Eclesial:

NA COMUNHÃO DAS IGREJAS


VIANA DO CASTELO

Decorreu nos dias 8 e 9, em Viana do Castelo, o XIX Encontro Diocesano de Pastoral Litúrgica subordinado ao tema "O matrimónio e a sua celebração".

As conclusões, apresentadas pelo padre Adão Lima, director do secretariado diocesano desta área da pastoral, referem que "o matrimónio é uma realidade que nos envolve a todos, quer pelas interrogações que levanta, quer pela parte da responsabilidade que cabe a cada um na difícil tarefa de anunciar o Evangelho". O testemunho dos cristãos deve ser um ponto de referência para os mais novos, muitas vezes desorientados por falta de conselhos e disponibilidade. Por isso, "o exemplo do nosso altruísmo, afirmou Adão Lima, será contagiante e não os nossos discursos; a disponibilidade será dinamizadora como a nossa prontidão para ser anunciadores dos valores que nos correm na alma fazendo assim mudar a prática de outros e dar outro rosto ao mundo".

Em termos de orientações práticas, as conclusões referem a necessidade de se apostar, quanto antes, na criação em todos os arciprestados diocesanos de um Centro de Preparação para o Matrimónio, de acordo com uma sugestão apresentada por D. Armindo Lopes Coelho no início do encontro.

Com 19 realizações, o encontro anual de pastoral litúrgica constitui já um ponto referencial da pastoral diocesana, não só pelo elevado número de participantes ( cerca de 300 este ano) como também pelo trabalho de reflexão e estudo que é feito.


BRAGA

D. Eurico Dias Nogueira quer dar o seu lugar a uma pessoa mais jovem e já enviou para o Vaticano o seu pedido de substituição de Arcebispo Primaz.

Após vinte anos de trabalho pastoral em Braga, o balanço será feito no Advento e a realização do Sínodo diocesano constitui um dos grandes e últimos trabalhos pastorais, como referiu à comunicação social. A propósito da realização do Sínodo, o trabalho realizado em toda a diocese é de enaltecer e constitui "um autêntico rejuvenescimento da Igreja bracarense", com a participação de mais de 1500 grupos sinodais.

Sobre o seu futuro, D. Eurico adiantou que gostaria de dedicar-se ao jornalismo.


VISEU

O Centro Diocesano de Pastoral começa a ser uma realidade para a Igreja Viseense. A primeira parte do novo Centro Sócio-Pastoral Diocesano foi inaugurado, no dia 18, numa cerimónia que contou com a participação de numerosas individualidades, destacando-se o ministro da Solidariedade e Segurança Social, Ferro Rodrigues.

Na sessão solene, Ferro Rodrigues lembrou que a Igreja tem desempenhado um papel notável no campo da solidariedade social ao longo dos tempos. Para o bispo diocesano a concretização do projecto ainda vai exigir muito à comunidade diocesana, pois os recursos financeiros escasseiam. Até agora, como foi referido, foram investidos 300 mil contos, registando-se uma comparticipação estatal de 100 mil. As instalações agora inauguradas compreendem uma residência de uma comunidade religiosa que apoiará o Centro, uma zona reservada a sacerdotes idosos e acompanhantes e sede de diversos serviços de pastoral.


COIMBRA

A igreja de Santa Cruz de Coimbra está a ser alvo de obras de restauro, com a utilização de um projecto de restauro até agora pouco aplicado em Portugal.

A degradação do edifício, já em estado bastante adiantado, apesar das obras efectuadas na década de 30, exigiu um estudo por parte do IPPAR que reconheceu a desagregação pulvurenta devido à presença de sais solúveis, dejectos de pombos e poluição atmosférica. Para fazer face a todos estes problemas foi elaborado o projecto de restauro, de que se destaca, um sistema anti-pombos que se baseia na criação de picos de tensão eléctrica, sem passagem da corrente, provocando o afastamento das aves, por contacto directo ou por aproximação de 30 centímetros.

A construção da igreja data de 1131, tendo sofrido várias transformações nos séculos XVI e XVIII.


ÉVORA

A arquidiocese homenageou, no dia sete, o novo Administrador Apostólico de Baucau, Timor, D. Basílio do Nascimento. Centenas de fiéis associaram-se à festa de homenagem, na missa de acção de graças, que teve lugar na Sé catedral, sendo de destacar a participação no acto litúrgico de D. Maurílio de Gouveia, D. Manuel Madureira, bispo do Algarve, D. Manuel Falcão, bispo de Beja, D. José Ribeiro, bispo emérito de Timor e seis dezenas de sacerdotes.

Nas palavras que dirigiu à assembleia no início da cerimónia, D. Maurílio lembrou alguns laços que unem Timor à Igreja evorense: O bispo emérito de Timor, D. José Ribeiro foi sacerdote e bispo auxiliar em Évora; os seminaristas timorenses, durante vários anos, frequentaram o Seminário Maior de Évora; D. Basílio do Nascimento estudou em Évora e aqui exerceu o ministério sacerdotal( padre, professor e director espiritual do Seminário) ao longo de doze anos. Na homilia, D. Basílio do Nascimento referiu algumas das preocupações que tem como bispo de uma nova diocese onde está quase tudo por fazer, em termos de estruturas pastorais e onde o número de sacerdotes é reduzido (para 23 padres para uma população de 250 mil habitantes).


BEJA

O Departamento do Património Histórico e Artístico vai dar a conhecer as principais peças de arte existentes nas igrejas diocesanas.

O inventário do património religioso, realizado ao longo de alguns anos, contabiliza cerca de 50 mil peças de arte. Chegou agora a altura, de acordo com os responsáveis diocesanos, de organizar uma exposição itinerante por terras do Baixo Alentejo e outras do país e mesmo do estrangeiro.

A concretização desta iniciativa que terá por tema "Entre o Céu e a Terra - Arte Sacra na Diocese e Beja" vai ter o apoio de vários organismos oficiais e é financiado com dinheiros comunitários. Para já, a primeira exposição terá lugar, a partir do próximo outono, e durante dois meses, na Pousada de S. Francisco, em Beja.


SETÚBAL

A comunidade paroquial de S. Paulo, na cidade do Sado, tem uma nova igreja. A cerimónia de inauguração teve lugar no passado dia 25, dia da conversão de S. Paulo e foi um momento de festa para toda a comunidade reunida à volta do seu bispo.

A nova igreja, da autoria do arquitecto Fernando Ziegler, tem capacidade para 340 lugares sentados, e dispõe ainda de um cartório paroquial, sacristia, salas para apoio aos serviços de pastoral, duas capelas mortuárias e um salão polivalente. A nova igreja destina-se, predominantemente, às comunidades cristãs dos Bairros do Liceu, Amoreiras, Urbisado e Vanicelos.

Uma delegação da cáritas diocesana esteve, recentemente, em Moçambique, no âmbito de um programa de cooperação estabelecido com os países africanos de língua portuguesa.

Esta visita serviu para constatar as graves dificuldades do dia a dia das gentes moçambicanas e que as campanhas de solidariedade não bastam para resolver os problemas. O caminho a seguir terá de ter também em conta uma cooperação que privilegie as capacidades naturais e humanas do país, de modo especial, como foi referido, a criação de estruturas no campo da saúde e educação e a formação de pessoal qualificado. Só assim é possível falar de um desenvolvimento sustentado. Neste sentido as verbas resultantes da renúncia quaresmal de 1995 serão para a construção do Centro Social da paróquia de S. João de Deus-Nampula, que terá as valências de jardim de infância e um centro materno-infantil
Pereira Pinto
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ACTOS E ACTAS


Semper reformanda

Esta insatisfação é boa. Está justificada. Felizes dos que têm fome e sede d Justiça, pois serão saciados. Há coisas que andam a precisar de um bom debate e de lugares, tempos e formas onde a Pasmaceira e o verniz do Conformismo se quebre, estale ao choque de uma boa discussão. No Centro Social de Nevogilde houve um bom debate, não por eu ter lá estado, mas porque houve, de facto, uma boa discussão onde os padres não falaram por ser padres e os leigos não se calaram por ser leigos. Os anseios e dúvidas puseram-se em comum, as questões não foram torneadas, e o diálogo não foi de surdos. O documento em circulação «Uma Petição Do Povo de Deus» é mais equilibrado do que me pareceu quando dele tomei conhecimento pelos meios de comunicação. Mas não é um bom documento. E penso que isso ficou claro depois do debate. Houve quem dissesse que o texto espanhol tem mais nível. Com efeito, quem vai a Roma não pode apresentar-se de qualquer maneira Ou apresenta-se, de mãos nuas, como Francisco de Assis, ou à maneira de Catarina de Sena, cuja coragem e desassombro, simplicidade e lucidez, puseram o Papa no lugar dele...

Nestas lutas e paciência, paciência dos sábios e dos fortes, é fundamental. Nas lutas no interior da Igreja. Paulo, ao dirigir-se em Jerusalém às colunas da Igreja, usou uma estratégia, para, conforme escreveu, não perde o seu tempo... Para isso, antes de lançar em assembleia a Grande Questão, falou com cada um dos Apóstolos em particular para escrever um desaire. Mas na Igreja é preciso andar com estes rodeios? É, é preciso. Mesmo com os Santos, sobretudo com os Santos... Todos os movimentos que na Igreja tiveram êxito, muitas vezes partidos de minorias, foram profundos e foram pacientes. Os Leigos têm razão. Eles são Igreja. A própria Igreja é deles que recebe o nome. Assembleia. Assembleia de quem? Do Povo, povo de Deus. Aí estão outra vez, e sempre os Leigos, depois do Vaticano II tratados com muito carinho e... pouca consideração! Nisto têm razão, os que no debate ocorrido em Nevogilde se queixaram que não são tidos nem achados nos conselhos e deliberações nas e das Comunidades. As questões é que me pareceram fracas, e a atitude, como Carlos de Azevedo notou, um tanto ou quanto equívoca. Se os leigos são Igreja, não podem umas vezes pensar e falar como se fossem e outras vezes dirigir-se à Igreja como se estivessem de fora... Além de alguns gritos roucos, houve intervenções e interpelações de grande nível, o que nos leva a crer, e a esperar que não está longe a hora em que os Leigos travarão com os Padres debates e diálogos em pé de igualdade, a igualdade fundamental de todos os Baptizados.

Oriundos e situados em pleno Mundo, um pouco marcados pela desconfiança laica face à Igreja, percebe-se um certo ressentimento, aliás justificado face ao vício clerical que ainda reina em certas esferas da Igreja. Mas os Leigos têm tendência para esquecer que quem reforçou o poder clerical foi e ainda é, exactamente, o poder laico. Certamente que, para nos livrarmos de clérigos e laicos, não basta esperar que caiam de podres. A Igreja poderia asfixiar debaixo destas excremências tão contrárias à sua natureza, vocação e missão.

No caderno reivindicativo da Petição há, no meu ver, algumas confusões. E é preciso ter cuidado. Quem vai a Roma, não pode carregar confusões. Lá, como cá, há o melhor e o pior. E o pior chama-se fermento-dos-Fariseus e fermento-de Herodes. Que o diga o grande Bernard Haring! Aqueles gabinetes estão armados até aos dentes, armados de dialética e de cânones... E para ir ao Papa, tem que se passar por câmaras e camareiros. Se fosse hoje, nem um bilhete postal de Santa Catarina de Sena lhe chegaria às mãos. Há coisas em que a minha amada Roma, a Santa Igreja de Roma, melhorou a olhos vistos. Mas há coisas em que piorou. O amor católico por Roma é um amor penoso e dorido. Sempre foi. Ainda não deixou de ser. Felizmente que a Igreja é muito grande, hoje à escala do Mundo, e os dias da Graça correm uns atrás dos outros, sem encandear os olhos em Roma. Mas somos Igreja ou não somos Igreja? Se somos, então não nos dirijamos à Igreja como se não fôssemos, como se pudéssemos ter dois discursos, um seguindo as modas do Século, e outro acusando a Igreja de ser quem é, de fazer o que diz. Fermentar o Mundo é uma coisa. Deixar-se fermentar pelo Mundo é outra. Ou há alguma intolerância em ensinar, contra as modas do Século, que a educação da Sexualidade chama-se castidade tal como a educação da Agressividade se chama justiça e paz?

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Dioceses do Centro a caminho da Páscoa

Conscientes da importância pastoral do tempo da Quaresma rumo à Páscoa, os bispos das dioceses do Centro (Aveiro, Coimbra, Guarda, Leiria-Fátima, Portalegre-Castelo Branco e Viseu) escreveram aos seus padres uma carta sob o título: "Ao serviço do

Povo de Deus na caminhada para a Páscoa".

Neste documento, os bispos apontam algumas sugestões para uma maior convivência quaresmal: "valorizar a celebração de Quarta-Feira de Cinzas, entrada da caminhada quaresmal, bem como o ponto culminante desta caminhada, o Tríduo Pascal e,

neste, a Vigília da Páscoa" e "exortar as comunidades e, designadamente, os doentes e as crianças a rezarem e a unirem os seus sacrifícios à Paixão e à Cruz do Senhor pela santificação do Povo de Deus, pela conversão dos pecadores, pela união dos cristãos e pela paz".

Do ponto de vista social, lembram "a generosidade dos cristãos, em ordem a dar resposta a algum problema social concreto, segundo a sugestão do Papa na sua mensagem para a Quaresma e as indicações diocesanas sobre a partilha quaresmal e contributo penitencial".

Em relação às famílias, o apelo dirigido aos sacerdotes para que as levem a empenhar-se na vivência quaresmal, valorizando os de partilha com outras famílias necessitadas e o testemunho na comunidade cristã e no seu meio social".


Liberdade de consciência

Está a ser estudada a reforma da Lei da Liberdade Religiosa no nosso país. Se nós, os católicos, nos assustássemos com o reconhecimento, por parte do Estado, dos direitos que assistem a outras confissões, isso seria sinal de que não entendemos o porquê das janelas abertas na Igreja pelo Concílio do Vaticano II. A uma igualdade de direitos não corresponde, no entanto, um mesmo percurso histórico, nem mesmo percentual, em termos de população crente. É, assim, respeitada, à face da lei, a liberdade de consciência e o direito de cada um ter as suas convicções. Se olharmos para séculos anteriores, e não é preciso recuar muito, encontraremos os escombros de vidas que a intolerância fez. Hoje, os ventos sopram para horizontes abertos, e em quase todos os países do Ocidente as pessoas são livres para pensarem e seguirem aquilo em que acreditam. Curioso é que, quando se discute, mais uma vez, o aborto, e há médicos a quem a sua consciência diz para recusarem qualquer colaboração com práticas abortivas nos hospitais onde operam, se ouçam vozes que apelam para que não se valide a liberdade de consciência, e esses médicos seja obrigados a fazerem o que a lei faculta. O fundamentalismo e a intolerância não são, apenas, reminiscências do passado. Basta ler os jornais, para facilmente registarmos que são do nosso tempo. E esta pressão sobre os médicos aí está a demonstrá-lo.
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