, o território de Hong-Kong passará a ser administrado pela China, pondo termo a um prolongado período de administração britânica. Por esse motivo, e devido ao estatuto negociado entre Londres e Pequim, os cidadãos residentes naquela cidade do Extremo Oriente, vão passar a usufruir de uma situação especial, titulada por um passaporte específico, muito procurado nestes derradeiros dias em que aquela cidade ostenta a bandeira britânica. Trata-se de um documento que garantirá aos residentes o direito de viajar para o estrangeiro, onde surge uma fotografia digitalizada do titular, a qual se autodestruirá em caso de tentativa de falsificação. É a técnica mais avançada, utilizada pela espionagem, ao serviço das liberdades individuais...


ANGOLA - A UNITA afirmou que o Exército angolano desencadeou em meados de Maio uma ofensiva de grande envergadura na região das Lundas, onde uma boa parte da produção mineira de diamantes tem sido controlada pelas tropas de Jonas Savimbi.

Estas notícias que, a confirmarem-se, podem colocar em causa o processo de paz angolano, estão a ser investigadas por observadores da ONU.

O governo angolano, por seu turno, tem afirmado que a movimentação do Exército naquela região se destina a defender a fronteira com o (ex-)Zaire onde se acolheram militares fiéis ao derrotado presidente Mobutu.

Entretanto, foi noticiada a realização de um encontro entre o líder da UNITA, Jonas Savimbi, e o presidente angolano, José Eduardo dos Santos, provavelmente em Itália.


EUA - O ex-militar Timothy McVeigh, de 29 anos, foi considerado por um Tribunal de Denver (EUA) como o autor do atentado ocorrido em 1995, na cidade de Oklahoma, que vitimou 168 pessoas, das quais 19 eram crianças.

Os doze membros do júri proferiram um veredicto unânime sobre a responsabilidade de McVeigh na explosão do edifício do Governo dos EUA em Oklahoma, de que resultou a sua condenação à morte.


FRANÇA - Uma cimeira entre o presidente francês, Jacques Chirac, e o chanceler alemão, Helmut Khol, realizada em Poitiers, no dia 13, não teve os resultados esperados, uma vez que os observadores referem a existência de grandes divergências entre os dois dirigentes.

Apesar das palavras cordiais de ambos os políticos, parece que esta 69ª cimeira franco.-alemã não conseguiu uma convergência de opiniões sobre a política social europeia, capítulo que ganhou novo fôlego com as recentes vitórias eleitorais do Partido Socialista (de Lionel Jospin), em França, e do Partido Trabalhista (de Tony Blair), no Reino Unido.
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PONTO DE VISTA

Debate oportuno

O encontro sobre droga, aprazado por Jorge Sampaio para quinta-feira desta semana, no Centro Cultural de Belém, justifica-se pela necessidade de se debaterem os graves problemas que a toxicodependência veio trazer à sociedade civil. Não existe uma solução infalível para os resolver. O que tem havido até agora são programas de reeducação e de recuperação, centros de tratamento, e o indispensável esforço das polícias para reduzir o tráfico. Todos os dias a comunicação social noticia apreensões de droga em locais onde ela é vendida e procurada. Seria injusto e indiciador de lamentável ignorância menorizar o que os governos e as instituições, e com maior relevo o Projecto VIDA, têm feito, no sentido de fazerem regressar às famílias e à sociedade aqueles que a droga escravizou, e de defenderem os que não estão contaminados.

Neste momento, parece crescer o número dos que advogam uma distribuição controlada de droga aos toxicodependentes. Em causa a liberalização. O que essencialmente se pretende com esta medida é diminuir o número de assaltos que inquietam o cidadão, pôr cobro às ameaças com seringas, normalizar a rua. Mas o que se busca não é tanto a cura de quem se droga, como, sobretudo, desenvolver a tranquilidade aos cidadãos, tornando mais barato e acessível o preço da heroína. Não se trata de recuperar o toxicodependente, mas sim de lhe tornar mais acessível o preço da heroína. Não se trata de recuperar o toxicodependente, mas sim de lhe tornar mais acessível a rota para o consumo.

A que conclusões chegará este seminário do Centro Cultural de Belém? Andamos todos à procura. Uma coisa é certa: o caminho para resolver o que é mais difícil nunca foi o mais fácil.
Pacheco de Andrade
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Participação e democracia

Os delegados de 15 países europeus do Movimento Mundial de Trabalhadores Cristãos (MMTC), entre eles uma delegação da LOC - Liga Operária Católica, constituída pelos seus coordenadores nacionais, José Maria Costa e Graziela Abraços, reuniram-se em Estrasburgo, de 28 de Maio a 1 de Junho, sob o tema: "A Democracia, lugar de participação e dignidade"

A democracia é uma preocupação constante do MMTC que, já por altura da Assembleia Geral realizada no Porto em 1996, elaborou um plano para quatro anos em que se dá particular atenção ao modo como se vive a democracia. Ele pretende desenvolverr verdadeiras relações em todos os domínios da sociedade: económico, político, cultural, familiar, a nível dos próprios movimentos e na Igreja.

As respostas a um questionário preparatório permitiram que os delegados pusessem agora em evidência as dificuldades que surgem na vida democrática, os sinais de progresso, os desafios postos aos Movimentos e ao MMTC, e os laços existentes entre a democracia e o Evangelho de Jesus Cristo.

Uma realidade que foi detectada em todos os países da Europa foi o domínio do económico sobre o político com todas as suas consequências (desemprego, precaridade, exclusão social). Para além disso, a multiplicidade de escândalos e de corrupção fazem com que os cidadãos se desinteressem da política. Nas empresas prevalece o emprego precário, nomeadamente em relação às mulheres. E nas relações sociais está longe de haver igualdade homem/mulher, seja nas instituições e nos sindicatos, nos salários ou no acesso à formação.

Há, entretanto, alguns sinais de progresso, como a acção das organizações contra o sistema neoliberal dominante, a vontade de construir uma verdadeira Europa Social, a coordenação sindical a nível europeu, a participação elevada em certas eleições locais, a partilha das responsabilidades familiares. E os Movimentos tentam viver, no seu interior, uma verdadeira democracia participativa, graças a uma maior interacção entre os responsáveis e os membros.
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