Sociedade:

SEMANA A SEMANA


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... INTERNACIONAL


ITÁLIA - O líder da Liga do Norte italiana, Umberto Bossi, ameaçou organizar um boicote ou greve fiscal se os principais responsáveis pelo país não reconhecerem o que ele chama «direito do Norte à independência». Bossi dirigiu esta ameaça ao primeiro-ministro, Romano Prodi, e ao líder do principal partido da coligação governamental, Massimo D'Alema, no final do 3º Congresso da Liga.

Romano Prodi respondeu de imediato que «num país civil o primeiro dever é respeitar a lei» e que «o governo italiano fará com ela seja respeitada.»

Apesar das declarações de Bossi, as sondagens de opinião pública mais recentes dizem que 79,7 por cento dos italianos querem uma Itália «una e indivisível».


SUÍÇA - O governo suíço aceitou, formalmente, criar um fundo especial para indemnizar as vítimas do Holocausto nazi. Tal decisão foi tomada depois de os três maiores bancos do país terem contribuído com 100 milhões de francos suíços para esse fundo.

Este gesto surge na sequência de notícias vindas a público nos últimos 18 meses, denunciando a Suíça e os seus bancos de terem «deitado mão» a sete mil milhões de dólares deixados no país por famílias judaicas que acabariam por ser exterminadas nos campos de concentração nazis.


SÉRVIA - O Parlamento sérvio votou, no passado dia 11, uma lei que reconhece a vitória dos partidos da oposição em 14 cidades, incluindo Belgrado, nas eleições municipais realizadas na Sérvia, em 17 de Novembro do ano passado.

Depois de 12 semanas de manifestações ininterruptas, os socialistas (ex-comunistas) que ocupam o poder, liderados por Slobodan Mlosevic, acabaram por aceitar a derrota, pretendendo com este reconhecimento pôr termo às manifestações. No entanto, os dirigentes da oposição, apesar de terem decretado um interregno nas manifestações, prometem retomá-las com o fito de obter a democratização dos meios de informação sérvios.


EQUADOR - O Parlamento equatoriano, na sequência da destituição do presidente Abdala Bucaram, elegeu Fabian Alarcon como presidente interino. A vice-presidente Rosalia Arteaga que assumira o poder após a queda de Bucaram esteve, afinal, poucas horas na cadeira presidencial.

O novo Chefe de Estado, até agora presidente do Parlamento, dirigirá o país até 10 de Agosto de 1998 e comprometeu-se a convocar até essa data eleições gerais em que seja escolhido um novo e "definitivo" presidente do Equador.


FRANÇA - Cerca de 4000 artistas e intelectuais franceses manifestaram-se em Toulon contra a extrema-direita francesa, chefiada por Jean-Marie Le Pen, que venceu as eleições municípais naquela cidade portuária do sul de França e em alguns outros municípios.

Sob a divisa "cultura censurada, ditadura assegurada", este importante segmento da sociedade francesa vem alertar para os perigos de o poder cair nas mãos da exterma-direita, cujos dirigentes atacam frequente e fortemente a liberdade de expresão e de criação artística.

Na mesma linha, 155 escritores e 66 cineastas subscreveram uma apelo à «desobediência civil» contra as leis de imigração do Governo, inspiradas em teses do partido de Le Pen.


ÁSIA - As questões de Timor e da Birmânia foram apenas referidas ao de leve na reunião da ASEAN (Filipinas, Indonésia, Singapura, Malásia, Tailândia, Brunei e Vietname) com os Quinze Estados-membros da União Europeia (UE). Os países asiáticos, pressionados nomeadamente pela Indonésia, impediram que a UE incluísse no documento final uma referência àquelas duas questões, tudo para que a componente económica, afinal a "mola real", da reunião não ficasse prejudicada.

A UE, por intermédio do seu porta-voz, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Holanda, apelou a «uma solução justa, global e internacionalmente aceitável» para o problema de Timor.


BIRMÂNIA - O Exército da Birmânia atacou e conquistou três bases da guerrilha da etnia karen, no Leste do país, numa ofensiva de envergadura que obrigou mais de 20 mil pessoas a passarem a fronteira para a Tailândia. Na sua maioria estas pessoas são refugiados civis que viviam junto das referidas bases.

Este ataque ocorreu no momento em que a ASEAN e a União Europeia se encontravam reunidas em Singapura e parece ser um sinal de força que a Junta Militar birmanesa pretende dar ao mundo. A Birmânia foi citada, a par com Timor, como um dos territórios asiáticos onde os Direitos Humanos são sistematicamente violados pelo poder instituido.


PERU - Segundo notícias veiculadas por um jornal da Argentina, o exército do Peru elaborou um «plano de intervenção» que lhe permitirá libertar os 72 reféns ainda detidos na Embaixada do Japão, em Lima. Esse plano prevê, segundo o jornal «Clarin» de Buenos Aires, um ataque que durará sete minutos e admite um elevado número de baixas entre os militares e os guerrilheiros.

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PONTO DE VISTA

As raízes

Escrevo antes do dia 20. Então, a Assembleia da República decidirá sobre propostas polémicas acerca do aborto. Liberalizá-lo, deixando-o a critérios que podem ser meramente hedonistas, surge como opção que esbarra com o sentido de apreço pela vida. E ampliar a sua execução, de 14 para 24 semanas, é uma alínea que irá agravar o que, já de si, se apresenta como intrinsecamente mau. Em todo este debate, a Igreja, e todos somos Igreja, deixou à vista contradições que, em horas tão acesas como esta, lhe colam alguma fragilidade, quando se controverte a licitude ou ilegitimidade do aborto. Assim, o respeito pela vida, como valor que prevalece sobre todos os outros, aparece secundarizado pela pena de morte, que o Catecismo da Igreja Católica, divulgado em Outubro de 1992, admite em certas circunstâncias. Isto é, tolera a pena última, quando cresce o número de países que já a erradicaram dos seus códigos. De lamentar, os malabarismos que se fizeram para justificar o injustificável. A próxima edição do Catecismo rectificará este erro. Acusação à Igreja é, também, a de não ser tão acutilante a denunciar certas situações, algumas das quais, casualmente, têm a ver com o aborto. Porque este é uma consequência de consequências. As injustiças sociais estão na sua origem. A pobreza, a falta de habitação, o desemprego, a ignorância, a insuficiência salarial, o analfabetismo inspiram a cometê-lo. Eliminá-los, considera-se utópico, porque sempre foi mais cómodo, como alternativa, destruir a vida no seio de uma mulher do que resolver tais problemas. João Paulo II denunciou tudo isto no «Evangelho da Vida». Mas é aqui que os políticos, em todo o mundo, fazem vista grossa. Não é preciso muita inteligência para os perceber.
Pacheco de Andrade
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Semana da Cáritas

Desde o próximo dia 27, 5.ª-feira, até 2 de Março, domingo, decorre o peditório de rua da Semana Nacional da Cáritas. No Domingo, dia 2 e 3.º Domingo da Quaresma, é o Dia Nacional da Cáritas, por determinação da Conferência Episcopal Portuguesa.

Nas ruas do Porto e de outras cidades, vilas e freguesias mais populosas realiza-se o habitual peditário de rua que se acredita atingirá aquela dimensão de que a Cáritas Diocesana carece, como obra de partilha de todos os que podem para que sejam dadas aos que precisam as indispensáveis ajudas. Este peditório público está devidamente autorizado pelo representante do Governo.

Ao longo deste último ano, a Cáritas viu-se na necessidade de realizar obras de restauro e conservação na sua sede, na Rua de Latino Coelho, 314, no que gastou 2.053.871$00 (dois milhões cinquenta três mil oitocentos setenta e um escudos. Foram obras inadiáveis que não podiam ser proteladas por mais tempo.

Será oportuno lembrar ainda que, em Janeiro, faleceu, em Lisboa, D. Fernanda Jardim, primeira presidente da Cáritas Portuguesa, tendo sido celebrada missa de sufrágio pelo Bispo de Santarém, na Igreja de S. Sebastião da Pedreira. À Senhora D. Fernanda fica a dever-se um contributo decisivo para a criação da Cáritas Portuguesa e a sua forte dinamização ao longo dos anos em que lhe presidiu. Alterações de orientação verificadas entretanto, não põem em causa a identidade nem o mérito da acção desta grandiosa Senhora.
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