Eclesial:

ACTOS E ACTAS

Porque é de noite...

De repente, eis-nos abruptamente mergulhados no clima do Advento, em toda a densidade do Mistério de Cristo. Em péssimas condições, como o próprio Jesus tinha previsto. Num Mundo à deriva e numa Igreja que sente grande dificuldade em pronunciar a palavra Esperança, pois ou andamos desesperados, como na África e na América Latina, ou andamos meios desorientados, como na Europa e na América do Norte, sem forças para abordar finalmente a Ásia imensa, e aterrorizados diante do fanatismo renascente do Islão. Neste caso, neste campo, as piores condições são as melhores condições, apesar do Medo, que é mau conselheiro: é o que se chama uma cura de Realismo. É com a Realidade que o Reino dos Céus se entende melhor. Os pés no Chão, o piso mais seguro onde os Mansos assentam a plantação que cultivam sobre a Terra que é da Promessa.

Ninguém ilude a finitude das Coisas e ninguém escapa à exigência das metas, esta ciência da Escatologia onde a Agonia ou as Dores-de-Parto precedem a eclosão das Super-Novas: passa-se com o Homem-Novo o que se passa com as estrelas do Céu. É o pulsar da Vida que se estremece. Estremecer é uma bela palavra portuguesa que quer dizer amar: estremecemos aquilo e aqueles que amamos e que esperamos!

A três anos, famoso Triénio! do jubileu do Ano 2000, que João Paulo faz grande questão, apesar da sua periclitante saúde e da sua idade avançada, entramos a fundo, de improviso no Mistério de Cristo, cuja densidade no corpo dorido da Terra nos retrai à primeira vista... Não vai dar para grandes festas à maneira dos tradicionais Anos Santos com afluxo de peregrinos a Jerusalém, e a Roma,, para refazer as economias debilitadas italianas e israelo-palestinianas... As pedrinhas de Jerusalém que nos estremeciam nas mãos, ou andam no ar a gritar, ou são poucas para os colonatos judaicos que nunca mais percebem que o Anti-Semitismo não é mora embirração de quem não pode com a cara dos Judeus. Ontem como hoje. Nem se trata propriamente duma festa, de rejubilar com o Jubileu... sonhos do Ano 2000 são pesadelos, e as previsões dos Lunáticos e fanáticos do Progresso nenhuma delas se realizou: as metas do século XX mais parecem regresso às Trevas que as Revoluções, com os seus gritos, quiseram esconjurar. Obscurantistas são os tempos que correm, e nem as luzes da Grécia reacendidas desde o Renascimento, nem as luzes de Paris que qualquer barricada de camiões ameaça e apaga, conseguem velar as grandes esperanças que se puseram neste Século. Estranho jubileu que quase nos deixa indiferentes. Mas, felizmente que assim é. As muitas velas não distrairão as nossas Vigílias, as veladas da Esperança!

A gente tem a sensação, a impressão que tudo se passa de-Noite, de uma longa noite de que não saímos ainda, uma densa noite onde vamos entrar. Mas não há como a Noite para nos concentrar na Esperança, a palavra que vai ser mais repetida nos dias que se aproximam perigosamente... Com a vantagem de nada nos distrair. Se nos disserem que descobriram finalmente a Pedra-Filosofal, isso deixar-nos-á completamente indiferentes, e a dizer: se não lhes fizer mal, servirá de brinquedo para as crianças!... Não há como a Noite e os seus silêncios que apuram os passos verdadeiros que se dão na Vida e os passos capazes de se ouvir, de quem amamos e esperamos: «Se vier ao cair da Noite, à meia-noite, ao canto do galo, ou pela madrugada!...»

200 Séculos se passaram, de Advento, em Advento. Os Extremos tocam-se. Não houve, não há, interrupção do Advento. Os Últimos Discípulos reencontram os Primeiros Discípulos. É a Esperança que reanima os Católicos que não são milenaristas nem findomundistas, e cuja ciência escatológica não tem nada de místico, pois faz da Realidade o meio onde se banha, o ar que respira. Ou haverá coisa mais festiva que a Parusia? Haverá coisa fenomenal mais interessante que a Epifania? A manifestação dos filhos de Deus não é fantasmagórica, não é religião de Mortos, mas de Vivos. A Esperança atravessa a Noite, mas é pela chegada do Dia que espera.
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NA COMUNHÃO DAS IGREJAS

BRAGANÇA-MIRANDA

O Núncio Apostólico em Portugal, Monsenhor Eduardo Rovida, esteve, recentemente, na diocese, a convite de D. António José Rafael

As celebrações da elevação da Sé de Miranda à dignidade de con-catedral da Diocese foram o ponto alto daquela visita que consagrou a designação da diocese de Bragança-Miranda. Um encontro de convívio com as pessoas mais directamente ligadas à Pastoral foi ocasião aproveitada pelo Bispo da diocese para apelar à generosidade dos cristãos para a construção da Sé em Bragança.

Inoportuna e bem fora de tempo pareceu a manifestação de pouco mais de uma dezena de pessoas que contestaram a alteração da designação da Diocese, por não perceberem que à sua igreja paroquial era dada, de novo, a qualidade de "catedral" que havia perdido e que a sua cidade passava a ser parte integrante da designação da Diocese. E tanto mais quanto o processo apresentado em Maio havia merecido o acordo das entidades religiosas e civis.


LAMEGO

O Dia da Igreja Diocesana constituiu uma "oportunidade singular para afirmarmos, em conjunto, a comunhão eclesial que há-de modelar sempre o nosso itinerário no que concerne, quer às opções que tomamos, quer às actividades que vamos projectando e levando à prática" lembrou D. Américo do Couto Oliveira, em Mensagem que dirigiu aos seus diocesanos, a propósito da celebração do Dia da Igreja Diocesana que ocorreu no passado dia 24.

Depois de recordar que a comunhão eclesial tem de ter uma particular concretização nas comunidades paroquiais "através de promoção da participação de todos naquilo que a todos diz respeito", D. Américo dá a conhecer alguns dos acontecimentos mais marcantes da vida pastoral, nos próximos tempos. E destaca o Plano Pastoral, a preparação do Jubileu Ano 2000 e a instituição, no dia 24, no ministério de leitor de alguns seminaristas, assim como de um candidato ao Diaconado Permanente.


AVEIRO

A preparação do Grande Jubileu do nascimento de Cristo já tem uma comissão responsável formada, essencialmente, por elementos ligados aos sectores da pastoral, formação sacerdotal e vida consagrada, e tendo como responsável o vigário episcopal da Educação Cristã.

De acordo com uma Nota Episcopal, a constituição desta equipa de trabalho tem a ver com a necessidade de levar a todas as comunidades cristãs a dinâmica sinodal que marcou a vida diocesana nos últimos anos "e programar iniciativas directamente voltadas para a celebração do Jubileu do Ano 2000".

O Serviço Diocesano da Pastoral dos Marginalizados acaba de ser reestruturado em seis sectores, numa linha de adequação dos serviços à especificidade dos problemas que se colocam e, simultaneamente, alertar as comunidades e agentes de pastoral para este tipo de trabalho.

A reestruturação do Serviço contempla cinco sectores de acção: toxicodependência e Sida, prostituição, alcoolismo, minorias étnicas e etnia cigana, os "sem-abrigo" e estabelecimentos prisionais. O trabalho dos sectores desenvolve-se a nível da sensibilização das comunidades e preparação de agentes de pastoral, como actuando directamente com os excluídos.

D. António Marcelino lembra, em Nota Episcopal, que a situação dos marginalizados é uma questão que de há muito o preocupa e uma preocupação de toda a diocese, como foi dito no Sínodo Diocesano ao decidir que "se manifeste uma especial solicitude pelos marginalizados da sociedade e se desenvolva um esforço constante em favor da sua promoção e reinserção social".


COIMBRA

O Instituto Superior de Teologia de Coimbra assinala durante este ano lectivo 25 anos de existência, estando previsto um conjunto de actividades para marcar a celebração das bodas de prata. O início das comemorações teve lugar no passado dia 22 com a celebração de uma eucaristia, um jantar de confraternização e uma sessão solene, marcando o início das aulas.

Fundado em quatro de 1971 para "proporcionar àqueles que se preparam para o exercer o ministério sacerdotal uma sólida formação humanística, filosófica e teológica" serviu, ao longo destes anos, as diocese de Coimbra, Aveiro, Beja, Cabo Verde, Leiria-Fátima, Macau e Portalegre e Castelo Branco.


LEIRIA/FATIMA

"A renovação das comunidades paroquiais, a integração e o acolhimento dos jovens e a projecção de novas etapas nestes caminhos" constituíram os grandes momentos da Assembleia Sinodal.

Durante três dias, 15, 16 e 17 de Novembro, os membros da Assembleia Sinodal, "conscientes de representarem toda a Igreja diocesana" procuraram novas soluções, "na diversidade de sensibilidades e de pontos de vista, mas sempre na busca de caminhos de conversão e renovação" como se lê na Mensagem da Assembleia Sinodal.


SANTARÉM

"Santarém não tem um edifício a que possa chamar seminário, mas tem um 'seminário de pessoas' afirmou à Ecclesia, D. António Francisco Marques.

A criação da diocese é, relativamente, recente. Apesar da ideia da construção do Seminário continuar a dominar as preocupações dos responsáveis da diocese, ainda não foi possível avançar muito neste domínio. A construção de um seminário na diocese seria "um sinal dentro da própria diocese". Mas os poucos anos de vida da diocese não permitem muitos vôos. "O próprio edifício onde está a casa Episcopal e o Centro Pastoral é de algum modo uma referência, porque é o antigo seminário que serviu o Patriarcado durante tantos anos". Apesar da inexistência de um seminário, a Semana dos Seminários, foi uma ocasião para se promoverem encontros de reflexão e oração "no sentido de se criarem condições necessárias para que surjam mais e melhores vocações sacerdotais".


LISBOA

O clero diocesano acaba de ter, no Seminário dos Olivais, mais uma semana de formação dedicada ao tema "Jesus Cristo, único Salvador do Mundo, Ontem, Hoje e Sempre". Ao longo de uma semana, cerca de 90 padres debruçaram-se sobre as culturas emergentes neste final de século e os desafios que se colocam à Igreja. Como disseram, a ânsia de «tocar e representar o Transcendente» e, concretamente, o próprio Jesus Cristo, está bem patente em muitas manifestações de arte (música, pintura, cinema...), embora nem sempre os critérios utilizados sejam os mais correctos e adequados a uma evangelização, como pode verificar-se na própria arte que se destina ao culto. A maneira como Jesus Cristo é apresentado pela Igreja e pela Teologia foi também um dos temas estudados, seguindo-se o estudo dos principais desafios que, hoje, se colocam à Pastoral de modo a tornar Cristo mais presente à História dos homens.

No âmbito dos 25 anos de tomada de posse de D. António Ribeiro como Patriarca de Lisboa, está patente, desde meados de Novembro e até 15 de Janeiro, no Mosteiro de S. Vicente de Fora, uma exposição sobre arte sacra, subordinada ao tema "25 anos de construção de novas igrejas no Patriarcado". Como foi referido, trata-se de «uma excelente oportunidade de conhecer os templos construídos desde aquela data e de poder reflectir sobre os problemas que se põem à concepção das novas igrejas».


BEJA

A palavra de ordem para o próximo triénio, em termos de prioridades pastorais, é a criação de uma Cultura Vocacional na Diocese, «em primeiro lugar para o clero e para as pessoas chamadas em especial à consagração, mas também para todos os fiéis, a começar pelos que, de entre os praticantes, rezam pelas vocações", como escreveu D. Manuel Falcão dirigindo-se aos seus diocesanos, por ocasião da Semana dos Seminários.

De facto, e pela primeira vez desde a inauguração em 1940, o Seminário não tem alunos residentes. As causas desta situação são muitas e D. Manuel aponta «o tipo de cristianismo característico da nossa gente, mesmo daquela que se considera praticante». Mas também «a pastoral de conservação e consumismo que vigora na generalidade das nossas paróquias». Mas, se o Seminário Menor não tem alunos, já o número de alunos a estudar Teologia, em Évora, é o maior de há muitos anos, o que é sinal de esperança mas não faz esquecer os tempos difíceis que se colocam à pastoral diocesana nos próximos anos. Daí, o apelo do Bispo: "Não se esqueçam. Temos três anos para criar na Diocese uma autêntica Cultura Vocacional".
Pereira Pinto
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Animadores vocacionais apontam novos rumos
na Pastoral das Vocações

Em Fátima, reuniram-se há pouco 230 animadores vocacionais, vindos de todas as dioceses. O curso de formação contou com a diversidade das vocações que há na Igreja, desde o ministério ordenado e a vida consagrada religiosa ou secular, até ao laicado, e teve como tema "Novas vocações para uma nova Europa - possibilidades e desafios em Portugal".

Como horizonte, o Congresso Europeu para as vocações que se realizará em Roma de 5 a 10 de Maio de 1997. Como caminho a reflexão sobre a situação portuguesa para poder discernir novos rumos. No final, foi possível apresentar, com Esperança, algumas conclusões, entre as quais a de que, se hoje há menos padres, há mais seminaristas maiores e mais ordenações de presbíteros. Por outro lado, se diminuiram os religiosos, religiosas e noviços, despontam agora novas formas de consagração em institutos seculares e novas comunidades e movimentos. Além disso, os leigos participam mais na acção pastoral e cresce o empenhamento no despertar e acompanhar das vocações. Verifica-se, por outro lado, que a Igreja «continua jovem, cheia de vitalidade e em constante renovação» e lança um permanente apelo «à oração a Deus-Trindade, a fonte da Vocação» e ao reconhecimento da Vocação como dom divino dado a cada pessoa para serviço da Igreja e do mundo.

No entanto, será preciso desenvolver uma pastoral das Vocações «que seja mais irradiação da própria vida e experiência de Fé pessoal e comunitária» e leve à descoberta da unidade de todas as vocações e da originalidade de cada uma. Os condicionalismos de hoje, umas vezes dificultam mas outras favorecem, a decisão vocacional: a confusão afectiva e sexual, o desgaste dos ambientes familiares, o desencanto pela Criação, o medo da solidão, o desejo de tudo compatibilizar, as ideias mais comuns das vocações e da Igreja, o desejo de vencer sem lutar, a busca do silêncio e da leitura, a vontade de escutar e a dificuldade de optar na pluralidade das possibilidades. Num tempo assim quatro atitudes prevalecem: juntar ideal e gradualidade, buscar a verdade e ousar dar gratuitamente, saber tirar proveito de todas as situações, e optar pelo caminho do Amor ou de "centrar-se, descentrar-se, e sobre-centrar-se" (T. Chardin).

Os participantes afirmaram que a Igreja é «um mistério de vocação, dom e obra de Deus» e nela o Espírito faz desabrochar a pluralidade das vocações para edificação do único Corpo de Cristo e desenvolvimento da sua missão. Sendo também «mistério de comunhão» só se entenderá uma pastoral vocacional «de corresponsabilidade comunitária, testemunhal, personalizada e enraizada num processo de educação na Fé». Poder-se-á, assim, percorrer novos rumos na pastoral das vocações, ou seja promover uma cultura da Vocação, gerar a paixão por Deus e pela humanidade, adequar a linguagem e as imagens das Vocações e proclamar, sem medo, a beleza da virgindade e do celibato. E desenvolver uma pastoral que tenha em conta o valor antropológico da vocação e atenda à diversidade das pessoas, para além de promover a colaboração em obras comuns, apoiar o discernimento não apenas das vocações de especial consagração, mas também do Matrimónio e da vida laical, tentar envolver todas as comunidades em experiências de fraternidade, de oração e de serviço. Oportuno será fazer memória da história vocacional de algumas figuras bíblicas e de pessoas conhecidas, respeitar o ritmo de cada um, criar centros de acolhimento e de escuta, e atender aos novos lugares e ambientes onde pode fazer-se ouvir o apelo de Deus.

Em tempos de carência, poder-se-á descobrir os novos sinais dos tempos, dar prioridade a Deus e ousar apresentar-Lhe as necessidades dos homens e das mulheres, procurando caminhos e força para perseverar. Como concluiram os animadores, será de valorizar «a oração como escuta de Deus para uma resposta pronta e generosa», acolhendo «uma nova primavera vocacional para a Igreja», na disponibilidade para fazer quanto Jesus disser.

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