| Eclesial: | |
BRAGA
A mensagem de Natal da LOC diocesana lembra, uma vez mais, o trabalho infantil e as mulheres grávidas que, em muitas empresas da região, são sujeitas a uma "perseguição feroz" das entidades patronais
Para o secretariado diocesano do movimento, reunido, nos dias 6 e 7, em Braga, as crianças de "gamela de massa" à cabeça ou agarradas à "sua máquina, horas a fio, assim como as mulheres grávidas não podem ser esquecidas pela consciência cristã, apesar do silêncio das entidades políticas e esquecimento da opinião pública.
Nesta quadra de Natal a realidade dura no mundo do trabalho de muita gente entra em contradição com os valores anunciados por Jesus Cristo. Na sua mensagem natalícia a LOC lembra que a solidariedade deve ser uma realidade nos locais de trabalho, sempre que haja sinais da degradação humana.
"Queremos neste Natal, lê-se na mensagem,
afirmar a nossa solidariedade para com as famílias trabalhadoras
que, por necessidade, se sujeitam a tirar os filhos da escola
para trabalhar. Queremos manifestar de um modo muito particular
o nosso carinho e estima a todas as crianças e pré-adolescentes
que são obrigados a tão más situações
de vida" e convidar todos os trabalhadores a unirem-se na
construção de um mundo mais digno para todos.
O colégio Paulo VI inaugurou, recentemente, novas instalações, em cerimónia a que se associaram as famílias dos alunos, comunidade religiosa a que pertence a instituição e o bispo auxiliar de Braga, D. Jorge Ortiga.
As obras agora inauguradas vão permitir receber
um maior número de alunos (hoje, são cerca de 400
distribuídos pelo jardim de infância, primária
e 5º ano). Futuramente, os alunos vão poder fazer
os estudos até ao 9º ano. Conforme foi salientado
na sessão solene, o colégio nada recebeu do Estado
para a realização destas obras orçadas em
centenas de milhares de contos e um investimento significativo
do ensino particular a favor da comunidade, enquanto o ensino
público continua a ser privilegiado com os dinheiros públicos.
AVEIRO
A Igreja diocesana iniciou a preparação do Grande Jubileu Ano 2000 com a ordenação de três diáconos, candidatos ao sacerdócio, em cerimónia presidida por D. António Monteiro.
Numa cerimónia litúrgica muito concorrida,
com destaque para as pessoas das paróquias dos novos diáconos,
D. António lembrou que a vida do cristão deve ser
marcada pela presença de Deus e que os diáconos
devem ser, no trabalho e serviço do dia a dia, testemunhas
de um Deus vivo. Num mundo marcado pelo fenómeno da secularização,
são muitas, como recordou, as "expressões que
denunciam o desconhecimento de Cristo e do Seu projecto, que denunciam
a ausência de Deus, a sobreposição dos critérios
humanos aos critérios evangélicos; são muitas
as expressões de ausência de fraternidade, de falta
de solidariedade para com os mais pobres e débeis, de culto
aos ídolos do mundo moderno, de desprezo ou de menos atenção
aos valores universais como a vida, a pessoa humana, a verdade,
a liberdade de consciência, o respeito pelo outro".
Aqui se enquadra a tarefa fundamental da Igreja, "ajudar
todos e cada um a descobrir Cristo, a conhecê-l'O, a comungar
da Sua vida, a participar da Sua missão".
BEJA
A crise instalou-se no Alentejo e parece estar para durar. Numa celebração litúrgica para estudantes do Politécnico, D. Manuel Falcão considerou o Alentejo, hoje em dia, "uma região deprimida e desertificada", face ao estudo de alguns dados de natureza sócio-económico-religiosa.
A diocese tinha, em 1960, 450 mil habitantes. Os
censos de 1991 registam 226 mil. Há trinta anos realizaram-se
cinco mil baptizados e em 1995 apenas 1500. "Vejo a região
a desertificar-se, a envelhecer, a deprimir-se, a perder valores"
afirmou D. Manuel aos estudantes. O futuro parece não trazer
grandes novidades, pois, no dizer do Bispo de Beja, Portugal
continua a ser um país "onde continua a faltar um
desenvolvimento equilibrado".
PORTALEGRE/CASTELO BRANCO
Os antigos alunos dos seminários diocesanos vão encontrar-se, em Fevereiro, na Buraca, Lisboa.
A iniciativa partiu da equipa formadora do Seminário de Portalegre, em colaboração com a Associação dos Antigos Alunos. Em carta dirigida a todos os ex-seminaristas, os responsáveis pelo encontro lembram que é já uma tradição a realização desta iniciativa e que é uma oportunidade para "o reencontro que todos sentem consigo próprios ao encontrar-se com as melhores amizades que a vida lhes proporcionou nos anos que frequentaram o Seminário".
O encontro está marcado para o primeiro dia
de Fevereiro, na Casa de Retiros Bom Pastor, na Buraca, em Lisboa.
VILA REAL
Os cristãos celebram o Natal "com olhos de Páscoa", e não como os pastores ou como os curiosos "que se interrogavam sobre quem viria a ser aquele Menino". "Olhamos para Ele, escreve D. Joaquim Gonçalves, com os olhos de quem sabe o que Ele faz mais tarde, um pouco como celebramos o aniversário natalício do pai e da mãe, projectando no seu nascimento a admiração agradecida pelo que eles nos deram e, nessa consciência, bendizemos o seu nascimento".
Em ano jubilar das Bodas de Diamante da Diocese e
ano dedicado a Jesus Cristo, no âmbito do tríduo
preparativo para o Grande Jubileu, é preciso que todos
os diocesanos se sintam "irmanados como um Povo em Festa,
festa que tem a sua raiz mais profunda na certeza de que este
Menino não pertence ao passado, mas está connosco
e irmanados como um Povo em construção, pois Ele
continua a ser necessário à construção
profunda da nossa terra de Trás-os-Montes".
ALGARVE
O Natal deste ano é vivido "em espírito de 'advento' que nos encaminha para a celebração do ano 2000.
No horizonte paira o Grande Jubileu do Ano 2000, por isso, este Natal, segundo D. Manuel Madureira, deve ser uma ocasião privilegiada para aprofundar a dimensão fraterna do mistério do Deus Menino. "Quando nos deixamos encantar pela beleza do amor de Deus, reflectido nos gestos humanos de Jesus, não podemos fechar-nos em nós mesmos. Natal é tempo de escolha entre os valores terrenos e os valores eternos; é tempo de opção entre o consumismo e a partilha; é tempo da definição duma hierarquia a estabelecer entre uma religiosidade separada da vida e uma fé empenhada no amor comprometido."
| Pereira Pinto |
| Início |
O Papa João Pauli II publicou já uma mensagem para este dia, onde faz apelo a uma maior atenção à mensagem revelada em Fátima que é centrada no "chamamento à conversão e
à penitência", como acontece no Evangelho. E, a propósito, cita a homilia que proferira em Fátima, em Maio de 1982, em que lembrara que idêntico apelo fora feito, nos inícios deste século pela "Senhora, que parecia ler, com uma perspicácia especial, os sinais dos tempos, os sinais do nosso tempo". E isso é tanto mais necessário quanto a doença e o
sofrimento, numa sociedade como a actual que tenta construir o futuro no bem-estar e no consumismo e que tudo avalia pela eficácia e pelo lucro, uma vez que não podem ser negados, ou são esquecidos ou são esvaziados de significado dando-se a entender que poderão ser superados pelo progresso da ciência e da técnica.
Para frustração de muitos, a doença e o sofrimento permanecem, entretanto, "como limite e provação". E, acrescenta João Paulo II, que, à luz da Cruz de Cristo, «tornam-se, muitas vezes, um momento privilegiado de crescimento na Fé e um instrumento precioso para contribuir, em união com Jesus redentor, para a realização do projecto de Salvação».
A concluir, o Papa chama a atenção da opinião pública para a solidão e marginalização em que muitos doentes se encontram e faz apelo aos responsáveis políticos, às organizações sanitárias, aos agentes no campo da saúde e às associações de voluntariado, para que se unam à Igreja no seu empenhamento em favor daqueles que sofrem. E adverte que este primeiro ano do tríduo preparatório do Grande Jubileu, que é inteiramente dedicado à reflexão sobre Jesus Cristo, poderá ser uma excelente ocasião para isso.
| Início |
| Primeira Página | Página Seguinte |