| Eclesial: | ||
FUNCHAL
No dia do Consagrado, o Bispo D. Teodoro
lembrou na Sé que, para além de algumas sombras
na vida da Igreja, «há momentos em que os raios de
beleza de Cristo transparecem na vida dos cristãos e dos
consagrados». E acrescentou que, quando um descrente ou um
ateu prefere uma casa religiosa para ser tratado na sua doença
grave, ... mostra que descobriu naquela pessoa ou instituição
algo de belo e sublime que lhe dá confiança e...
admite que provém de algo transcendente». Acrescentou
ainda que a mulher é o «sexo forte» nas actividades
da Igreja, pois cerca de 60% do serviço missionário
e caritatvo pertence às religiosas.
VIANA DO CASTELO
A programação pastoral foi o principal tema da última reunião do Conselho Presbiteral. Num primeiro momento, os participantes fizeram o balanço de algumas celebrações diocesanas, sendo de destacar a realização do "Forum Sacerdotal" levado a cabo na Semana da Diocese e a grande mobilização de jovens escuteiros na celebração da Solenidade de Cristo Rei. Seguiu-se, depois, a apresentação e a calendarização das actividades pastorais das principais celebrações jubilares de âmbito diocesano. A peregrinação diocesana será em 8 de Junho, ao Monte de Santa Luzia, em Viana do Castelo, em honra do Sagrado Coração de Jesus. Em 1998, será a 31 de Maio, ao templo do Espírito Santo em Paredes de Coura; em 1999, as celebrações serão centralizadas na Sé Catedral, e, finalmente, no ano 2000, a peregrinação diocesana será ao Santuário de Nossa Senhora do Minho, na Serra de Arga.
A par destas celebrações de natureza
litúrgica, haverá também outras mais ligadas
à acção sócio-caritativa. Para já
aponta-se para a implementação de movimentos como
a Cáritas e Conferências Vicentinas, em todas as
comunidades paroquiais.
AVEIRO
Reunido em Albergaria-a-Velha, o Conselho Diocesano de Pastoral, sob a presidência de D. António Marcelino, debruçou-se sobre alguns comportamentos menos éticos que, hoje em dia, dominam as relações entre as pessoas.
Da reflexão efectuada, os participantes, cerca de 30, apontaram algumas das causas e consequências da corrupção: prevalência do progresso económico sobre a pessoa humana com a sobreposição do interesse individual ao colectivo; competitividade desenfreada, com o homem ao serviço da economia e não o contrário; globalização da economia onde nascem estruturas que geram e esmagam os menos capazes criando marginalizados de toda a ordem; falta de emprego e predomínio da mentalidade consumista, em que os fins justificam os meios; ausência de um quadro de valores, com consequências nefastas para o homem e sociedade; tráfico de influências e exclusão social.
No final dos trabalhos, D. António Marcelino
lembrou que "o papel da Igreja não é o de impôr,
mas o de caminhar com os homens", cabendo ao cristão
denunciar as injustiças e anunciar a possibilidade que
está ao alcance de todos os homens de boa vontade de criar
uma sociedade mais justa e fraterna de acordo com o Evangelho.
Por isso, "urge levar os homens a descobrir os seus valores
e direitos, denunciando formas e atitudes de corrupção
e de falta de solidariedade".
PORTALEGRE/
CASTELO BRANCO
"A Paz verdadeira não pode reduzir-se a uma Paz negativa ou à simples ausência de guerra" afirmou, há dias, D. Augusto César aos elementos do Rotary Club de Abrantes.
Perante uma audiência atenta, D. Augusto partindo
da análise pós-2ª Guerra, da experiência
vivida em Moçambique e da agressividade do mundo de hoje,
apontou alguns caminhos possíveis para a paz. Caminhar
para a paz significará, assim, educar para "uma ampla
concepção de justiça distributiva e social
e, paralelamente, para o amor autêntico, e a libertação
de conceitos e de situações opressivas". A
ausência de paz poderá "comprometer a sobrevivência
do género humano".
SETÚBAL
A comunidade paroquial de S. Paulo, em Setúbal, tem uma nova igreja. A cerimónia de inauguração teve lugar no dia 25, dia da conversão de S. Paulo, e foi um momento de festa para toda a comunidade reunida à volta do Bispo.
A nova igreja, da autoria do arquitecto Fernando
Ziegler, tem capacidade para 340 lugares sentados, e dispõe
ainda de um cartório paroquial, sacristia, salas para apoio
aos serviços de pastoral, duas capelas mortuárias
e um salão polivalente. A nova igreja destina-se, predominantemente,
às comunidades cristãs dos bairros do Liceu, Amoreiras,
Urbisado e Vanicelos.
Uma delegação da Cáritas diocesana
esteve, recentemente, em Moçambique, no âmbito de
um programa de cooperação estabelecido com os países
africanos de língua portuguesa. Esta visita serviu para
constatar as graves dificuldades do dia-a-dia das gentes moçambicanas
que as campanhas de solidariedade não conseguem resolver.
O caminho a seguir terá de ter também em conta uma
cooperação que privilegie as capacidades naturais
e humanas do país, de modo especial, a criação
de estruturas no campo da saúde e educação
e a formação de pessoal qualificado. Só assim
será possível falar de «um desenvolvimento
sustentado». As verbas resultantes da renúncia quaresmal
serão para a construção do Centro Social
da paróquia de S. João de Deus-Nampula, que terá
as valências de jardim de infância e um centro materno-infantil.
Conscientes da importância pastoral do tempo da Quaresma rumo à Páscoa, os bispos das dioceses do Centro (Aveiro, Coimbra, Guarda, Leiria-Fátima, Portalegre-Castelo Branco e Viseu) escreveram aos seus padres uma carta sob o título: "Ao serviço do Povo de Deus na caminhada para a Páscoa".
Neste documento, os bispos apontam algumas sugestões para uma maior convivência quaresmal: "valorizar a celebração de Quarta-Feira de Cinzas, entrada da caminhada quaresmal, bem como o ponto culminante desta caminhada, o Tríduo Pascal e, neste, a Vigília da Páscoa" e "exortar as comunidades e, designadamente, os doentes e as crianças a rezarem e a unirem os seus sacrifícios à Paixão e à Cruz do Senhor pela santificação do Povo de Deus, pela conversão dos pecadores, pela união dos cristãos e pela paz".
Do ponto de vista social, lembram "a generosidade dos cristãos, em ordem a dar resposta a algum problema social concreto, segundo a sugestão do Papa na sua mensagem para a Quaresma e as indicações diocesanas sobre a partilha quaresmal e contributo penitencial".
Em relação às famílias, o apelo dirigido aos sacerdotes para que as levem a empenhar-se na vivência quaresmal, valorizando os de partilha com outras famílias necessitadas e o testemunho na comunidade cristã e no seu meio social".
| Pereira Pinto |
| Início |
Essa verdadeira Carta Magna foi publicada por Pio XII a 2 de Fevereiro de 1947 e veio colmatar uma necessidade há muito sentida na Igreja por todos aqueles que, ouvindo o chamamento para seguir Cristo mais de perto, pretendiam viver a radicalidade da sua consagração pela profissão dos Conselhos Evangélicos, mas permanecendo no mundo e fazendo-o a partir do mundo.
Longa era já a experiência, a vivência e o testemunho de um elevado número de cristãos. Mas essa «bonita e exigente» forma de Vida Consagrada , não se enquadrava nos parâmetros das normas que regiam os Institutos Religiosos. Com fé e confiança, animados pela virtude da Esperança, muitos aguardaram essa data histórica do início de uma nova expressão de Vida Consagrada, os Institutos Seculares.
A Igreja é chamada a realizar a missão de ser, no mundo, "sacramento universal de salvação". Não pode haver plenitude humana sem a graça divina, sem o Verbo de Deus que "é o fim da história humana, o ponto de para o qual tendem os desejos da história da civilização, o centro da humanidade, a alegria de todos os corações e a plenitude das suas aspirações" (GS.9). Neste mundo de rápidas mutações sócio-culturais e de prementes interrogações os Institutos Seculares, em virtude do seu carisma de secularidade consagrada, são instrumentos providenciais para "infundir na sociedade as energias novas do Reino de Cristo, procurando transformar o mundo a partir de dentro, com a força das bem-aventuranças" (VC.10)
Para assinalar esta novidade, haverá uma celebração festiva, em Fátima, nos dias 1 e 2 de Março, para todos os Institutos Seculares implantados em Portugal, sob o tema: "OS INSTITUTOS SECULARES RUMO AO ANO 2000 DESAFIOS E ESPERANÇAS". O programa prevê três conferências: "Cristo Encarnado nos anos 40" pelo Doutor Carlos A. Moreira Azevedo; "Reviver Cristo no mundo secular", por Maria do Rosário da Cruz Virgílio (Instituto Secular Servas do Apostolado); e "Renovar a Fé em Cristo centro da história" por D. Manuel Madureira Dias, Bispo do Algarve e Presidente da Comissão Mista Bispos/Institutos de Vida Consagrada.
Além de intensificar o dinamismo espiritual e apostólico de cada um dos 16 Institutos Seculares existentes em Portugal, este encontro permitirá que todos descubram as riquezas desta vocação secular, dada pelo Espírito Santo à Igreja como resposta ao mundo de hoje. E acredita-se que das comemorações deste aniversário hão-de resultar frutos abundantes, para que os Institutos Seculares sejam mais conhecidos. Isso poderá despertar nos jovens o desejo de contribuirem com uma vida consagrada no espírito dos Conselhos Evangélicos, para uma Igreja mais autêntica e mais dinâmica na transformação das realidades temporais, segundo o Projecto Salvífico de Deus.
| Início |
O aborto voluntário é sempre a supressão criminosa de uma vida humana. Por motivos ideológicos, muitas vezes hipócritas, a que não raro se adicionam obscuros jogos de interesses, escamoteia-se com frequência esta verdade, hoje no entanto cientificamente irrecusável. A vida, vida rigorosamente humana, começa no momento da concepção. Destruí-la voluntariamente é matar, com a agravante de se tratar de um ser inocente e sem defesa e, todavia, com direito à existência.
O direito à vida é um direito humano inviolável. Não depende da opinião pública, dos referendos, do voto dos deputados, de nenhuma autoridade pública. Ao Estado pertence, tão-somente, reconhecê-lo, respeitá-lo, defendê-lo, promovê-lo, nomeadamente pelo prossecução da justiça social, que assegure a todos condições indispensáveis a uma vida digna.
É pela vida, e pelos diversos direitos que o direito à vida pressupõe e reclama, que precisamos de lutar, e não por práticas de morte. Como observa a declaração da Conferência Episcopal, a Igreja não «deixa de compreender e sentir as tragédias psicológicas, morais e sociais que levam tantas mulheres à prática desesperada do aborto. Ela sabe que muitas das culpas maiores de grande número de abortos são de quem engana, explora e abandona as mulheres, mais vítimas do que culpadas desses abortos, ou então da própria sociedade que gera e mantém condições económicas, sociais e morais degradantes para a sua vida pessoal e familiar». Por isso, a questão do aborto passa pela adopção de medidas sociais, familiares, morais e culturais que lhe combatem as causas, e não por medidas legislativas de despenalização, para as quais o Estado não tem legitimidade. Pois, sendo o aborto voluntário a destruição de uma vida humana, é ilegítimo que o Estado legalmente o aceite e, ainda pior, venha depois a colaborar na sua execução com os seus serviços e hospitais.
Neste momento, o que vai ser discutido e votado na Assembleia da República já não é, infelizmente, só a despenalização do aborto, já admitida por lei há 13 anos. É o alargamento das condições em que poderá ser feito, ou quanto aos prazos, ao quanto aos motivos (motivos que, num dos projectos, para as primeiras 12 semanas, são mesmo inteiramente dispensados). Este alargamento não surpreende, porque a decadência também tem a sua lógica. Quando em 1984 se consagrou a despenalização, não era difícil prever que se chegaria a este ponto; e a outros se chegará. Em todas as nações que adoptaram procedimento semelhante, o número de abortos, mesmo clandestinos, não cessa de aumentar; e as razões invocadas também não. A sua prática é em nossos dias uma tragédia imensa. Alguns políticos comparam Portugal com outros países da Europa, a que chamam neste particular mais «avançados», e querem seguir-lhes o modelo nesta escalada de morte. Triste modelo!
Pelas graves responsabilidades que derivam da sua fé cristã, bem como por aquilo que devem à sã edificação do seu país, os cristãos a quem dirigimos a presente Nota, especialmente os que se encontram nos centros de decisão e os que mais podem contribuir para formar uma opinião pública correcta, não abandonem aos outros o que podem e são moralmente obrigados a fazer.
A questão do aborto, agora de novo suscitada, põe à prova a consciência dos cristãos, desafiando-os a que esteja lúcida e activamente presentes na sociedade portuguesa.
| Início |
| Primeira Página | Página Seguinte |